Metal Reunion Zine

Blogzine fundado em 2008. Reúne notícias referentes a bandas, artistas, eventos, produções, publicações virtuais e impressas, protestos, filmes/documentários, fotografia, artes plásticas e quadrinhos independentes/underground ligados de alguma forma a vertentes da cultura Rock'n'Roll e Heavy Metal do Brasil e também de alguns países que possuem parceiros de distribuição do selo Music Reunion Prod's and Distro e sua divisão Metal Reunion Records.



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terça-feira, 22 de julho de 2025

"Um Passeio Pelo Caos" (2023) - Vinicius Canabarro. Resenha Livro

Livro: Um Passeio pelo Caos
Autor: Vinicius Canabarro
Ano: 2023
Páginas: 80
Editora: Saifers

Quando recebi "Um Passeio pelo Caos", ele era o título mais recente de Vinicius Canabarro — hoje, é seu penúltimo, visto que o autor lançou mais um escrito em 2025. 

Já comentei quase todas as suas obras e, sem dúvidas, sigo admirando sua escrita crua, urgente e corajosa. Essa coletânea de oito contos distópicos mergulha em realidades que, embora pareçam ficção, estão mais próximas do que imaginamos.

Com olhar antenado em temas atuais e uma riqueza de detalhes que faz o leitor mergulhar no texto, Vinicius transforma as suas distopias em espelhos: a fome que assina contratos, a violência camuflada nas vielas sujas, o histórico olímpico esquecido na cadeira de rodas, a miséria afetiva das redes sociais e claro, a rotina enclausurada no caos urbano sufocante.

O conto 'Barra Paralela', deveria ser lido por muitos desse Brasil que ainda exalta branquitude como a maior vantagem social. A crítica racial ali é contudente e atual, lembrando bem casos reais onde a cor da pele dita sentenças de dor e morte nas principais capitais do Brasil.

O autor não escreve para entreter, mas sim para incomodar. Com uma linguagem simples, mas potente, ele nos arrasta por um passeio sombrio, onde cada página é um tapa na cara da nossa apatia. Quando digo arrasta, é porque o autor consegue prender o leitor em uma mistura de curiosidade, ansiedade e concordância com as narrativas.

Vinicius Canabarro prova, mais uma vez, que o verdadeiro horror não está no imaginário — está do lado de fora da nossa bolha, que alimentamos com nossas incoerências cotidianas.

Recomendado para quem se incomoda com os nossos traços sociais tortos, de possibilidades já descartadas pela sociedade.

📚💥 #UmPasseioPeloCaos #ViniciusCanabarro #DistopiaBrasileira #ResenhaLiterária #CríticaSocial

Resenha por Alexandre Chakal em Julho de 2025.

Originalmente publicado na página EM CARNE VIVA ECRUA

https://www.instagram.com/p/DMaWuceMpJd/?igsh=a2dvY2R3dmRnanVj 


 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

HIT THE LIGHTS: O Nascimento do Thrash"(2019) - Martin Popoff - Resenha Livro


"HIT THE LIGHTS: O Nascimento do Thrash"
Autor: Martin Popoff
Lançamento Brasil: Maio 2019
Editora: Denfire

Mais um escrito do jornalista Martin Popoff, atualmente uma das figuras mais respeitadas no universo do Rock e Metal. Faz um tempo que peguei  com a Denfire, editora responsável pelo relançamento no Brasil.

O livro de 200 páginas é um relato envolvente sobre os primórdios desse subgênero que mudou para sempre a música pesada no planeta. A obra traça uma linha do tempo detalhada desde os anos 70 até 1983, ano do lançamento do icônico Kill 'Em All, do Metallica.
Por meio de entrevistas e relatos de músicos, produtores, fanzineiros e lojistas, Popoff reconstrói o cenário que possibilitou o surgimento do Thrash Metal, uma sonoridade agressiva e veloz, fruto da fusão entre o peso do Heavy Metal e a atitude crua e contestadora do Hardcore/Punk.

O livro adota um estilo narrativo dinâmico, onde a história é contada diretamente por aqueles que a viveram. O leitor acompanha a evolução do gênero por meio de depoimentos de integrantes de bandas fundamentais como Metallica, Megadeth, Slayer, Anthrax, Exodus e Testament, além de figuras essenciais da cena underground da época.

Detalhes muito interessantes são revelados, como a rivalidade entre Dave Mustaine e o Metallica, os primórdios do Slayer utilizando maquiagem e os bastidores do intercâmbio de fitas demo entre fãs, músicos e zineiros.
Além de focar no cenário norte-americano, a obra amplia seu espectro, mencionando a influência de bandas europeias como Kreator e Running Wild, além dos brasileiros do Stress. Também há espaço para explorar a relação do Thrash com o Glam Metal, destacando a presença relevante do Mötley Crüe nesse contexto.

Enfim, o material com um conteúdo rico em imagens e informações, transporta o leitor para aquele momento histórico. HIT THE LIGHTS é uma leitura essencial para fãs veteranos e novos admiradores que desejam compreender como um grupo de jovens inconformados revolucionou a cena musical, dando origem a um dos estilos mais impactantes do metal.

A segunda edição foi lançada em outubro de 2024 e está disponível pela Editora Denfire.

Resenha por Alexandre Chakal em Fevereiro de 2025.

