Metal Reunion Zine
sábado, 28 de dezembro de 2024
Arquivos Explícitos- Notas Subterrâneas #15-.
terça-feira, 15 de março de 2022
ARQUIVOS EXPLÍCITOS #3 - Contos e crônicas da opera Rock do terror cotidiano.
Seguindo
nossa saga quinzenal, aqui está o
texto #3 da coluna ARQUIVOS EXPLÍCITOS
No banco da praça
Por Fabio da Silva
Barbosa
19/02/2022
08h:56min
Só depois de muito
tempo entendi pra que servem os bancos de praça (ou, ao menos, pra quem
servem). Na verdade, existem figuras variadas que por motivos diversos sentam
nestes bancos. Ele, por exemplo, é uma figura constante por ali. Algumas vezes
acomodava-se em um lado diferente da praça, mas eram sempre os mesmos bancos.
Chegou, como
sempre, puxou um cigarro, colocou na boca e acendeu. Tragou fundo enquanto
ouvia o canto dos pássaros. Depois de algum tempo, percebeu que entre um
determinado número de cantos, podia ser ouvido um grito. Não era grito de dor
ou prazer. Parecia um tipo incompreensível de comunicação. Vinham de trás do
bambuzal.
Ficou atento.
De repente um cara
saiu correndo de trás do bambuzal com uma garrafa na mão. Corria e discutia,
olhando pra onde não havia nem alma penada. A distância não permitia distinguir
o que preenchia a garrafa ou o quanto estava cheia.
Será que era de
beber ou de cheirar? Devia ser de cheirar. Não era possível que fosse bebida.
Ou então era coisa forte. Bateu até uma curiosidadezinha. Daquelas... Tipo
coceira no furico. Coisa boba que dá e passa. Às vezes sim e as vezes não.
Atravessou a
avenida entre os carros e sumiu do campo de visão. Ouvia apenas aquela voz
berrando com o nada. Frases incompreensíveis, enigmáticas. A travessia na
avenida parece ter durado um ano. Ele parava e pulava na frente dos carros que
vinham em alta velocidade. A sinfonia dos pássaros agora dividia o espaço com
outra sinfonia. Buzinas e gritos, vozes exaltadas... Alterações preenchendo o
ar. Um problema saltitante criando distúrbios àquela hora da manhã.
De repente ele
volta a toda. Traçou uma linha reta e atravessou com velocidade total. Parou um
pedestre e começou a discutir. Dava para ver que o pedestre não entendia uma
palavra do que ele dizia e tentava compreender a situação. Por fim ele forçou
um aperto de mão, que foi retribuído com um não saber o que fazer.
Voltou correndo e
mergulhou atrás do bambuzal.
Não sei como aquela
aventura acabou. Pra mim terminou ali. Levantei resolvido e fui embora dali
antes que algum daqueles pássaros cagasse em cima de mim. O corretor
ortográfico sugere que troque “cagasse em cima de mim” por “defecasse em cima
de mim”. Sugestão sem fundamento. Não ficaria tão bom. Não causaria o mesmo
efeito.
Quanto ao cara do
banco? Continuou lá sentado, tranquilo, fumando o cigarro e esperando alguma
coisa acontecer.
Se ele apareceu de
novo pela praça? Não sei. Nunca mais passei por ali.
Se costumo reler
as merdas que escrevo para esta coluna? Não. Nem pra revisar. Mando como sai.
Se limpo a bunda
depois de soltar um barro? Sim, sempre que possível.
Qual o número do
meu sapato? Não uso sapatos.
Em 30 de março de 2022, confira aqui ARQUIVOS EXPLÍCITOS #4.
Até lá!
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
ARQUIVOS EXPLÍCITOS #2 - Contos e crônicas da opera Rock do terror cotidiano.
Bem vindo ao segundo
Relaxe, meu amigo.
Por Fabio da Silva Barbosa
01/02/2022
08h:30min
Sentou na frente da tela e posicionou os dedos sobre o teclado.
Não veio nada.
Resolveu esticar um pouco as pernas e recostou-se, meio
que se jogando, nas costas da cadeira. Jogou os pés sobre a mesa e cruzou os
membros.
Abriu o fecho e puxou o membro.
Segurou firme.
Tudo certo e em posição de sentido.
Começou o trabalho.
Desequilibrou.
Bateu de cabeça no chão.
Atingiu um lugar inadequado.
