Blogzine fundado em 2008. Reúne notícias referentes a bandas, artistas, eventos, produções, publicações virtuais e impressas, protestos, filmes/documentários, fotografia, artes plásticas e quadrinhos independentes/underground ligados de alguma forma a vertentes da cultura Rock'n'Roll e Heavy Metal do Brasil e também de alguns países que possuem parceiros de distribuição do selo Music Reunion Prod's and Distro e sua divisão Metal Reunion Records.
2017 foi um ano particularmente duro para com o meio cultural. Neste período o país sofreu um retrocesso quase surreal na forma como lida com os meios culturais. Vimos renascer a censura através de um movimento protofascista e acéfalo que, entre outros absurdos conseguiu o fechamento de uma exposição, que gerou uma onda de ataques a museus por todo o país. De uma hora para outra a palavra “arte” tornou-se um alvo, um bode expiatório para intenções espúrias perpetradas por mentalidade tacanhas. Em Porto Alegre estas ações já rastejavam faz algum tempo sob nossos pés com o sucateamento gradual da área da cultura. A morte silenciosa da Sala P.F.Gastal, e o desmonte da Usina do Gasômetro afetaram diretamente a realização da Vingança dos Filmes B em 2017. Mas, se como disse Francis Bacon, “a vingança é uma espécie de justiça selvagem”, optamos por reunir forças, e não nos entregarmos tão facilmente, fazendo assim justiça ao público do “Vingança dos Filmes B” que tanto nos apoiou neste 7 anos de estrada. A sétima edição da mostra será realizada na Cinemateca Capitólio, de 25 de janeiro a 08 de fevereiro. Apesar da programação reduzida se comparada a edições anteriores, o Vingança segue sua meta de servir de vitrine tanto para produções independentes e de baixo orçamento, como para clássicos do cinema de gênero, e nesta edição teremos surpresas e uma boa dose de insanidade para os cinéfilos menos acomodados. Aguardem a programação completa, e que a Vingança seja plena!
A Vingança dos Filmes B- Parte VII é dedicado em memória de Silvia “Shuna” Prado.
Mostra de cinema, filmes B, cinema de gênero, filmes independentes, horror, sci-fi, ação, suspense
A Rock Brigade nasceu como um fã clube de Heavy Metal, no já longínquo ano de 1981. Seu boletim informativo, inicialmente distribuído apenas entre os sócios, logo se transformou em fanzine e, posteriormente, na maior e mais importante publicação sobre música pesada do Brasil. A proposta de “Headbanger Voice”, o filme, é contar a história dessa trajetória improvável.
Dirigido pelo jornalista Wladimyr Cruz – responsável por documentários musicais sobre a loja de discos Woodstock, a casa noturna Madame Satã, a banda de Metal Extremo Vulcano e a cena Punk de Santos, “Califórnia Brasileira” – e pelo fotógrafo Marcelo Colmenero, o longa se baseia em entrevistas com fundadores da revista, colaboradores e nomes importantes da cena metálica nacional para discorrer acerca da história do informativo que virou a revista de música com mais tempo de circulação no Brasil.
Repassando causos e histórias sobre diversas edições da revista, o filme revisita os mais de 270 números da publicação, sem esquecer de abordar também a Rock Brigade Records – selo fonográfico ligado à publicação com mais de 500 lançamentos e em plena atividade até hoje – e a produção de bandas, shows e eventos sob tutela de seu editor original, Antonio Pirani, o Toninho Rock Brigade.
No decorrer dos 130 minutos do filme, o público mergulha nas páginas da revista que escreveu – e ainda escreve – a história do Heavy Metal e da música pesada no Brasil. Produzido de forma absolutamente independente, “Headbanger Voice” é mais um lançamento do selo audiovisual Blue Screen of Death Filmes.
Sessões de exibição pública do filme nos cinemas estão acontecendo no último trimestre de 2017. O longa tem previsão de lançamento em home video e em plataformas VOD para Março de 2018.
Serviço:
Exibição oficial do filme "Headbanger Voice" em São Paulo
25 de Novembro de 2017às 20:00
Matilha Cultural - R. Rêgo Freitas, 542
Entrada Beneficente - Doações aceitas: Roupas e brinquedos em bom estado ou 1 kg de alimento (menos sal e açúcar).