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

https://www.instagram.com/p/DGku-L7RCY3/?igsh=MzQwc3AxYnhwaHh4

Fonte

Metal Reunion Books & Zines 


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

“AC Wild - Hereticvs - Bulldozer e Outras Heresias” (2025) - Editora Denfire - Resenha Livro

Livro: “AC Wild - Hereticvs - Bulldozer e Outras Heresias”

Lançamento: 2025

Editora: Denfire

Fiquei bastante instigado ao saber do lançamento brasileiro da autobiografia de AC Wild, uma das lendas do Metal mundial. Logo nas primeiras páginas, o leitor se depara com conteúdos que jamais um fã do Speed Metal profano e caótico do Bulldozer imaginaria. O livro está muito bem estruturado como uma autobiografia, trazendo descrições curtas desde a infância e o ensino fundamental do músico, passando pelas descobertas na adolescência e pelo período em que estudou teologia no seminário dos Frades Franciscanos Capuchinhos, onde chegou a cogitar seguir como sacerdote. No entanto, largou tudo, tornou-se ateu e acumulou experiência suficiente para ostentar o título de herege. Uma figura ímpar do Metal underground.

Tive a oportunidade de assistir ao Bulldozer duas vezes aqui no Brasil. A primeira foi em 2018, em Guarulhos, quando a banda fez sua única apresentação no país até então—e fiquei chocado com o público pequeno que compareceu. A segunda foi mais recente, em 2024, na capital paulista, onde, além dos italianos, pude assistir às lendas HeadHunter D.C. e Amen Corner.

Além de narrar a trajetória de AC Wild desde antes da formação do Bulldozer, o livro traz um vasto conteúdo visual, com fotos e registros antigos da banda italiana que ganhou notoriedade nos anos 80 por misturar Punk e Metal com letras provocativas. Sem dúvidas, considero o Motörhead italiano, porém com ainda mais velocidade e uma dose precisa de blasfêmia—elemento essencial ao estilo. AC Wild também viveu tragédias, como o suicídio do colega de banda Dario Carria, em 1988. O Bulldozer passou por algumas pausas na carreira, e AC Wild ainda atuou como DJ Sick, além de ter produzido um álbum de música clássica ao lado de ninguém menos que Dave Lombardo (ex-Slayer).

Apesar de curto—com apenas 120 páginas—o livro é um registro extremamente relevante para fãs da banda e curiosos que queiram ir além do som. A autobiografia foi originalmente lançada em 2014, na Itália, e traduzida para o inglês em 2023. Agora, finalmente chega ao Brasil em português, com uma tradução impecável da Editora Denfire, que vem fazendo história ao relançar livros de bandas lendárias do Heavy Metal mundial.

O material, que adquiri em janeiro, já está à venda no site da Denfire. O livro vem em formato A5, com páginas em papel couchê 115g full colour, e ainda acompanha adesivo, cartão postal e marcador de páginas exclusivos!

 Resenha por Alexandre Chakal – Fevereiro de 2025.

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA 

https://www.instagram.com/p/DGiQ1r8RqHQ/?igsh=dzA4a21paXdxNnll 

Nota: Resenha mais completa do que na página de Instagram,  que possui limitacão de caracteres para postagens no Feed.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

"Where Eagles Dare - Iron Maiden nos anos 80" -  Martin Popoff (2020) - Resenha Livro

Livro: Where Eagles Dare - Iron Maiden nos anos 80
Autor: Martin Popoff
1ª Edição: Fevereiro de 2020
Editora: Denfire

Após alguns anos que catei esse livro, decidi reler essa obra relançada pela Denfire. Reafirmo aqui sua qualidade impar. 
A editora do meu camarada Denis, sempre acertando ao trazer livros sobre ícones do Heavy Metal, fez um excelente trabalho com este livro, que se destaca na minha pequena coleção de títulos lançados pela editora.

O livro do jornalista headbanger Martin Popoff, se diferencia de outras biografias sobre a banda, muitas das quais falham em profundidade. "Where Eagles Dare' mergulha na década de 80, a fase de ouro do Iron, com uma análise meticulosa dos álbuns, desde o clássico "Iron Maiden" até o icônico "Seventh Son of a Seventh Son. Ao invés de se perder em histórias de bastidores, Popoff se concentra no que realmente importa: a música.

A tradução impecável de Paulo Gonçalves, combinada com a qualidade gráfica da edição, eleva ainda mais o valor dessa obra para o leitor brasileiro. O livro explora também registros raros como The Soundhouse Tapes, Maiden Japan e Live After Death, além dos lados B de vários singles, trazendo um contexto único para cada canção.

Popoff vai além ao criticar certos clichês criativos e questionar o status intocável de algumas músicas e álbuns, contextualizando a banda dentro da cena musical da época e comparando sua trajetória com o Glam e o Thrash Metal oitentista.

"Where Eagles Dare" não é apenas uma biografia, é um convite à reflexão sobre a trajetória da lenda viva Iron Maiden, perfeito para discussões agregadoras e também, aquelas conversas de boteco que rolam antes dos shows. É uma obra que todo fã da Donzela de Ferro deve ter em sua coleção, e que deixa a expectativa para as continuações sobre os anos 90 e 2000. Seria muito legal a Denfire relançar esses por aqui.

O livro teve uma segunda edição lançada por aqui. Acredito que ainda esteja disponível com a @editoradenfire

Resenha por Alexandre Chakal - Fevereiro de 2025

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

Fonte
Metal Reunion Books & Zines 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

"Vomitando Sangue" (2018) - Resenha Livro

Livro: Vomitando Sangue
Autor: Fabio da Silva Barbosa
Lançamento: 2018
Editora: Candeeiro Cartonera

Esse é o  livro mais diferente do autor. Meu exemplar físico, peguei direto com ele, durante a pandemia de Covid-19 em 2020. Na ocasião, Fabio já havia liberado a versão  em PDF para leitores interessados  em sacar a obra.

