Metal Reunion Zine
sexta-feira, 25 de julho de 2025
SEUS DEUSES NÃO ME EXCITAM - FRAGMENTOS #4 - A Fórmula
terça-feira, 15 de julho de 2025
SEUS DEUSES NÃO ME EXCITAM - FRAGMENTOS #3
PARA ENTENDER O OBJETIVO DA COLUNA, LEIA A POSTAGEM #1 AQUI
As informações sobre livros e outros escritos de Alexandre Chakal podem ser encontrados na página de Instagram @emcarnevivaecrua
Alguns livros do autor estão disponíveis AQUI
Fonte Metal Reunion Books & Zines
SIGA A PÁGINA DO METAL REUNION ZINE NO INSTAGRAM AQUI
domingo, 4 de maio de 2025
DEPRAVAÇÃO — ZINE ESCATOLÓGICO PARA A MENTE APODRECIDA 1ª edição disponível
quarta-feira, 18 de setembro de 2024
Navalha na Carne - Edição 46 - Gosto de drogas, mas odeio viciados.
Antes de ter que ler comentários cheios de mi-mi-mi, não estou falando de usuários de drogas, pois também me considero um deles. O papo aqui é sobre viciados em drogas. Apesar da sociedade cristã, que se coloca como conservadora e tradicionalista, não diferenciar um do outro, existe uma diferença gritante entre usuário e viciado sim.
Mas as respostas para essas perguntas do primeiro parágrafo já justificariam o título do "Navalha" de hoje, que pode até parecer arrogante e ter um ar de superioridade incômodo para você, mas mesmo sabendo que drogas, em sua maioria, são nocivas, sei também que existem as ondas boas e efeitos relaxantes, prazerosos e que algumas têm uso medicinal inclusive. Sabemos também que o problema social das drogas tem muitos tentáculos e ramificações que vão além do uso, proibição, tráfico, guerra atrelada ao combate às substâncias entorpecentes ilícitas. Mas digamos que fossem apenas drogas? Afirmar que gosta de drogas, mas odeia viciados, é uma crítica a questões comportamentais que observei, e acredito que você também sacou, pois quando o indivíduo se torna um viciado, seja qual for a substância, ele se transforma em um escravo da dependência e sofre alterações com impactos sociais devastadores, mais devastadores que os prejuízos causados ao organismo pelo uso de drogas. Moral, verdade e caráter estão no pacote. Mas viciados não se importam com caráter, verdade ou moral, né?
Viciados, em sua grande maioria, revelam distúrbios sérios de caráter. Esquecem as coisas e usam as drogas como desculpa esfarrapada para suas falhas morais imperdoáveis. Cometem atos abomináveis, prejudicando terceiros de forma absurda.
E quando são flagrados em suas trapaças, recorrem ao velho truque de culpar a "doença", derramando lágrimas de falsa penitência. Especialistas podem até tentar justificar suas atitudes, mas na vida real, já me deparei com uma infinidade de viciados, seja em álcool, remédios controlados, cocaína ou outras drogas, que mentem como se respirassem, enganam com um sorriso no rosto e se fazem de vítimas quando confrontados por seus atos.
Não importa onde estejam, qual é a cultura local que os rege, todos eles revelam a mesma falta de caráter que os consome por dentro. A demência que clamam é apenas uma cortina de fumaça para encobrir a verdadeira essência de suas personalidades corrompidas.
Portanto, antes de proferir julgamentos e definições hipócritas, olhe para a realidade nua e crua: os viciados não merecem compaixão por suas escolhas, mas merecem sim ajuda profissional e tratativas que os ajudem a enfrentar as consequências de seus atos e buscar verdadeira redenção, sabendo dividir o que é usar drogas de forma consciente e responsável e o que é virar um estorvo social e familiar por escolha própria, mas obrigando de forma direta e indireta que o seu grupo social seja forçado a ser a sua muleta, seu médico, seu advogado, anjo da guarda e assistente social. Sem sentir nenhuma brisa.
Aí voltamos ao início. Gosto de drogas, mas viciados? Tô fora.