Dirigido por Larissa Anzoategui, Astaroth, o primeiro longa-metragem da Vade Retro Produções, já está pronto e a data de seu lançamento deve ser definida em breve. Enquanto isso, o filme ganhou um novo trailer e um pôster. Astaroth tem roteiro de Ramiro Giroldo e produção de Renato Ramos Batarce e foi filmado em São Paulo e Campo Grande. O filme traz no elenco Monica Mattos, Janderson Tucunduva, Jacqueline Takara e Juliana Calaf.
SINOPSE
Encoberta pelas névoas do tempo, ela foi esquecida… Mas sempre há alguém para lembrar.
Gregório é um tatuador obcecado por Astaroth, entidade demoníaca que espreita nas sombras com promessas de desejo e prazer. Com a arte da tatuagem e com seu conhecimento arcano, ele pretende resgatá-la das brumas do esquecimento e trazê-la para o mundo da carne. Duas jovens são envolvidas em seus planos: a decidida tatuadora Dri e a doce guitarrista Lia. Amiga delas, Mai é a jovem que usará seu treinamento em artes marciais para tentar defendê-las e combater os desígnios do Inferno.
Escondidos num banheiro abandonado da escola, os garotos aceitam o desafio:
apertar as descargas, ligar as torneiras e chamar pelo nome proibido – tudo ritualmente repetido por três vezes. No espelho, um vulto se anuncia. É o fim.
Longe dali, uma adolescente que ficou na rua até tarde sente uma presença a acompanhando. Nas sombras, um velho maltrapilho se insinua, carregando nas mãos um grande saco de estopa. Ele ri.
O final de cada uma dessas histórias não está na tela, mas em seu íntimo você bem sabe o que aconteceu. Assim é Imaginário, uma web-série carioca que estreou no dia 31 de outubro deste ano no Youtube. Desde então, um novo episódio é lançado toda quinta-feira, até que os 10 desta primeira temporada tenham sido publicados. O mais recente, O Garoto de uma perna, é o sexto.
O projeto foi criada pelo diretor Bruno Esposti, de 24 anos. A idade é um componente importante neste contexto: toda a equipe é bastante jovem, alguns assumindo cargos de direção pela primeira vez. O resultado, no entanto, denota um apuro estético muitas vezes inalcançado por produções do gênero que investem nas narrativas folclóricas.
A busca por investir na vertente do medo, em resposta à visão infantilizada do folclore brasileiro, é tendência. No cinema, para citar apenas um contemporâneo, basta ver o alcance de trabalhos como os do cineasta Rodrigo Aragão. Produzida inicialmente para o Youtube, Caçada nas Horas Mortas, de Sander Silva também apostou neste caminho – e com episódios inteiramente feitos por uma pessoa só. Hoje, a série está disponível apenas para compra.
A diferença, no caso de Imaginário, é que os filmes em sua maioria fogem do gore ou do trash para investir num terror psicológico que captura pela tensão. Entre ataques de chupa-cabra, perseguições do saci e ovos fecundados pelo diabo em plena quaresma, cada um dos curtas possui em média apenas 3 minutos de duração. Nenhum dos curtas tem exatamente um final, uma escolha proposital do diretor: “metade da história eu te mostro, a outra metade cabe a você e ao seu imaginário”, esclarece em um dos vídeos de produção.
Imaginário contou até mesmo com uma psicóloga para desenvolver as narrativas. Mariana Castro se envolveu com o projeto principalmente pela perspectiva do espelho. Os mitos como reflexo de Eu. De nossos medos , nossas ansiedades e nossa relação com o inteiramente outro.
Confira abaixo cada um dos episódios, acompanhado de uma breve resenha feita por nós.
Episódio 1 – Diabinho na Garrafa
Um episódio que estreou em 31 de outubro não poderia tratar de uma temática melhor: bruxaria. A lenda conta que o dono de um diabinho na garrafa receberá dele todos os seus desejos. Vera tenta controlar a criatura, fecundada pelo próprio diabo. A maldade, no entanto, é incontrolável e vai cobrar seu preço. Gosto especialmente deste episódio pela relação com a quaresma, o período mais sombrio do folclore brasileiro. Denota pesquisa e atenção com o texto fonte.