Uma saga urbana ou suburbana, composta por contos, crônicas e poemas livres, distrbuidos em pouco mais de 50 páginas.
Apesar de parecer pouco conteúdo, não é essa a impressão para quem lê. 
O livro se destaca também, por sua essência "faça você mesmo", por ser um material com montagem totalmente artesanal, utilizando papeis reciclados, miolo costurado e com capas feitas em papelão também reciclado e colagens. Isso permitiu que a editora de Recife, que o lançou, pudesse oferecer ao leitor capas com diferentes ilustrações para o mesmo livro.

Quando falo de Fabio da Silva Barbosa e seus textos contundentes, calcados na triste realidade de muitos que subrevivem ou subexistem por aqui, não preciso dizer muita coisa. O título do livro é um convite direto aos apreciadores de literatura marginal e um repelente eficaz para os leitores mais convencionais.

Abaixo algumas versões de capa do livro.





A tiragem do material eu mesmo nem sei, pois, por ser artesanal, deve ter sido curta e, desde 2019, está esgotada na editora. Mas dá para contactar o autor por e-mail e pedir uma cópia em PDF, que ele envia sem custo para quem se interessar. fsb1975@yahoo.com.br

Resenha por Alexandre Chakal em novembro de 2024. Publicada em janeiro de 2025.

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

Fonte Metal Reunion Books & Zines

"Sepulchral Voice Zine #8" (2021) - Resenha Fanzine

Livro/Fanzine: Sepulchral Voice Zine #8
Lançamento: 2021
Editora: Sepulchral Voice Zine

Mais um fanzine em formato livro da minha coleção que pilhei de reler e escrever sobre. 

Essa oitava edição do Sepulchral Voice Zine surpreende em conteúdo, elevando bem o nível em relação à edição anterior, que já comentei aqui. 
Mantendo o formato A5, mas agora com 104 páginas, traz uma entrevista imperdível que eu curti bastante com os paulistanos da The Black Spade, que tem Cavalo Bathory (Amazarak) nos vocais. Hoje, no Brasil, considero uma das bandas que entregam um Metal Negro cheio de autenticidade, com letras profundas e sonoridade visceral, sem cair no senso comum ou parecer mais uma cópia.

Além disso, há entrevistas com uma das grandes referências do Death Metal brazuca, Open the Coffin, do Rio Grande do Norte, banda que mostrou sua potência na edição mais recente do Setembro Negro Festival, em São Paulo. Outras entrevistas bem interessantes incluem os doomers da The Cross, os maníacos do Speed Metal da Álcool, os deathers cariocas da Incognosci e também outros bate-papos com bandas como Brutality (dos Estados Unidos), Burial Temple, Rottenbroth, Death by Starvation, School Thrash, Cadaverise, Lábar’Oculto, Medicine Death e Heavy Metal Rock.

Enfim, mais um fanzine de enorme relevância, que não canso de repetir em conversas com amigos e citar como referência de publicação feita com o sentimento DIY, mas com uma dose extra de profissionalismo, um nítido respeito aos leitores e também a quem acredita na arte extrema que é feita nas fileiras do chamado underground.

O fanzine ainda traz dezenas de resenhas afiadas sobre discos, demos e livros, tornando esta edição essencial para os headbangers sedentos por conteúdo de qualidade e muitas vezes ainda desconhecido por muitos.

Resenha por Alexandre Chakal em Janeiro de 2025.

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

Fonte Metal Reunion Books & Zines 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

"Futuro Cemitério" (2019) - Resenha Livro

Livro: Futuro Cemitério
Lançamento: 2019 Editora: Armazém de Quinquilharias e Utopias

"Futuro Cemitério" é a prova de que o escritor e poeta marginal Fábio da Silva Barbosa, não é apenas uma espécie de pessimista profissional, um teórico da conspiração ou um cara com um nível elevado de desesperança na humanidade. 
Seu livro de 89 páginas, com capa e sinopse que sugerem um futuro distópico, revela-se uma sucessão de textos visionários. 

Relendo a obra em 2024, a sensação é de que Fábio viajou no tempo, assistiu aos noticiários globais de janeiro de 2025 e voltou para escrever o livro. Sua capacidade de observação e análise desenha um futuro dominado pela indústria farmacêutica e tecnológica, em um planeta devastado.
Eu escrevi a resenha pensando exatamente nas similaridades com as referências no conteúdo do livro e as notícias que nos "agridem" diariamente.

Cura do câncer, vacinas para vírus mortais, ameaças de guerras biológicas, conflitos armados e instabilidades sociais, somados aos efeitos das mudanças climáticas... tudo se entrelaça em um esquema onde a única liberdade existente é para produzir e consumir. Um sistema perverso e controlador, onde a competitividade leva à escravidão, a miséria impulsiona a produtividade e os recursos naturais são exauridos sem freios.

Homens criando máquinas que controlam homens. Inteligência artificial avançando em horas que levaríam anos para nos, humanos. Robôs e androides, ja bem reais, atendendo demandas domésticas, comerciais e, certamente, bélicas. Chips cerebrais, hologramas orientando como sentir e pensar. Um Salvador do Bem que alimenta a síndrome do arrebanhamento, suprimindo o medo da morte e do inferno com a cobrança escancarada de dízimos.
Ruas que só existem para o trajeto casa-trabalho e uma rotina escravista, mas desejada. Pessoas trancadas em suas bolhas, cada vez mais online e menos presentes. Parece familiar? 