Aí algum usuário de drogas diboísta que está lendo vai questionar. "Cadê a empatia?" Foda-se! Viciado só tem empatia com quem divide drogas com ele, e nem sabe ao certo o significado da palavra.
Por Alexandre Chakal
sábado, 7 de setembro de 2024
Arquivos Explícitos- Notas Subterrâneas #5 -.
quarta-feira, 12 de junho de 2024
Arquivos Explícitos- Notas Subterrâneas #2
sexta-feira, 24 de maio de 2024
Navalha na Carne - Edição 33 - A cultura do cancelamento? Talvez um texto cancelável. Mas e daí?
Escrevi esse texto em algum momento de 2023. Achei-o muito grande, repetitivo e desagradável. Mas eu notei que o que posto aqui no Navalha na Carne não tem muitas leituras, ninguém liga, e lembrei que vivemos no mundo das mensagens curtas, instantâneas e rasas. Textos grandes não interessam para a maioria. Então, decidi postar. Apesar de minhas motivações e percepções na ocasião que escrevi terem mudado, o texto continua atual em abril de 2024. Vamos lá.
domingo, 24 de março de 2024
Navalha na Carne - Edição 24 - Expressividade desesperada ou comprada? Visibilidade forçada? Por que ainda chamam de Underground?
Aproveitando a nova edição para apresentar as logomarcas que vão se alternar nas próximas postagens.
sábado, 23 de março de 2024
Navalha na Carne - Edição Extra - A proposta de Baudelaire. Embriagai-vos!
terça-feira, 1 de agosto de 2023
DEATHTHRASHERS "ENSAIOS SOBRE O APOCALIPSE" - 4Way Split Retaliador, GomorraA, Total Desastre e Nordeath

A De Profundis Productions segue com suas atividades no extremo cenário nacional. E é com extrema honra, que anunciarmos nossa inclusão em uma aliança extrema com os selos: Sangue Underground Records, Impaled Records, Alcoolismo & Luxúria Distro Bigorna Records, Ataude Produções, Cossaco Records e TbonTbrec Records para o lançamento do Split DEATHTHRASHERS "ENSAIOS SOBRE O APOCALIPSE" com as bandas: Retaliador, GomorraA, Total Desastre e Nordeath.
Artefato forjado no mais puro ódio e repugnância contendo faixas inéditas de cada banda, sendo 8 faixas de sons caóticos a despeito da tragédia ocorrida na Pandemia de Covid-19 e também da opressão imposta por um governo podre e totalitarista.
Previsão de lançamento agosto/2023.
https://www.instagram.com/p/CulPRPeAGgt/?igshid=YmM0MjE2YWMzOA==
Fonte
GomorraA
terça-feira, 27 de junho de 2023
ARQUIVOS EXPLÍCITOS - Contos e crônicas da ópera rock do terror cotidiano - Segunda Temporada 2023 - #7
Quando ele leu a coluna
Por Fabio da Silva Barbosa
Daí ele tomou um gole na branquinha e disparou:
-
Mas por que o subtítulo é “Contos e crônicas
da ópera rock do terror cotidiano” se, por vezes, são relatos e
crônicas até tranquilas?
Sabia
que em muitos momentos ele estava querendo provocar, mas um bom companheiro de
mesa, um irmão de copo, reconhece o que o outro está querendo dizer. Naquele
momento estava apenas com um questionamento autêntico.
-
Tudo depende de quem está lendo. O que é aterrorizante para uns, soa como
flores para outros.
-
Mas quem está escrevendo é o mesmo. Então você deveria...
- Não deveria nada. Não tenho
dever com nada, nem com ninguém.
- Mas então não faz sentido...
- Exatamente. Agora você está
chegando perto. Nada faz sentido e não vai ser minha coluna que vai se prestar
a salvar o mundo. Muito pelo contrário. Que sirva como prece ao próximo meteoro
que estiver na direção da Terra para que dessa vez acerte em cheio. Cansado
dessa conversinha de sempre passou perto. Ficamos em uma expectativa danada pra
quê?