O sangue vazou,
escorreu...
Leves tremores.
A boca ficando branca.
Tudo apagando.
Uma leveza calmante tranqüilizava a dor aguda.
A hora finalmente chegou.
Mais um escritor morre cumprindo seu importante dever.
Em 15 de março de 2022, confira aqui ARQUIVOS EXPLÍCITOS #3.
Até lá!
domingo, 26 de maio de 2024
Arquivos Explícitos- Notas Subterrâneas #1
domingo, 29 de dezembro de 2024
Arquivos Explícitos: Nova Temporada "Contos do Precipício" disponível em 05/01/2025
segunda-feira, 22 de abril de 2024
ARQUIVOS EXPLÍCITOS - Contos e crônicas da ópera rock do terror cotidiano - Segunda Temporada 2023/2024 - #27 - Fim da Segunda Temporada
Por Fabio da Silva Barbosa
A mente andava falhando. Os acontecimentos eram lapsos temporais. Nada mais fazia sentido. Caminhava a esmo sem saber o que fazer. Tudo parecia não valer o sacrifício. Qualquer tentativa vinha com sabor de angústia, temperada a amargura. Esquecia o que acabava de dizer e não sabia o que acabava de ter feito. Se começava a ler um livro, passadas algumas páginas, já esquecia o início. O filme do dia anterior lhe parecia inédito. Logo a falta de memória veio para ficar. Aquela sensação lhe dominou de vez. A vida era sempre um espanto, rodeado de pessoas que nunca viu e sem conseguir construir um mínimo vínculo com nada ou com ninguém. Viveu um longo tempo nessa situação, até que esqueceram o portão aberto. Ele saiu correndo e foi em direção a rua. O caminhão que estava vindo, não conseguiu parar.
*Eis que acabamos mais uma temporada de ARQUIVOS EXPLÍCITOS - Contos e crônicas da ópera rock do terror cotidiano. Nesta temporada, como já previa, a coisa foi tomando outras formas e testando outros formatos, como qualquer obra experimental em construção. Com certeza, a experiência atual irá contribuir para a próxima. E falando em próxima, aproveitem o espaço até lá para relerem os episódios da primeira e segunda temporadas que estão nos arquivos do Metal Reunion Zine. Forte abraço ao mano Alexandre Chakal que sempre está abrindo espaço neste veículo de comunicação. Fica aqui minha dica também para quem ainda não conhece a editora que fundei com Diego El Khouri, a Editora Merda na Mão. Confira nas redes antissociais ou no blog https://editoramerdanamao.blogspot.com/ .
E quem quiser obter o meu zine, o
Reboco Caído, é só entrar em contato através do meu e-mail fsb1975@yahoo.com.br. E é isso aí, pessoal.
Até a próxima. E ficam aí estas dicas para irem curtindo até nosso retorno.
segunda-feira, 1 de setembro de 2025
Arquivos Explícitos - Contos do Precipício #20 - FIM
domingo, 13 de fevereiro de 2022
ARQUIVOS EXPLICITOS #1 - Contos e crônicas da opera Rock do terror cotidiano.
Há tempos atrás, tínhamos aqui uma
coluna chamada “Navalha na Carne”, publicamos alguns textos de autores
diversos, mas devido a correria do dia- a- dia, não conseguimos colocar mais
conteúdos e ficou para trás nas postagens do Metal Reunion Zine.
Em 2022, temos a honra de iniciar a coluna
“ARQUIVOS EXPLÍCITOS - Contos e crônicas da opera Rock
do terror cotidiano.”
Coluna que trará textos do poeta, escritor
e locutor, Fabio da Silva Barbosa.
Entao vamos ao nosso texto inaugural. Boa leitura.
Fico imaginando alguma forma de me
infiltrar e colaborar para o desconforto, para desacomodar e incomodar quem
quer ficar fingindo que está tudo bem. Tanta gente mais sensível se matando por simplesmente não suportar o
que nos oferecem como as melhores opções... Um desejo de não se enquadrar nessa
insanidade normalóide.... A sede pelo autoconhecimento... Então foi se
formando, se construindo, a coluna ARQUIVOS EXPLÍCITOS - Contos e crônicas da
opera rock do terror cotidiano. A ideia
é estar aqui, de quinze em quinze dias, descascando a banana atômica na frente
de quem quiser ver. Um trabalho voltado a raiva, aos vícios, a pornografia e a
tudo o mais que você finge que nem existe... Coisa de gente doente que fica
imaginando perversões alienígenas. Um convite para você entrar no subterrâneo
pútrido do horror ordinário, comum, corriqueiro... A cada coluna, aquela
sensação de ter sido atingido na boca do estômago.... e o vômito quente sendo
expelido entre os dentes.... Somente contos, crônicas e merdas em geral
imaginadas para estragar sua quinzena. Abriremos
o trabalho com AZEDUME, essa terrível história de dor.