Mas a esperança, segundo Fábio, reside no submundo, nos subterrâneos, onde a resistência tenta sobreviver à opressão. Seria essa a única utópia do livro?
Futuro do presente? Pura viagem alarmista? 
Logo iremos descobrir.

Resenha por Alexandre Chakal em Janeiro de 2025

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

Fonte Metal Reunion Books & Zines

"A Vida Sexual de Catherine Millet" (2001) - Resenha Livro

Livro: A vida sexual de Catherine Millet
Lançamento: 2001
Páginas: 220
Editora: Ediouro.

"A vida sexual de Catherine Millet" é um daqueles livros que eu não compraria pela capa, pois a edição brasileira, apesar de passar a mensagem, deu um ar meio de "Emanuele", aquela série que passava no Cine Privé na TV aberta e não empolgava ninguém. Fui pego mesmo, por uma sinopse muito legal na revista Trip, que até o início dos anos 2000 eu assinava. Mas porque resenhar o livro 24 anos após o seu lançamento? Eu nem imaginava que estaria envolvido com literatura naquela época. Eu peguei ele para reler em 2024, quando estava escrevendo meu terceiro livro, que abordava a temática de submissão.

Catherine Millet, uma crítica de arte consagrada, quebra barreiras ao expor em detalhes sua vida sexual intensa e diversificada. De forma quase clínica, ela narra suas experiências com um tom frio e objetivo, descrevendo práticas que vão de orgias a relações homossexuais e outros tabus, sem rodeios ou floreios. Sexo, para Millet, é apenas sexo – puro, numérico e sem vínculo emocional. Essa abordagem distante pode incomodar fãs de literatura convencional ou surpreender bastante, mas certamente intriga.

A obra foge do erotismo poético de autores como Lawrence ou da provocação agressiva do Marquês de Sade, situando-se em um terreno diferente, quase psicanalítico. Embora o excesso de relatos repetitivos sobre orgias possa tornar alguns trechos cansativos, o livro compensa ao apresentar uma perspectiva crua e honesta sobre o que significa viver sem amarras emocionais ou sociais no âmbito sexual.

Mais do que um relato íntimo de Catherine, o livro é um manifesto silencioso sobre liberdade e autoconhecimento. Não há a intenção de chocar ou seduzir, mas de compartilhar uma vida vivida no limite, sem moralismos ou julgamentos, coisas em moda hoje em dia. 

É uma leitura provocadora e única, recomendada para quem busca algo fora do convencional, capaz de desafiar não só os tabus, mas também a forma como entendemos o erotismo e o termo liberdade.

Resenha por Alexandre Chakal em Dezembro de 2024.

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

Fonte
Metal Reunion Books & Zines 

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

"A HISTÓRIA DE O" - RESENHA LIVRO.

Livro: A História de O
Autor: Pauline Réage
Editora: Círculo do Livro

Outro clássico que, além de ter pelo menos umas oito reedições apenas no Brasil, é facilmente encontrado em e-book e PDF no Google. Mas decidi resenhar para incluí-lo na minha lista de lidos e relidos. Vai que você que tá lendo a resenha, nunca ouviu falar do livro?

Publicado originalmente em 1954, sob o pseudônimo de Pauline Réage, A História de O é uma obra que transcende seu caráter literário, desafiando normas culturais e sociais tanto de sua época quanto dos dias atuais. 
O livro explora o erotismo de forma intensa e, por vezes, perturbadora, oferecendo uma narrativa que se equilibra entre o elegante e o selvagem. Caracteristica que me fez torná-lo meu livro de cabeceira por anos.
A edição brasileira que li,  reli e inclusive usei como referência quando estava escrevendo "Os 10 mandamentos do submisso(2024), possui 189 páginas e foi publicada pela Editora Círculo do Livro. É simples, mas com capa dura e um acabamento que, embora não seja luxuoso, é satisfatório.
Encontrei-a em um sebo, como uma relíquia que ainda provoca reflexões profundas sobre submissão, poder e a liberdade sexual.

A trama acompanha "O", uma jovem fotógrafa que, por amor a seu amante René, aceita se submeter a práticas extremas de dominação em um mundo onde prazer, dor e entrega total se entrelaçam. À medida que avança em sua jornada, primeiro em Roissy e depois sob o comando de Sir Stephen, ela perde sua identidade, mas encontra prazer na submissão, questionando os limites da liberdade e do desejo. 

Com uma narrativa elegante e intensa, o livro incomoda os mais frágeis, mas provoca reflexões profundas, evidenciando como o que pode parecer humilhante e servil para uns é instigante e excitante para outros. 

A História de O não é uma leitura leve ou romantizada, mas uma experiência literária impactante, que força o leitor a confrontar seus próprios preconceitos.

Resenha por Alexandre Chakal em Janeiro de 2025.

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

"Maldito Seja - Henry Jaepelt" (2013) - Resenha HQ


HQ: Maldito Seja
Autor: Henry Jaepelt
Lançamento: 2013
Editora: Ugra Press

Henry Jaepelt é um nome que pulsa no coração do cenário independente brasileiro, um mestre dos traços, das narrativas intensas e uma figura muito conhecida no meio do fanzinato.

Sua arte, carregada de autenticidade e profundidade, transcende o papel, deixando uma marca no universo dos fanzines e das HQs autorais.

Maldito Seja, publicado pela Ugra Press, é uma celebração dessa trajetória singular. A obra, com 80 páginas, reúne 26 histórias curtas produzidas entre 1993 e 2005, além de uma entrevista reveladora com o autor e tem o prefácio assinado por Denilson dos Reis.