- Mas você não me deixa acabar
de falar.
- Não precisa. Já sei o que
você vai dizer e não me interessa. Mas estou sendo educado e não te deixando
sem respostas.
Então ele discretamente tirou
a sonda e colocou a tripa de borracha na garrafa que estava estrategicamente sob
a mesa. Ele tinha prática em acertar a boca da garrafa e deixar a fina
mangueirinha escorregar gargalo a baixo. Logo começava a brotar o líquido. Ele
fazia isso tudo olhando para outro lado, ou conversando, como se nada estivesse
acontecendo.
- Achei esse final perfeito.
- Que final?
- Você mijando na garrafa de
cerveja com essa cara de paisagem.
- ...
- Vai ser a próxima coluna.
- O quê?
- Esse nosso papo.
- Pois é... É isso que eu
digo.
- Pois é. É isso que digo
também, só que de outro jeito.
- Então bota o que você quiser
nessa porra.
- Pode deixar. Farei isso. Não
se preocupe.
Daqui a 15 dias, nos vemos novamente. Até lá!
terça-feira, 11 de outubro de 2022
sábado, 27 de agosto de 2022
sábado, 14 de maio de 2022
ARQUIVOS EXPLÍCITOS #7 - Contos e crônicas da opera Rock do terror cotidiano.
Conversa séria com Deus - Parte 2
Por Alexandre Chakal e Fabio da Silva Barbosa
E minha irmã? Vai pra igreja todo dia rezar pra você. Coloca
sua melhor roupa, lê a bíblia e agradece exatamente a você tudo o que ela vai
comer. Chegou ontem dizendo que tá esperando um bebê. O pastor disse que o pai
é você. Como assim, Deus? Você não deveria colocar um bebê na minha irmã. Não
temos o que comer. A casa é pequena e ela estava estudando pra tentar melhorar
as coisas. Por que você entrou no corpo do pastor pra fazer um bebê na minha
irmã? O pastor disse que o pai é você. E agora? Como vai ser? Mais uma boca
para comer. O senhor nem paga pensão. Nunca ouvi dizer que Deus pagou pensão. É
ela ainda que tem de pagar. E sou muito novo pra ser tio. Esse bebê vai pegar
pra ele o resto de carinho. O restinho que quase não tem mais. Não serei mais a
criança, o pequeno. Serei o tio do bebê. Serei teu cunhado. Nunca tinha ouvido falar
em cunhado de Deus. Mas deve ter tido. Maria tinha irmãos? Devia ter. E coitado
do José. Ainda tinha de trabalhar pra sustentar seu filho.
E tem mais!
Tenho um primo que agora é prima. Era Oswaldo, mas trocou o
nome pra Shakira. Ele se veste de mulher e diz que é dançarina. Trabalha de
noite na rua. Daqui da janela eu posso ver ele(a) lá na esquina. Não vejo
ele(a) dançar, apenas se debruça na janela dos carros que param pedindo informações e dicas. Porque o pai dizia que o
senhor ia castigar? O senhor não ama a todos? Por que o pai dizia que era
errado, se o senhor mesmo nos deu o direito de decidir por nós? Ou é uma ilusão
esse tal livre arbítrio? Mais uma mentira, como Papai Noel e Coelhinho da
Páscoa... Por que nos ensinam tantas mentiras? Só pra depois dizer que nada é
verdade? Não consigo entender. Por que tanta gente não gosta da Shakira, xinga
quando ela passa...?
Ela fala que Deus é seus amigo e sempre está junto nas
madrugadas frias, mas se você tá sempre junto do Oswaldo, ou Shakira, por que
ela chegou ontem a noite toda machucada?
Nem foi para a esquina hoje? Perguntei a ela o que Deus tinha feito pra
defender-la dessa maldade. Ela me respondeu que Deus tava lá, mas não entende
porque não foi ajudar. Mesmo sendo maior, tem coisas que ela também não entende
ainda. Ela acha que você, Deus, pode tá chateado com ela, pois o pastor, que
será pai do meu sobrinho, disse a que aquele espancamento era um recado de
Deus. Como assim, Deus? Por que bater na Shakira até quase matar? Não existe
outra maneira de mandar um recado? Nunca ouviu falar de carta, email...? Pensei
que o senhor sabia de tudo.