Por
Fabio da Silva Barbosa
Gastou novamente o pouco dinheiro que tinha com drogas de qualidade duvidosa. Deixou para abrir a bucha quando a ponta já tivesse queimado os dedos e a própria boca. Esticou três linhas grandes – Lacraias bailarinas e sedutoras. A trilha sonora já estava organizada. A banda portuguesa “Vômito” jorrando “Eu não quero” por toda a eternidade. Terminava e começava sempre de novo e de novo.
Mandou a primeira enquanto ouvia a
mensagem.
“Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado”
Não sabia como iria sobreviver sem
álcool e cigarros nos próximos dias. Não tinha uma moeda se quer... e mesmo se
tivesse... Impossível aquentar as coisas como estão.
Pensou em um milhão de coisas ao mesmo tempo. Resolveu partir pra segunda. O
prazer e o desconforto copulavam freneticamente no galope do sexo selvagem.
Lembrou da garrafa de cachaça que
estava pelo final. Ainda restava quase uma dose.
Virou a garrafa de cabeça para baixo
e sacudiu para ver se saía mais alguma coisa. Só faltou torcer.
Revirou as gavetas para ver se
encontrava alguma boleta perdida.
Pensou no momento em que vivia.
Governo assumidamente autoritário (A diferença histórica consistia nesta
palavra: assumidamente), crise, repressão, pandemia... Só amargor.
E nas caixas de som continuava martelando
a mensagem punk libertária:
“Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado”
Olhou para a terceira linha. Era a
vez. Fuuuunnnnngggggaaaaaa....
Fim do primeiro ato.
Fim de mais uma noite.
Desce a cortina sobre o corpo
convulsivo e a mente agoniada.
Fica o desejo de quero mais.
Mas nas caixas continua sendo
gritado aquele desejo mais puro... Sendo berrada aquela afirmação que seria a
única certeza.
“Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado”
---------------------------------------------------------
*Fabio
da Silva Barbosa atua em diversas frentes. Lançou e-books, livros, zines,
jornais, PDFs... veículos de comunicação em vários formatos. Organizou eventos,
faz programas de rádio, produziu vídeos... Entre suas realizações está o zine
Reboco Caído. Este zine ganhou o prêmio Fanzine 2016, no segundo Gibifest de
Alvorada, em 2017. O Reboco Caído circula em versão impressa e digital, já
conta com mais de dez anos de existência e passou do número 60. Além do
trabalho solo, Fabio atua em coletivos e fundou com Diego El Khouri a Editora
Merda na Mão.
Fonte
Metal Reunion Zine
quinta-feira, 14 de abril de 2022
ARQUIVOS EXPLÍCITOS #5 - Contos e crônicas da opera Rock do terror cotidiano.
Bem vindo a quinta
edição da coluna ARQUIVOS EXPLÍCITOS - Contos e crônicas da opera Rock do
terror cotidiano de Fabio da Silva Barbosa.
Por Fabio da Silva Barbosa
Já sem unhas e
dentes, com alguns tufos de cabelos arrancados. Tremia com a corrente elétrica
passando por seu corpo pendurado no pau. Parecia um animal pronto para ser
assado inteiro. Um animal grotesco, completamente deformado. Deformado à
porrada. O sangue pingava, tingindo a chão encardido. Os olhos furados não
enxergavam mais o ambiente escuro e macabro que o rodeava. As orelhas já haviam
sido arrancadas. Os homens em volta perguntavam algo que ele não ouvia mais. Pareciam
gozar com a sua agonia. Mas garantiam que era tudo pela ordem e progresso. Que
ordem era essa? Progresso de quem? Seu, com certeza, não era. Mais um pouco de
eletricidade, mais tremedeira, mais agonia... Tudo pela ordem e progresso... e pelos
homens de bem... amém...
quarta-feira, 23 de julho de 2025
ARQUIVOS EXPLÍCITOS SERÁ LANÇADO EM LIVRO. CONFIRA A CAPA.