Trata-se de uma viagem no tempo, revisitando o efervescente universo dos quadrinhos independentes que marcou gerações inteiras por aqui.
Revelo que gostaria de ter mais materiais de Henry. Este exemplar consegui direto na Ugra Press, espaço localizado no coração de São Paulo, que se dedica a lançar e promover obras de autores independentes ligados à ilustração, fanzines e outras manifestações artísticas.

Henry, nascido em Timbó, Santa Catarina, foi um dos grandes expoentes do cenário fanzineiro nas décadas de 1980 e 1990, com trabalhos publicados dentro e fora do Brasil. Seu estilo é único, passeando entre gêneros sem nunca perder sua essência.
Essa obra, além de resgatar histórias visionárias, é um convite para antigos fãs reviverem memórias e novos leitores descobrirem o talento inesquecível de Jaepelt. Se você aprecia arte combativa e traços que deixam marcas, essa edição é obrigatória na sua estante!

E digo mais: a Ugra vende barato demais as HQs dessa série Maldito Seja.
Recomendo.

Resenha por Alexandre Chakal em janeiro de 2025.

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

Fonte Metal Reunion Books & Zines 

"Sepulchral Voice Zine #9" (2022) - Resenha Fanzine

Fanzine/Livro: Sepulchral Voice Zine #9
Editor: André Chaves
Lançamento: 2022
Editora: Sepulchral Voice Zine

Seguindo as releituras das edições do fanzine em formato livro, pulei a edição #8 e me aprofundei no conteúdo da #9.

O que percebi ao analisar essas edições é que, a cada nova publicação, o número de páginas aumenta significativamente, agregando ainda mais conteúdo. Nesta edição, temos 136 páginas no formato A5, com qualidade superior de edição e impressão em relação à edição anterior.
Definitivamente, o Sepulchral Voice Zine é uma publicação que leva seus leitores a terem acesso a praticamente tudo o que acontece nos abismos culturais musicais e para muitos, ainda desconhecidos.

A publicação  traz dezenas de resenhas de discos lançados no cenário underground, além de entrevistas extremamente relevantes com os maníacos da EMBALMED SOULS, os caxienses da poderosa CONVULSIVE, DEPRESSED, a lendária mineira THE MIST e PUTREFACTION SETS IN. Há também uma troca de ideias com o grande Eric Rossini, da EXCARNATION RECORDS, além de destaques como INHUMAN CONDITION, KROMORTH, NOCTURNUS AD, LEPROVOR CARNATION, CHEMICAL DISASTER e uma extensa entrevista com a expoente THE TROOPS OF DOOM, que conta com Jairo Guedez (ex-Sepultura) em sua formação.

Na minha opinião, esta edição possui a segunda capa mais bonita da série de fanzines em formato livro lançados pelo editor André Chaves. Trata-se de mais um artefato essencial para a divulgação da cultura subterrânea, com grande relevância para quem busca se atualizar sobre o metal extremo produzido no Brasil e em alguns cantos da América do Sul.

Informações e pedidos na página do Instagram do fanzine:
@sepulchralvoicefanzine

Resenha por Alexandre Chakal, janeiro de 2025.

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

Fonte
Metal Reunion Books & Zines

"Escrituras do Submundo #1" (2025) - Resenha Fanzine

Fanzine: Escrituras do Submundo #1
Editor: André Chaves
Lançamento: Janeiro / 2025
Editora: Independente

Nos primeiros dias de 2025, fui surpreendido ao receber esse fanzine junto com o exemplar da edição #11 do Sepulchral Voice Zine. André Chaves teve a brilhante ideia de criar um zine que entrevista outros zineiros que editam publicações independentes para divulgar bandas e iniciativas do underground. E, para deixar o material 100% alinhado com a proposta, o editor do Sepulchral Voice Zine voltou às suas origens no fanzinato, produzindo este nos moldes arcaicos: tesoura, cola e montagem totalmente artesanal e "xerocada". Inclusive, a capa, de autoria do próprio editor, é uma arte montada com colagens e adição digital.

Com 46 páginas, formato A5 e tiragem limitada a 180 cópias, o material foi feito por oito mãos e quatro mentes atuantes. Além de André Chaves, a equipe editorial contou com Mario Tenebrarum, Lúcio Medeiros e Valdecir Andrade. O fanzine remete de forma muito fiel ao tipo de publicações feitas nos anos 80, com fontes que seguem a tipografia das extintas máquinas de escrever. É, enfim, uma viagem no tempo para quem entende dessa cultura desde o seu início no Brasil, além de ser um exemplo relevante para os novos zineiros que estão surgindo com boas ideias, mas desejam referências mais old school para suas edições.

O fanzine traz entrevistas muito bem elaboradas com: Carlos Soares (Pecatório Zine); a dupla Mensageiro do Flagelo e Emissário da Peste (Umbra Sinistra Zine); Reinaldo, do site Metal Brasileiro Zines; e a chilena Huaire Herrera, que edita por lá a publicação Noise and Shit Magazine.

André já finalizou a edição #2, e em breve teremos notícias sobre a continuidade dessa iniciativa ímpar, que fortalece outras publicações independentes em um dos países da América do Sul com uma expressiva cultura do fanzinato. Essa cultura não se limita ao rock, metal e punk, mas também abrange poesia, educação, literatura e outras áreas que contam com fãs apaixonados que se tornam a mídia daquilo que cultuam e amam.
Contatos e informações na página @sepulchralvoicefanzine.
Resenha por Alexandre Chakal, Janeiro de 2025.