Um dia sentei na mesa pra comer e mamãe tava triste,
chorando. Mais uma surra do papai. Ela não conseguia segurar as lágrimas. Não tinha
pão, café, bolo... nada para comer. Mamãe pedia perdão e dizia que Deus ia
prover. O tempo passou e nada do senhor prover, fazer uma Graça que seja.
Fazem três dias que não tem nada pra comer. Só água e farinha.
Ela continua dizendo que o senhor irá prover. E agora, Deus? Tô com muita fome.
Minha barriguinha dói e não sei o jeito pra fazer parar de doer.
Falta pouco para nascer o bebê da minha irmã. Será você vai
aparecer? Afinal, todo pai quer ver seu filho nascer. Certo, Deus? Você vem? Se
vier, será que pode trazer carne, leite, biscoitos e fraldas pro nenê?
'Conversa séria com Deus' é um conto que integra o livro "Seus Deuses não me excitam" de Alexandre Chakal, com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2022 via Editora Merda na Mão.
Continua em 29/05/2022
Até lá!
sexta-feira, 15 de abril de 2022
Onslaught: ingleses confirmam tour no Brasil com NervoChaos e Uganga
As datas da tour, por enquanto são:
06.07 – Rio de Janeiro/RJ @Areninha Carioca Hermeto Pascoal
07.07 – TBA
08.07 – Bauru/SP @jackmusicpub
09.07 – São Paulo/SP @Jaiclub *sem NervoChaos
10.07 – Limeira/SP @COI Fest
Formado em 1982 em Bristol/Inglaterra, o Onslaught começou fazendo Hardcore/Punk, e logo enveredou pelos caminhos do Thrash Metal. Sua discografia contém clássicos absolutos do Metal, como “Power From Hell” (1985), “The Force” (1986) e “In Search Of Sanity” (1989) – esse com o vocalista do Grim Reaper, Steve Grimmett. Mesmo os álbuns posteriores são considerados acima da média, como “Killing Peace” (2007), “Sounds Of Violence” (2011), “VI” (2013) e o mais recente, e bastante elogiado, “Generation Antichrist” (2020).
A formação do Onslaught conta com Nige Rockett (guitarra), David Garnett (vocal), Wayne Dorman (guitarra), Jeff Williams (baixo) e James Perry (bateria).
Assista o vídeo oficial de “Bow Down To The Clowns”:
Já o Uganga, se prepara para lançar o sucessor de “Servus”, seu quinto álbum, de 2019. O vocalista Manu Joker integrou o Sarcófago no final dos anos 80, tendo gravado a bateria do clássico EP “Rotting”(1989) – hoje em dia ele lidera o Manu Joker & The Röttens.
Fonte
http://radioexmera.blogspot.com/2022/04/onslaught-ingleses-confirmam-tour-no.html
terça-feira, 15 de março de 2022
ARQUIVOS EXPLÍCITOS #3 - Contos e crônicas da opera Rock do terror cotidiano.
Seguindo
nossa saga quinzenal, aqui está o
texto #3 da coluna ARQUIVOS EXPLÍCITOS
No banco da praça
Por Fabio da Silva
Barbosa
19/02/2022
08h:56min
Só depois de muito
tempo entendi pra que servem os bancos de praça (ou, ao menos, pra quem
servem). Na verdade, existem figuras variadas que por motivos diversos sentam
nestes bancos. Ele, por exemplo, é uma figura constante por ali. Algumas vezes
acomodava-se em um lado diferente da praça, mas eram sempre os mesmos bancos.
Chegou, como
sempre, puxou um cigarro, colocou na boca e acendeu. Tragou fundo enquanto
ouvia o canto dos pássaros. Depois de algum tempo, percebeu que entre um
determinado número de cantos, podia ser ouvido um grito. Não era grito de dor
ou prazer. Parecia um tipo incompreensível de comunicação. Vinham de trás do
bambuzal.