Buscando resguardar essa saga de escritos do poeta e escritor marginal Fábio da Silva Barbosa, e seguindo o mesmo conceito utilizado na coluna Navalha na Carne, a Metal Reunion Books e Zines irá compilar todas as temporadas em um livro físico.
Apresentamos aqui a capa do livro, riscada à mão livre e editada digitalmente por Alexandre Chakal.
Em breve, estaremos informando as próximas etapas para o lançamento desse escrito indigesto, porém necessário — em tempos em que o descaso e a apatia substituem facilmente a humanidade e a empatia.Até lá.
Metal Reunion Books e Zines
domingo, 5 de janeiro de 2025
Arquivos Explícitos - Contos do Precipício #1
sexta-feira, 13 de junho de 2025
Arquivos Explícitos - Contos do Precipício #13
sexta-feira, 23 de dezembro de 2022
ARQUIVOS EXPLÍCITOS #22 - Contos e crônicas da opera Rock do terror cotidiano.

Todos os caminhos
levam a lugar nenhum
Mais um dia deitado na cama sem
conseguir levantar. Por quarenta minutos olhando o teto enquanto mentaliza a
palavra levanta. Mas o corpo não responde. Consegue virar para o lado Agora é a
parede no campo de visão. Já conhece cada teia de aranha, cada imperfeição na
pintura, cada mancha de mofo... cada detalhe praticamente invisível. Mais
quarenta minutos se passaram. Finalmente conseguiu “levantar”. Estava sentado.
Não seria mais um dia afundado no nada absoluto. Conseguiria reagir. Tinha de
sair do fundo do poço que fica no fundo da caverna mais profunda. Primeiro
tinha de escapar daquele casulo obscuro que o prendia e sufocava. Não seria
fácil. E sair dali para que? Não adiantava mais. Já era. Não tinha mais idade
para acreditar em Papai Noel ou Coelhinho da Páscoa. Gastar energia tentando
escapar daquelas correntes seria inútil. Estava perdido em um labirinto de
paredes altas e becos sem saída. Muros impossíveis de pular. Todas as portas
trancadas. Criaturas carniceiras já sentiam o aroma do seu cadáver. Sentiu o
corpo tombar. De novo em decúbito lateral. O gosto azedo na boca, o cheiro de
podre no ar. Tanto esforço para nada. Não tinha mais de tentar. Precisava
entender isso. Não havendo mais motivos, percebe-se que a motivação é a mentira
usada para prolongar esta existência sem sentido. É muito melhor não se
debater. Apenas afundar no torpor melancólico que acaba sempre por vencer. Envolvendo-nos
na penumbra, que cada vez mais vira escuridão, viramos mortos vivos. Cada vez
mais mortos, cada vez menos vivos. Parece até estar bom assim. Desânimo total,
fadiga, desesperança, nenhuma perspectiva lhe agrada, nada lhe preenche, nada
lhe apetece. Só resta um cansaço de tudo. Só um cansaço que parece nunca ter
fim.
Fechamos o ano de 2022 com este chá
de fel e aproveitamos para avisar que ficaremos algumas quinzenas sem aparecer
por aqui, nesta coluna. Depois de 22 colunas destilando escritos feitos
exclusivamente para o espaço e sendo enviados do jeito que saíam, sem nenhum
tipo de revisão ou ajuste (Com exceção de Conversa Séria com Deus – Feito em
parceria com Alexandre Chakal para seu novo livro, SEUS DEUSES NÃO ME EXCITAM),
eis que uma pausa se faz necessária para que consiga me reorganizar. Assim como
o cão que precisa lamber suas feridas, ou o movimento de guerrilha que precisa
se refugiar para treinar até estar forte o suficiente e promover novo ataque,
ou o iogue que precisa meditar nos altos do Himalaia, tenho de resolver algumas
questões e contra tempos antes de continuar. Mas aguardem, pois logo em breve
teremos novos e tétricos Arquivos Explícitos para feder neste espaço.
Fabio da Silva Barbosa
quinta-feira, 28 de julho de 2022
ARQUIVOS EXPLÍCITOS #12 - Contos e crônicas da opera Rock do terror cotidiano.
Por Fabio da Silva Barbosa
Pensou
em revisitar velhos escritos... Não era essa a proposta. A proposta era uma
coisa inédita por quinzena - algo criado especialmente para os Arquivos Explícitos.