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

Fonte Metal Reunion Books & Zines 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

"Uivos Do Lobo Selvagem" (2024) - Edgar Franco "Ciberpajé" - Resenha HQ

HQ: Uivos do Lobo Selvagem
Autor: Edgar Franco (Ciberpajé)
Lançamento: 2024
Editora: independente 

Recebi meu exemplar desta HQ autografada pelo mestre Ciberpajé no dia em que tivemos a oportunidade de nos conhecer pessoalmente em São Paulo, durante o lançamento de seu livro "Os Aforismos do Ciberpajé". 
A foto postada, registra a ocasião e guarda a memória desse encontro muito especial.
A HQ "Uivos do Lobo Selvagem", é uma obra curta, mas poderosa, que explora a figura do Lobo, totem mágico do Ciberpajé. Trata-se de uma história objetiva, mas que aborda valores profundos como resiliência, união e lealdade, tanto no âmbito da vida e do amor quanto na relação com a matilha. Edgar Franco, com seu traço único e já característico, privilegia as ilustrações, que ocupam as páginas de forma expressiva. Essas imagens são acompanhadas por aforismos poéticos que enriquecem a experiência do leitor, conectando-o ao significado das cenas e promovendo reflexões sobre as mensagens transmitidas.

Posteriormente, em uma conversa com o autor, descobri que essa HQ foi concebida como um material promocional, oferecido como brinde aos colaboradores da campanha de financiamento coletivo do álbum Licanarquia, criado em parceria com Toninho Lima. Com o sucesso da campanha, que quase dobrou a meta, foi possível editar Uivos do Lobo Selvagem com a qualidade desejada. A tiragem, no entanto, foi pequena, e os exemplares, enviados majoritariamente aos 265 apoiadores da campanha, tornaram-se itens raros e de colecionador. Assim, ter recebido um desses poucos exemplares não distribuídos ao público geral é um privilégio único.

Essa obra, descrita pelo autor como um "grimoire mágicko", é repleta de HQforismos que celebram a essência do totem Lobo. Apesar de não ter sido lançada oficialmente nem amplamente divulgada, carrega um significado especial para os que tiveram acesso a ela.

Oitro ponto, o miolo da obra foi publicado em P&B, mas originalmente ele foi concebido colorido, então o autor me enviou um dos HQforismos na versão original em cores! Confira.
Essa é a unica resenha que a obra recebeu até aqui.

Resenha por Alexandre Chakal em Janeiro de 2025.

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

Fonte
Metal Reunion Books & Zines 

"Sepulchral Voice Zine #7" (2019) - Resenha Fanzine

Livro/Zine: Sepulchral Voice Zine #7
Editor: André Chaves
Editora: Sepulchral Voice Zine
Lançamento: Fevereiro/2019

Seguindo a sequência de releituras, conferi de forma mais detalhada a sétima edição do Sepulchral Voice Zine. Lembro que, na ocasião em que peguei o material, considerei um marco para os fanzines dedicados ao metal underground, devido à qualidade do material.
Em formato A5, com 80 páginas e impressão digital, esta edição impressiona não apenas pelo cuidado com a produção, mas pela profundidade e relevância das matérias presentes.
O editor André Chaves entrega uma obra com entrevistas, resenhas e um olhar nitidamente apaixonado para o cenário da música extrema feita no Brasil.

Destaco a entrevista com os mineiros do Corpse Grinder, que, na minha opinião, personificam a autenticidade do Death Metal. Uma banda veterana que, até a presente data, mantém suas raízes firmemente plantadas nos subterrâneos, entregando uma obra visceral e sem concessões. Outro ponto alto do zine é a conversa com os caras da Spiritual Hate, que, anos após esta edição, conquistaram seu espaço no cenário com trabalhos poderosos que surpreenderam muitos como eu, que os acompanhava desde o início da sua correria.

O zine também traz entrevistas instigantes com nomes de peso, como os guerreiros do Rebaelliun, os furiosos do Gorempire e os grinders do Facada, uma das bandas com inegável relevância na cena brasileira. Além disso, encontrei dezenas de resenhas que exploram CDs, demos, livros e clássicos do metal, entregando um panorama amplo e apaixonante do gênero para quem deseja conhecer bandas e manifestações sem fama midiática e, muitas vezes, ocultas, mesmo estando acessíveis para todos nós.
A qualidade editorial do Sepulchral Voice Zine #7 faz dele uma peça indispensável para os fãs do metal produzido no underground.
Uma verdadeira relíquia para colecionadores e entusiastas.

Não faço ideia se essa edição ainda está disponível com o editor, mas vale perguntar ao 

Resenha por Alexandre Chakal em janeiro de 2025.

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

Fonte Metal Reunion Books & Zines 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

"Renovaceno" (2021) - Edgar Franco "Ciberpajé" - Resenha HQ


HQ: Renovaceno
Autor: Edgar Franco (Ciberpaje)
Lançamento: Maio/2021
Editora: Merda na Mão

O pós-doutor e professor de artes visuais transmídia Edgar Franco, conhecido como Ciberpajé, é também um mago psiconauta que, em suas obras, propaga o pós-humanismo. Essa temática está presente na descrição de seus trabalhos, sejam livros com aforismos poéticos ou HQs que trazem personagens mesclando características celestiais com seu traço inconfundível, já uma marca registrada do autor. Suas figuras se entrelaçam com elementos humanos e as forças da natureza, criando uma estética única e impactante.
Além disso, Edgar é poeta e musicista, unindo performances e musicalidade em seu projeto musical Posthuman Tantra. Apesar de seu talento multifacetado, é uma pessoa simples e acessível, que tive a honra de conhecer pessoalmente em 2024. No entanto, nossas trocas de ideias, contatos e parcerias virtuais já acontecem desde 2008. Inclusive, a capa da versão em cassete de um álbum, assim como de um single digital da minha antiga banda, foi "riscada" pelo Ciberpajé.