Episódio 2 – A Mulher do Espelho
O grande problema deste episódio para mim foi a escolha do monstro. Loira do banheiro, Mulher do algodão, Mulher de branco… todas estas são variantes existentes no folclore brasileiro, mas “Maria Sangrenta” para mim faz referência direta à Bloody Mary americana. De qualquer forma, o ritual das descargas é um clássico. A cenografia do banheiro da escola é extremamente impressionante.
Episódio 3 – Cabrita
Cabrita é a caminhonete de Matheus. Um detalhe simples, um trocadilho evidente com a besta da semana – o terrível chupa-cabras. Ainda assim trouxe um colorido muito especial ao personagem: dizendo em poucos segundos sobre sua cultura agroboy, sua juventude e espirituosidade. Um desafio em filmes com pouco mais de 3 minutos. Este é também o episódio mais gore da série, onde a equipe de maquiagem mais investiu em sangue falso.
Episódio 4 – O Sopro
Este não é meu curta preferido da série, mas seu argumento certamente é o mais inovador. Nunca antes eu havia visto esta relação entre Folia de Reis e o horror infantil. Só quem já viu um reizado sabe o quanto a figura dos palhaços (ou bastiões) – com suas máscaras de couro – pode ser impactante. No folguedo, a tarefa deles é proteger o menino Jesus dos soldados de Herodes, distraindo a todos com suas danças e cantorias. Para Sophia, no entanto, eles eram monstros. Terríveis monstros que tentavam entrar em sua casa. Só não entendi por que “O Sopro”.
(Nota: O diretor me explicou depois que o título se deve a uma cena que foi cortada, quando o palhaço assopraria um instrumento no rosto da menina)
Episódio 5 – O Velho do Saco
O interessante deste episódio é que normalmente vemos a história do velho do saco sempre relacionada a crianças. Alice, protagonista do curta, já é adolescente mas ainda assim é perseguida por ele o que faz este pavor do outro ganhar tons ainda mais sexualizados. Um episódio bastante concreto que lida com medos cada vez mais presentes no ambiente urbano. Um detalhe observado pelo amigo Romeu Martins é que os meninos que conversam com Alice são Caio e Mateus, do curta da Loira do Banheiro. Sophia, mencionada pela mãe, pode ser a protagonista de O Sopro.
Episódio 6 – Garoto de uma perna
Um casal de nômades tenta escapar de algo que os persegue pela mata. É o saci, que neste versão era filho de escrava feiticeira, carregando magia no sangue. Após ser preso e mutilado pelo seu “senhor”, foge para mata onde até hoje persegue quem cruza seu caminho.
Demorei a entender um pouco a escolha dos nômades como protagonistas – achei, de início, que era algum tipo de branqueamento de etnias indígenas. Fiquei feliz em descobrir que não. Ainda assim, me parece uma escolha muito distante dos demais curtas, tão calcados nas imagens de Brasil. No geral, o filme me deu a impressão de ser uma dark fantasy universal – algo diferente ao abordar um mito tão nacional quanto o saci.
Episódio 7 – Curupira
Uma história simples. Caçadores na mata são perseguidos pelo terrível Curupira. É o episódio mais fraco para mim até agora. Os pés invertidos do Curupira convencem no plano aberto, mas no detalhe parece apenas uma pessoa andando para trás. Valia investir mais nisso. E um detalhe bobo, mas que vale pontuar: “malditos espinhos” como linha de roteiro, parece homenagem à dublagem dos anos oitenta. Em diálogos tão breves, faltou algo mais marcante.
Episódio 8 – Boto
Se o Boto cor-de-rosa normalmente é retratado como um caboclo sedutor ainda preso as anos 60, com sua roupa de malandro e inseparável chapéu coco, a versão de Imaginário não podia ser mais diferente. O Boto aqui é grave, silencioso, sua presença impõe força e respeito. Quando aparece, não precisa de muito para arrastar a cunhã para a lagoa. O resultado deste encontro será muito mais trágico do que a gravidez indesejada registrada nas lendas. Ótimo episódio.
Episódio 9 – Equino
Esperei ansioso por este episódio. A Mula Sem Cabeça, para mim, é o mito mais difícil de ser retrabalhado nos dias de hoje. A carga misógina dele, como forma de controle do feminino, é tão forte que o seu simples relato pode produzir uma narrativa leviana e anacrônica. Queria muito saber qual a escolha de abordagem Imaginário seguiria.