A única exceção até o momento foi com o texto escrito em parceria com o mano
Alexandre. O resto foi tudo cagado, vomitado, expelido e exorcizado
especialmente para esta coluna, pensando nela e sem releitura, acertos ou
segundas versões. A ideia é deixar fluir da maneira mais insana possível.
Pensou
em escrever um conto de terror sobre Konga, a mulher gorila. Essa já é uma idéia antiga e muito bem vinda. Tem uma ligação
forte com a infância do Velho. Mas ainda não seria dessa vez. Ficaria mais
pradiante. Espero que a máquina biológica espere.
Pensou
em dar continuidade no seu projeto de livro infantil para adultos lerem.
Deixaria a coisa coluna para outra ocasião. Mas não podia fazer isso. Estava
com essa ideia há muito tempo assombrando seu crânio já extremamente
atormentado. Só precisava dar forma, elaborar.
Acende
um cigarro e mendiga um pouco de carinho a brasa mórbida que segue a lhe matar.
Não tem mais condições. Nada tem. O que nunca teve sentido, virou a própria
falta de sentido. Não é mais como antes. Não existe mais o surf de carro e a
guerra de saco de lixo. Tudo isso é coisa do passado. Nada mais existe. O vazio
atinge o patamar do belo, de tão fúnebre.
Resolve
a questão. Fará um retrato de si mesmo. Mesclará retrato e pintura em uma
composição sórdida. A poesia não pode faltar. Ela nunca falta. Seria como
acreditar que a vida pode deixar de ser amarga. Novamente irá se expor. Exibirá
sua nudez como quem ilustra todo o flagelo humano.
Uma
corrente elétrica impulsiona seu desgastado corpo senil e as palavras começam a
surgir na tela fria do computador. Cores da desgraça, do sangue, dor e
angústias preenchem o espaço vazio, sideral.
Nasce
mais um conteúdo para esta coluna blasfema.
ATÉ A PRÓXIMA!
sábado, 15 de março de 2025
Arquivos Explícitos - Contos do Precipício #8
Passo as páginas e os olhos deslizam pelas linhas juntando as ideias. Viajo pelas letras e formo as palavras decifrando os códigos. Cada página deixa escorrer estes contos aterradores. A tinta se transforma em lama podre e inunda a mente de quem lê, entrando pelos olhos e demais orifícios que encontra pela frente. São ecos vindos do fundo do precipício. Registros destes arquivos explícitos que já contam com algumas temporadas. Cada uma trazendo infortúnios e pragas mil, suplícios e torturas infinitas.
Passei por um destes registros, dos que nem lembrava mais, e logo uma centelha diabólica se acendeu em meu coração, enquanto rememorava cada detalhe. Era um conto poético que narrava os suplícios de um homem que não queria fazer parte do sistema e era duramente penalizado por suas atitudes e convicções. Foi torturado e metodicamente ofendido. Seu corpo depositado na parede, onde se encontra dando de comer aos vermes.
Fui até o porão e, completamente ungido pela passagem que acabara de ler, voltei a trabalhar nos explosivos. Logo iriam aprender a não mexer com um dos nossos.
Todo apoio aos que não se ajustam e tem ânsias de vômito só de pensar em fazer parte, aderir, ser a menor das engrenagens.
sábado, 1 de abril de 2023
ARQUIVOS EXPLÍCITOS - Contos e crônicas da ópera rock do terror cotidiano - Segunda Temporada 2023 - #1

Iniciamos
hoje a segunda temporada de ARQUIVOS EXPLÍCITOS - Contos e crônicas da ópera
rock do terror cotidiano. Escolhi o dia primeiro de abril para iniciar esta segunda
temporada por ser um dia lembrado por muitos como dedicado a mentira, a
zombaria, ao escárnio, ao deboche, brincadeiras de mau gosto... Enfim... Foi só
algo que passou por minha cabeça e que, mesmo não fazendo o menor sentido,
acabou sendo. Tá aí o primeiro episódio desta nova etapa. Quantos episódios
serão? O mesmo número que o anterior? Seguirá na mesma linha? Quando terminar
esta, terão outras temporadas? De nada disso sei. Nem sei se continuarei a
respirar amanhã, quanto mais estes detalhes. O que posso adiantar é que cada
temporada continuará separando os episódios por quinzenas enquanto durar. Ou
seja... A cada quinze dias teremos novas desventuras dos seres desencantados
que povoam a terra. Também manterei a metodologia de escrever de uma só vez,
sem ficar relendo ou fazendo ajustes e correções. Mais do que isso não
arriscaria afirmar.