Possuo alguns livros e HQs do autor, bem como discos de seu projeto musical. Mas hoje a bola da vez para a resenha é a HQ Renovaceno, lançada pela Editora Merda na Mão.

Nesta obra, o artista transdisciplinar, une técnicas tradicionais e inteligência artificial para explorar questões filosóficas e éticas da era pós-humanista. A narrativa provoca reflexões sobre a interação entre humanos, tecnologia e o planeta, abordando temas como amor, reprodução, redes sociais e sustentabilidade. Com um estilo que convida à introspecção e à crítica, Renovaceno incentiva o leitor a pensar sobre o impacto de suas ações no mundo e a possibilidade de transcendência em meio às complexidades contemporâneas.

A HQ traz um prefácio do Dr. Octavio Aragão (UFRJ) e posfácios da Dra. Danielle Barros (UFSB) e do Dr. Gazy Andraus (UFG). 

Confira abaixo dois recortes de páginas da HQ Renovaceno



Para adquiri-la, basta entrar em contato pelo e-mail da editora: editoramerdanamao@gmail.com.

Resenha por Alexandre Chakal em Janeiro de 2025.

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

Fonte
Metal Reunion Books & Zines 

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

"Como Não Ser um Babaca - Guia de etiqueta para o cotidiano " - Resenha Livro

Livro: Como Não Ser um Babaca – Guia de Etiqueta para o Cotidiano
Autora: Meghan Doherty
Lançamento: Junho/ 2015
Editora: Intrínseca

Tá aí um livro que comprei pelo título e achei bem interessante ser capa dura. Na ocasião que adquiri, minha filha era pré-adolescente, e eu, mesmo vivendo em meio a culturas que os mais jovens curtem, estava tendo certa dificuldade em entender alguns valores atualizados e presentes nos diálogos com ela.

Como Não Ser um Babaca – Guia de Etiqueta para o Cotidiano é uma leitura que diverte e educa na mesma medida. O livro com 192 páginas repletas de exemplos do dia a dia, aborda com leveza e muito humor as pequenas (e grandes) mancadas que cometemos, muitas vezes sem perceber, e que podem nos fazer cair na categoria de "babaca".
A obra é um verdadeiro guia de convivência em sociedade.

Com uma linguagem descontraída, Meghan explora situações que todos já enfrentaram ou presenciaram. Eu incluiria coisas como: o sujeito que desrespeita a religião alheia tentando impor a sua com argumentos válidos apenas para ele mesmo, a pessoa que ignora a fila do banco, o estudante que entra com a mochila nas costas em um transporte coletivo lotado..A autora disseca várias coisas e  até mesmo gafes aparentemente inofensivas, como criticar a música preferida de alguém sem saber. O mais interessante é que, ao longo do livro, o leitor é convidado a refletir não apenas sobre o comportamento dos outros, mas também sobre o dele próprio. Afinal, quem nunca teve um momento de desatenção, deslize ou agiu como um grande babaca mesmo?
Meghan utiliza ilustrações engraçadas e um tom leve para abordar questões cotidianas, tornando a leitura divertida e educativa. Os cenários apresentados – trânsito, relacionamentos e interações online – fazem com que o conteúdo seja atual e relevante.

No fim, o livro é uma conversa despretensiosa sobre como podemos melhorar o convívio diário em qualquer ambiente, levando-nos a refletir sobre nossos próprios hábitos e atitudes. Afinal, quem não gostaria de viver em um mundo com menos "babacas"?

Resenha por Alexandre Chakal, janeiro de 2025

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

Fonte Metal Reunion Books &Zines 

"A oficina do Diabo - Crise e Conflitos no Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro" (1987) - Edmundo Campos Coelho - Resenha Livro

 "A Oficina do Diabo - Crise e Conflitos no Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro"
Autor: Edmundo Campos Coelho
Lançamento: 1987 | Editora: UFRJ

Li este livro pela primeira vez no final dos anos 90 e, recentemente, resolvi relê-lo. Descobri, inclusive, que ele ganhou uma nova edição em 2005, com o mesmo título, mas um subtítulo diferente. Foi como redescobrir uma obra que continua surpreendente mesmo décadas após seu lançamento.
Pode parecer estranho revisitar um livro que remonta a uma época pré-internet, mas "A Oficina do Diabo" é atemporal. Desde a minha primeira leitura, percebi que sua análise permanece relevante, e, agora, na releitura, ficou ainda mais claro o quanto a obra é essencial para compreender o surgimento das facções criminosas no Rio de Janeiro.
Edmundo Campos Coelho nos conduz com maestria pela história do nascimento do crime organizado na cidade, traçando paralelos com o contexto histórico do final dos anos 70 e início dos anos 80. Uma das descobertas mais chocantes é que a fundação da Falange Vermelha – mais tarde rebatizada como Comando Vermelho – ocorreu no extinto presídio da Ilha Grande, um reflexo da combinação explosiva entre a repressão da ditadura militar e a ineficiência na gestão penitenciária.

Os presos políticos da época, enquadrados na Lei de Segurança Nacional, foram misturados a presos comuns na Ilha Grande. Isso criou um ambiente onde intelectuais, com conhecimento em táticas de guerrilha e sequestros, interagiam com criminosos comuns, incluindo assassinos e estupradores. A fusão entre cérebro e força, somada ao ócio, resultou em um caldo perigoso que deu origem a algo muito maior. O crescimento do Comando Vermelho e seu impacto estão bem documentados ao longo dos últimos 30 anos, mas o livro de Edmundo nos permite entender as origens com detalhes raros.