Ficou atento.
De repente um cara
saiu correndo de trás do bambuzal com uma garrafa na mão. Corria e discutia,
olhando pra onde não havia nem alma penada. A distância não permitia distinguir
o que preenchia a garrafa ou o quanto estava cheia.
Será que era de
beber ou de cheirar? Devia ser de cheirar. Não era possível que fosse bebida.
Ou então era coisa forte. Bateu até uma curiosidadezinha. Daquelas... Tipo
coceira no furico. Coisa boba que dá e passa. Às vezes sim e as vezes não.
Atravessou a
avenida entre os carros e sumiu do campo de visão. Ouvia apenas aquela voz
berrando com o nada. Frases incompreensíveis, enigmáticas. A travessia na
avenida parece ter durado um ano. Ele parava e pulava na frente dos carros que
vinham em alta velocidade. A sinfonia dos pássaros agora dividia o espaço com
outra sinfonia. Buzinas e gritos, vozes exaltadas... Alterações preenchendo o
ar. Um problema saltitante criando distúrbios àquela hora da manhã.
De repente ele
volta a toda. Traçou uma linha reta e atravessou com velocidade total. Parou um
pedestre e começou a discutir. Dava para ver que o pedestre não entendia uma
palavra do que ele dizia e tentava compreender a situação. Por fim ele forçou
um aperto de mão, que foi retribuído com um não saber o que fazer.
Voltou correndo e
mergulhou atrás do bambuzal.
Não sei como aquela
aventura acabou. Pra mim terminou ali. Levantei resolvido e fui embora dali
antes que algum daqueles pássaros cagasse em cima de mim. O corretor
ortográfico sugere que troque “cagasse em cima de mim” por “defecasse em cima
de mim”. Sugestão sem fundamento. Não ficaria tão bom. Não causaria o mesmo
efeito.
Quanto ao cara do
banco? Continuou lá sentado, tranquilo, fumando o cigarro e esperando alguma
coisa acontecer.
Se ele apareceu de
novo pela praça? Não sei. Nunca mais passei por ali.
Se costumo reler
as merdas que escrevo para esta coluna? Não. Nem pra revisar. Mando como sai.
Se limpo a bunda
depois de soltar um barro? Sim, sempre que possível.
Qual o número do
meu sapato? Não uso sapatos.
Em 30 de março de 2022, confira aqui ARQUIVOS EXPLÍCITOS #4.
Até lá!
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
ARQUIVOS EXPLÍCITOS #2 - Contos e crônicas da opera Rock do terror cotidiano.
Bem vindo ao segundo
Relaxe, meu amigo.
Por Fabio da Silva Barbosa
01/02/2022
08h:30min
Sentou na frente da tela e posicionou os dedos sobre o teclado.
Não veio nada.
Resolveu esticar um pouco as pernas e recostou-se, meio
que se jogando, nas costas da cadeira. Jogou os pés sobre a mesa e cruzou os
membros.
Abriu o fecho e puxou o membro.
Segurou firme.
Tudo certo e em posição de sentido.
Começou o trabalho.
Desequilibrou.
Bateu de cabeça no chão.
Atingiu um lugar inadequado.
O sangue vazou,
escorreu...
Leves tremores.
A boca ficando branca.
Tudo apagando.
Uma leveza calmante tranqüilizava a dor aguda.
A hora finalmente chegou.
Mais um escritor morre cumprindo seu importante dever.
Em 15 de março de 2022, confira aqui ARQUIVOS EXPLÍCITOS #3.
Até lá!
domingo, 13 de fevereiro de 2022
ARQUIVOS EXPLICITOS #1 - Contos e crônicas da opera Rock do terror cotidiano.
Há tempos atrás, tínhamos aqui uma
coluna chamada “Navalha na Carne”, publicamos alguns textos de autores
diversos, mas devido a correria do dia- a- dia, não conseguimos colocar mais
conteúdos e ficou para trás nas postagens do Metal Reunion Zine.