Fabio
da Silva Barbosa
Memórias e esquecimentos
Por
Fabio da Silva Barbosa
Era hábito comum indivíduos que nunca se viram dividir
as poucas mesas que entulhavam o pequeno salão. Ficava em um local de passagem
no centro da cidade. Pessoas de todos os tipos e todas as partes passavam por
ali. As mais diferentes filosofias e estilos de vida repartiam o espaço
diminuto. A fumaça dificultava a respiração em dias de lotação máxima. Naquele
calor infernal então... Ele chegou perguntando se podia ocupar a cadeira do
lado oposto da mesa onde eu estava. Perguntou já sentando, se jogando por cima
de tudo. Apoiou o copo de cachaça quase entornando o líquido amarelado. Com certeza
ele havia escolhido uma da prateleira de conservas.
- Acho que já te vi por aqui. – Falou logo que
conseguiu se ajeitar na cadeira.
- Vez por outra passo pelo pedaço e dou uma parada. –
Respondi sem muito entusiasmo.
- Frequento esta zona há mais de trinta anos. Na época
boa essa rua era só bar. Bar, puteiros e produtos roubados. Tinha a rapaziada
dos entorpecentes também. Falando em entorpecentes... Uma vez estava em um bar
que existia logo ali na esquina. O Cachorro Louco tava tocando com sua banda no
palquinho improvisado que ficava do lado do banheiro. Tocando era modo de
dizer. Era uma banda punk autêntica, de raiz... Radical mesmo! Barulho da porra!
O pessoal se matando de tanto agitar. Tava um calor tipo hoje. Fiquei pelo
balcão tomando uma. Daí veio um cara e encostou do meu lado. Achei que parecia
com aquele dos Stones. Como é o nome dele mesmo?
Nesse ponto já tinha fechado o livro que sorvia junto
da cerveja e prestava atenção em meu novo companheiro de prosa. Fiz um
movimento com os ombros demonstrando que não fazia a menor ideia de qual
integrante ele falava. Mas ele continuou sem se importar com isso.
- O sujeito era engraçado e ficamos por ali bebendo,
falando merda e vendo o show. Daqui a pouco ele foi ao banheiro e um conhecido
veio rápido em minha direção. Perguntou se eu sabia quem era aquele careta com
quem estava trocando ideias. Expliquei que tinha acabado de conhecer, mas
parecia boa gente. Então se fez a revelação. O figura era policial disfarçado e
eu ali, com os bolsos cheios de tóxicos.
Nesse ponto ele explodiu em uma estrondosa gargalhada
e quase virou a porra toda. Mas logo sua expressão mudou e voltou a ficar sério,
estudando meu rosto, esquadrinhando cada ruga. Não sabia muito bem o que fazer
e soltei um “E aí?”. Ele pareceu não perceber minha pergunta e emendou outro
caso.
- Ruim mesmo foi quando tomei um tiro no pé. Estava
ajudando o dono a fechar o bar...
- O da esquina?
- Que esquina, rapaz?
- O bar que você falou que era ali na esquina. Onde
rolou a história do policial.
- NNããããooo... Esse era mais pra cá. Do outro lado da
rua. – Deu outro gole na cachaça e continuou. – Daí um cara começou a se
encarnar em mim. Ensebando mesmo. Me pegou pra Cristo. Dei um chega pra lá
nele, mas isso só piorou a situação. Era um tipo cheio de problemas com a
polícia. Me entende? O corpo dele era todo costurado. Cheio de marcas de
facadas. Daí ele puxou a arma e deu um tiro no meu pé. Imagina isso? Sorte que
foi um tiro de vinte e dois. Daí foi aquela gritaria e o pessoal que me conhecia
intercedeu ao meu favor... Sei te dizer que sentei e fiquei alguns segundos
olhando pro meu pé. Aquilo não parecia nada bom. Quando levantei de novo a
cabeça, ele já tinha sumido. O dono bar pediu pra Cachorro Louco e Fiapo: “Leva
esse traste daqui. Não preciso de mais um baleado nesse bar. Carrega pra um
hospital”. E assim fizeram. Só que fomos andando. Imagina andando com um tiro
no pé. Ainda bem que era de vinte e dois. Quando avançamos uma quadra, o diabo
do cara saiu de trás da lixeira. Era uma lixeira daquelas grandes, sabe? Daí
ele veio com um pedaço de pau na minha direção. Fiapo pulou entre nós dois e
pediu calma. Mas como pedir calma prum demônio daqueles? O sujeito vinha em
minha direção como se fosse um trem. Sorte que Cachorro Louco viu aquele tijolo
no canto da calçada e acertou em cheio a cabeça do Satanás.