Além disso, o autor aborda o surgimento do Terceiro Comando no presídio Frei Caneca, na Zona Norte do Rio, pouco tempo depois da formação da Falange Vermelha. O texto não só contextualiza os fatos, mas também nos transporta para a atmosfera dos subúrbios cariocas daquela época, com reflexões que se conectam a expressões populares como "Mente vazia é a oficina do Diabo" – frase que dá nome ao livro. Embora essa ideia tenha suas controvérsias, ela sintetiza bem a essência da obra.

Com uma pesquisa sólida e uma narrativa envolvente, Edmundo Campos Coelho entrega uma leitura instigante e cheia de insights sobre o sistema penitenciário e suas consequências na sociedade. Recomendo sem hesitar.


Resenha por Alexandre Chakal, janeiro de 2025.

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

Fonte Metal Reunion Books & Zines 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

"Sepulchral Voice Zine #10" (2023) - Resenha Fanzine

Livro Zine: Sepulchral Voice Zine #10
Lançamento: 2023
Editora: Sepulchral Voice Zine

Escolhi começar pela edição 10 porque, além de achar que a capa dessa edição é a mais bonita da série, fui entrevistado junto com o companheiro Renato Rosatti, falando sobre o projeto Memória dos Fanzines (2019), que editamos juntos. Também respondi algumas perguntas sobre a Thrashera, banda da qual eu fazia parte na época.
Essa 10ª edição do Sepulchral Voice Zine, comandada pelo incansável guerreiro André Chaves, celebra 16 anos de dedicação à divulgação do Metal que habita o underground.

Para quem não conhece, o fanzine, além de ter edições impressas muito bem produzidas, é um dos poucos blogs em atividade no Brasil, totalmente dedicado a divulgar bandas, selos e produções dos subterrâneos culturais.

Com um material renovado, impressão de alta qualidade e entrevistas impactantes, esta edição explora o submundo do metal com profundidade.
Os destaques incluem entrevistas com bandas brasileiras como Dreadful Deathreign e Mordeth, além de nomes internacionais, como as americanas da Derkéta e os chilenos do Sadism. A seção “Buried, But Not Forgotten” revisita álbuns clássicos, como Immortal Force, dos mineiros da Mutilator. Para completar, esta edição ainda traz um pôster nostálgico no estilo dos filmes slasher dos anos 80.

Mais do que um registro musical, o S.V.Z. é um manifesto de resistência do metal, produzido por protagonistas quase desconhecidos, sem fama ou status, muitas vezes considerados inexpressivos por pessoas que vivem em uma bolha onde o jabá e o engajamento em redes sociais são tratados como talentos.

Um fanzine que transpira e respira underground. Vida longa ao Sepulchral Voice Zine!

Breve estarei resenhado as outras edições em formato livro que possuo
Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

domingo, 19 de janeiro de 2025

"Fogo nas Entranhas" (2000) - Pedro Almodóvar - Resenha Livro

Livro: Fogo nas Entranhas – Pedro Almodóvar
Lançamento: Janeiro/2000
Editora: Dantes
Páginas: 132

Escrever sobre "Fogo nas Entranhas", do mestre Pedro Almodóvar, em pleno 2025, parece piada e chover no molhado. Mas essa obra atemporal, que adquiri no início dos anos 2000, é para mim como os filmes de Quentin Tarantino: algo que preciso revisitar ao menos uma vez por ano. E, sei lá, com tanta modernidade, smartphones sendo livros, orientadores, cônjuges e até nosso entretenimento, vai que alguém, no vigésimo quinto ano pós-bug do milênio, nunca ouviu falar desse livro? Além disso, sempre faço comparações literárias com amigos e costumo mencionar que essa obra é citada como referência no meu livro Os 10 Mandamentos do Submisso, lançado em 2024.
Então, vamos lá.

Com um prefácio hilário assinado pela atriz Regina Casé, intitulado "Calor na Bacurinha", Fogo nas Entranhas é a estreia literária de Pedro Almodóvar, que não decepciona em transportar sua irreverência cinematográfica para o papel. A narrativa tragicômica mistura sexo, feminismo, espionagem e assassinatos em um enredo que beira o surreal, mas que reflete profundamente sobre as relações humanas.
O protagonista, Chu Ming Ho, um milionário chinês da indústria de absorventes, é rejeitado por suas cinco amantes e decide se vingar de todas as mulheres de Madri. Sua arma? Um absorvente revolucionário, recheado com uma espécie de pimenta, que causa um caos sexual coletivo, deixando a cidade literalmente "em chamas". Almodóvar conduz a história com diálogos afiados, personagens excêntricos e um humor ácido que faz rir e refletir ao mesmo tempo.
Dividido em capítulos curtos e visualmente impactantes, a trama surpreende ao transformar personagens inesperados em peças-chave de desfechos absurdos.quanto surpreendentes. Isidra, a anciã virgem, é um exemplo perfeito disso. Com humor ácido e uma narrativa que desafia tabus, o livro expõe questões de poder, ego e desejo, sempre colocando mulheres fortes no centro da história. Uma leitura ousada e deliciosamente provocativa, perfeita para quem busca arte com personalidade e paixão.

Resenha por Alexandre Chakal em Janeiro de 2025.

Originalmente publicada na página EM CARNE VIVA E CRUA.

Fonte
Metal Reunion Books & Zines