Em 2022, temos a honra de iniciar a coluna
“ARQUIVOS EXPLÍCITOS - Contos e crônicas da opera Rock
do terror cotidiano.”
Coluna que trará textos do poeta, escritor
e locutor, Fabio da Silva Barbosa.
Entao vamos ao nosso texto inaugural. Boa leitura.
Fico imaginando alguma forma de me
infiltrar e colaborar para o desconforto, para desacomodar e incomodar quem
quer ficar fingindo que está tudo bem. Tanta gente mais sensível se matando por simplesmente não suportar o
que nos oferecem como as melhores opções... Um desejo de não se enquadrar nessa
insanidade normalóide.... A sede pelo autoconhecimento... Então foi se
formando, se construindo, a coluna ARQUIVOS EXPLÍCITOS - Contos e crônicas da
opera rock do terror cotidiano. A ideia
é estar aqui, de quinze em quinze dias, descascando a banana atômica na frente
de quem quiser ver. Um trabalho voltado a raiva, aos vícios, a pornografia e a
tudo o mais que você finge que nem existe... Coisa de gente doente que fica
imaginando perversões alienígenas. Um convite para você entrar no subterrâneo
pútrido do horror ordinário, comum, corriqueiro... A cada coluna, aquela
sensação de ter sido atingido na boca do estômago.... e o vômito quente sendo
expelido entre os dentes.... Somente contos, crônicas e merdas em geral
imaginadas para estragar sua quinzena. Abriremos
o trabalho com AZEDUME, essa terrível história de dor.
Por
Fabio da Silva Barbosa
Gastou novamente o pouco dinheiro que tinha com drogas de qualidade duvidosa. Deixou para abrir a bucha quando a ponta já tivesse queimado os dedos e a própria boca. Esticou três linhas grandes – Lacraias bailarinas e sedutoras. A trilha sonora já estava organizada. A banda portuguesa “Vômito” jorrando “Eu não quero” por toda a eternidade. Terminava e começava sempre de novo e de novo.
Mandou a primeira enquanto ouvia a
mensagem.
“Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado”
Não sabia como iria sobreviver sem
álcool e cigarros nos próximos dias. Não tinha uma moeda se quer... e mesmo se
tivesse... Impossível aquentar as coisas como estão.
Pensou em um milhão de coisas ao mesmo tempo. Resolveu partir pra segunda. O
prazer e o desconforto copulavam freneticamente no galope do sexo selvagem.
Lembrou da garrafa de cachaça que
estava pelo final. Ainda restava quase uma dose.
Virou a garrafa de cabeça para baixo
e sacudiu para ver se saía mais alguma coisa. Só faltou torcer.
Revirou as gavetas para ver se
encontrava alguma boleta perdida.
Pensou no momento em que vivia.
Governo assumidamente autoritário (A diferença histórica consistia nesta
palavra: assumidamente), crise, repressão, pandemia... Só amargor.
E nas caixas de som continuava martelando
a mensagem punk libertária:
“Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado”
Olhou para a terceira linha. Era a
vez. Fuuuunnnnngggggaaaaaa....
Fim do primeiro ato.
Fim de mais uma noite.
Desce a cortina sobre o corpo
convulsivo e a mente agoniada.
Fica o desejo de quero mais.
Mas nas caixas continua sendo
gritado aquele desejo mais puro... Sendo berrada aquela afirmação que seria a
única certeza.
“Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado
Eu não quero ser soldado”
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*Fabio
da Silva Barbosa atua em diversas frentes. Lançou e-books, livros, zines,
jornais, PDFs... veículos de comunicação em vários formatos. Organizou eventos,
faz programas de rádio, produziu vídeos... Entre suas realizações está o zine
Reboco Caído. Este zine ganhou o prêmio Fanzine 2016, no segundo Gibifest de
Alvorada, em 2017. O Reboco Caído circula em versão impressa e digital, já
conta com mais de dez anos de existência e passou do número 60. Além do
trabalho solo, Fabio atua em coletivos e fundou com Diego El Khouri a Editora
Merda na Mão.
Fonte
Metal Reunion Zine

