Fiquei triste ao ver que a série escapou desses dilemas. A incerteza sobre a mula é apenas se ela é ou não fruto dos delírios de uma mulher supostamente esquizofrênica. É o conflito entre real e fantasioso que permeia todos os mitos. Para mim faltou ousadia neste roteiro.
Episódio 10 – Sereia
O episódio que veio para encerrar a temporada, e a fecha muito bem! Repleto de referências aos demais episódios, o curta começa com os cartazes de procurados de cada um dos mitos retratados na série. O caçador aceita a missão, mas será que ele é capaz de resistir aos encantos da Iara e cumprir sua tarefa?
Detalhe para a beleza da caracterização da criatura. A iara, negra, tem pintada no torso a árvore do Imaginário. A maquiagem de escamas no braço, as unhas compridas e o azul da fotografia constroem esse belo design de monstro que é coroado com a transformação final. Parabéns a toda a equipe!
Depois da excelente série sobre a "Boca do Lixo", o Canal Brasil
concentra suas atenções na produção independente brasileira dos anos 90 pra cima, na série "TRASH!".
Esqueça as superproduções com orçamentos pomposos e rostinhos famosos pois o Canal Brasil abre espaço para os verdadeiros representantes do gênero mais maldito do cinema: o trash.
Com muitas ideias na cabeça e pouquíssimo dinheiro no bolso, diretores das mais diversas partes do país realizaram obras com vídeo e áudio precários -- intencionalmente ou não , mas munidos de grande criatividade.
O que é necessário para fazer um filme? Amigos de férias? Câmeras VHS ou Super-8 antigas guardadas no armário? Ter ideias nonsense? Ou seria tudo isso junto? Some a essa combinação improvável uma dose de "defeitos especiais". O resultado, certamente, é diversão garantida.
A série, que vai passar de duas horas de duração (no total), tem
entrevistas com Petter Baiestorf, Gurcius Gewdner, Mike Klafke, Kapel Furman, Fernando Rick, Felipe M. Guerra, Joel Caetano, Rodrigo Aragão, Pepa, Tiago Belotti, Márcio Jr, Bernadette Lyra, Gelson Santana, Laura Cánepa e muitos outros em um pacotão de doideiras que esperamos que estrague a cabeça de toda uma geração de juventude jovem(que tenha acesso a TV a cabo ou não) que se sinta inspirada a fazer seus próprios filmes nos anos seguintes movidos pelos depoimentos apaixonados de todos os envolvidos nessa beleza toda! Gurcius Gewdner além de entrevistado, é o responsável pela vinheta de abertura.
Estrelando entrevistas com Petter Baiestorf, Gurcius Gewdner, Mike Klafke, Kapel Furman, Fernando Rick, Felipe M. Guerra, Joel Caetano, Rodrigo Aragão, Pepa, Tiago Belotti, Márcio Jr, Bernadette Lyra, Gelson Santana, Laura Cánepa & grande
elenco.
Apresentação: Christian Caselli
Pesquisa: Géssica Santiago e Yasmin Scali
Direção de fotografia e câmera: Raniere Figueiredo
“A Moça que Dançou com o Diabo”, curta de 14 minutos que faz uma releitura contemporânea de um lenda do interior paulista, levou o prêmio especial do júri.
O curta tem 14 minutos e trata-se de uma releitura contemporânea de um lenda do interior paulista, contada há mais de cem anos. A adaptação trata de uma menina que vive o conflito entre a religião e suas descobertas da adolescência. Ela dança com um forasteiro, que revela ser O Diabo.
"Para comemorar os 80 anos do mestre do cinema de horror brasileiro, o nosso grandeJosé Mojica Marins Zé Do Caixão, o maior cineasta vivo em nosso hemisfério, aFilmoteca do Horror Brasileiro publicou a mais completa Mojicografia online do cineasta! Homenageie você também ZÉ DO CAIXÃO compartilhando sua obra - veja os filmes, comente, divulgue, espalhe o que o nosso cinema de horror fez de melhor eque continua sendo referência mundial. É assim que prestamos tributos aos nossos gênios e mantemos nossa cultura sempre viva, pulsante e com sangue nas veias! Mojica merece todas as homenagens - e ainda não é o suficiente para reconhecer o quanto ele transformou a cultura de horror em nosso país!"