- E ele apagou?
- Vou te dizer que aquilo era bicho tão ruim que só
deu uma tonteada. Mas foi o que a gente precisava pra desaparecer da situação.
Nesse ponto levantou virando o que sobrou no copo.
Percebi que estava indo embora e perguntei seu nome. Ele respondeu e perguntou
o meu. Nos cumprimentamos e o vi sumindo, mergulhando na multidão.
Qual era o nome dele? Não lembro. Esqueci quase em
seguida.
Até a próxima!
quarta-feira, 23 de novembro de 2022
ARQUIVOS EXPLÍCITOS #20 - Contos e crônicas da opera Rock do terror cotidiano.
O
Velho Escritor volta a atacar
Por Fabio da Silva Barbosa
Desde que decidiu pelo ostracismo
radical, o Velho Escritor foi sendo esquecido aos poucos. Impressionante como a
memória das pessoas vai se apagando com cada vez maior facilidade. Não era mais
convidado para entrevistas, programas, eventos... O que era até melhor, pois
não precisava ficar explicando o motivo de não ir. Não se sentia animado a
participar de qualquer coisa, de nenhuma forma. Estava tranquilo no fundo de
sua caverna, dentro de seu casulo, do jeito que preferia naquele momento. Mas eis que veio o convite para uma
entrevista. A primeira ideia foi recusar. Acabou aceitando. Seria uma coisa
curta, seguindo a tendência de que tudo tem de ser o mais rápido possível. O
desagrado só aumentou. O entrevistador diria uma palavra e ele teria de
devolver com a primeira coisa que lhe viesse a cabeça. Tentou ficar o menos desconfortável possível.
- Futuro.
- Não existe luz, não existe saída.
- Esperança.
- Não lembro ter esse tipo de coisa
em qualquer momento da vida e nunca senti falta.
- Felicidade.
- Momentos rápidos e cada vez mais
raros.
- Paz.
- Inércia altamente desinteressante.
- Humor.
- Cada vez pior.
- Amor.
- Tem vendido bem ultimamente, mas
nunca foi a minha praia.
- Vida.
- Se aproximando ao fim.
Nos vemos novamente em Dezembro de 2022.
sábado, 27 de agosto de 2022
ARQUIVOS EXPLÍCITOS #14 - Contos e crônicas da opera Rock do terror cotidiano.
Por Fabio da Silva Barbosa
Nos vemos em setembro de 2022!
quinta-feira, 31 de outubro de 2024
Arquivos Explícitos- Notas Subterrâneas #8 -.
segunda-feira, 13 de junho de 2022
ARQUIVOS EXPLÍCITOS #9 - Contos e crônicas da opera Rock do terror cotidiano.
Afundando
Por Fabio da Silva Barbosa.
-Mas o emprego é bom
-Mas eu não quero um emprego
- Mas você não pode ficar assim.
- Por que não?
- Porque você está afundando.
- Talvez seja o que quero. Você já pensou nisso?
- Desse jeito você vai acabar na sarjeta.
- Não me parece tão ruim quanto as opções apresentadas.
- Não é possível que é isso que você queira.
- Não acho possível que uma pessoa queira ter um patrão
determinando a hora até de ir ao banheiro.
- Mas você pode ter uma vida organizada através disso,
ter salário, carteira assinada, uma família, pagar suas contas em dia, ter
plano de saúde...
- Que horror.
- Mais horrível é acabar na rua da amargura.
- Gosto da rua e não vejo problema na amargura.
- Assim você não vai conseguir ser feliz.
- Desconheço a palavra.
- Estou apenas querendo ajudar, querendo o melhor para
você.
- Não quero ajuda e sei o que é o melhor para mim.
- Tem certeza disso.
- Certeza nunca. Nem disso, nem de nada.
No vemos novamente em 28/06/2022














