Metal Reunion Zine

Blogzine fundado em 2008. Reúne notícias referentes a bandas, artistas, eventos, produções, publicações virtuais e impressas, protestos, filmes/documentários, fotografia, artes plásticas e quadrinhos independentes/underground ligados de alguma forma a vertentes da cultura Rock'n'Roll e Heavy Metal do Brasil e também de alguns países que possuem parceiros de distribuição do selo Music Reunion Prod's and Distro e sua divisão Metal Reunion Records.



sexta-feira, 1 de maio de 2026

ARQUIVOS EXPLÍCITOS - TEMPORADA 5 - DE FÉRIAS NO INFERNO #19

 

Por fim, nem ouvia mais o que Silvan dizia. Ficava só olhando para a cara dele com ar interessado e balançando a cabeça afirmativamente enquanto pensava se explodia e botava logo para correr ou se arrumava uma desculpa qualquer para dispensar o chato sem me desgastar tanto. E como era chato. Eu tinha esquecido o quanto era.  O tempo todo falando sobre si mesmo. O eu no centro do mundo.  E a palavra artista sempre voltando a ecoar como se fosse grandes merdas, um título de nobreza, uma espécie de elite. E a cachoeira de palavras fáceis e frases feitas não parava. Vez por outra eu pescava alguma coisa do que estava sendo dito e percebia que era melhor voltar a abstrair. Ele realmente devia gostar muito da própria voz. Agora falava sobre a série de auto retratos que começaria a produzir. Sempre o grande artista no centro do universo. 
E da-lhe bla bla bla... 
Em certo momento, levantei de um salto. 
-A conversa tá muito boa, mas lembrei que tenho um compromisso. 
Ele continuou sentado e me olhou com ar surpreso. 
-Mas estava pensando em... 
-Foi um prazer receber uma visita tão ilustre, nas a hora é essa. - Atropelei sem deixar concluir mais uma frase que fosse. Peguei o mala pelo braço, praticamente arrastando o traste até a saída.
Sivan ainda tentou dizer algo, mas não dei oportunidade. Chegando do lado de fora, dei um até breve acompanhado de tapinhas nas costas e é isso. Livrei-me do grande saco de merda. 
Voltei para onde estava sentado e respirei aliviado.  Consultei o velho aparelho telefônico e li algumas mensagens que haviam chegado. A tela rachada e o fato de ter quebrado meu óculos atrapalhava bastante o entendimento das palavras, mas consegui decifrar uma que me informava sobre a vaga em um quartinho que estava de olho. Era um bairro mais movimentado da cidade, menos tranquilo, chato e monótono. Claro que não era nada que parecesse com o agito dos grandes centros que estava acostumado, mas tinha esperança de me livrar dos mugidos das vacas e das nuvens de mosquitos onde quer que fosse. 
Por sorte, aquelas férias no inferno já estavam com os dias contados. Já havia começado a organizar meu retorno para os perigos e incertezas que nos brindam a vida urbana, recheada de caos e problemas mil. 
Enfim estaria longe deste ambiente tragicamente monótono. Buscava apenas passar os últimos tempos daquela aventura infame sem o silêncio ensurdecedor cortado, vez por outra, por sons repetitivos e que não me excitam em nada. 
Logo logo, estaria me sentindo em casa, de volta a incerteza diária na guerra cotidiana. Não via a hora.

 Por Fabio da Silva Barbosa

Foz do Iguaçu - PR
Outubro de 2025



quarta-feira, 22 de abril de 2026

ARQUIVOS EXPLÍCITOS - TEMPORADA 5 - DE FÉRIAS NO INFERNO #18

 

Nestas férias no inferno, fui visitado por alguns amigos e conhecidos que passaram pela região. Pessoas que não via há muito tempo e que aproveitaram a passada para trocar uma ideia. Entre eles estavam artistas, vagabundos, beberrões e criaturas grotescas em geral. 
Um dia Silvan apareceu do nada pelo buraco que me servia de residência temporária. Ele se rotulava como artista. Adorava se definir assim. Emprestava uma importância canalha a palavra. 
Silvan não conheceu o pai e a mãe sumiu no mundo quando ele ainda era pequeno. Foi então criado pela avó, que tinha de trabalhar em várias escolas como professora para conseguir pagar as contas. Sempre achei bizarra a situação dos professores que atuavam na base do ensino. Condições de trabalho precárias e um salário que não cobria os gastos com o básico.
A avó proporcionou, a Silvan, o acesso ao conhecimento, a informação, a arte... a cultura de uma forma geral. O menino, com muita dificuldade de se relacionar e desinteresse total por futebol e outras atividades que preenchiam o tempo dos da sua idade, se refugiava no mundo apresentado pela avó. 
Mesmo tendo desenvolvido certo grau de criatividade  devido ao contato com os livros e as várias formas de expressões artisticas que teve acesso, nunca foi um gênio, muito menos um grande conhecedor de suas limitações. Foi desenvolvendo alguns sintomas arrogantes e se achando grandioso. Uma patologia talvez desenvolvida para se defender das frustrações e da baixa autoestima. 
Começou a surrupiar detalhes das obras que tinha acesso e criar uma espécie de salada, misturando características de pessoas que sobressaíram de alguma forma no meio artístico e clichês superficiais que serviam para qualquer coisa. 
Foi crescendo e aumentando seu acervo de imitações de pequenos pontos roubados aqui e ali. 
Não perdia uma chance de aparecer. Qualquer podcast que o chamasse, por mais ridículo que fosse, era abraçado como uma oportunidade de mostrar a colcha de retalhos copiados que chamava de sua grande e diversificada obra. Dizia que era uma forma de ocupar espaços. Conseguia deturpar conceitos sólidos, distorcendo os significados até caberem em seus interesses egocêntricos.
-Como você me descobriu aqui? 
-Peguei algumas dicas que você me deu em nossas conversas e fui me informando. Não é difícil descobrir o paradeiro de alguém de fora nesse cu de mundo em que você se meteu. 
-E o que você faz por estas bandas? 
-Estou divulgando meu novo trabalho pela região, tinha agenda em uma cidade vizinha e aproveitei para dar uma passada. 
-Do que se trata esse novo trabalho? 
-Algo bem conceitual, que mistura minhas influências simbolistas e concretas, trazendo o abstrato e a psicodelia hippie junto com a crônica suburbana punk e a resistência periférica RAP. Algo que reúne barulhos psíquicos, cinema revolucionário e arte rupestre de alta tecnologia. Cultura esotérica e escatologia interagindo de forma harmônica e singular.
Que capacidade verborrágica de falar falar e não dizer nada. Era um especialista em apresentar tudo que já existe como algo inteiramente novo. 
E continuou:
-Tem fotografia coberta com tinta óleo e aquela aplicada a superfícies Inusitadas. Pirotecnia e audiovisual no mesmo espaço. É a união do meu trabalho no campo do design gráfico sem perder minha veia de artista plástico. 
-Artista de plástico. 
-O que você disse? 
-Não disse. 
Mal acabei de responder e ele começou a falar sobre suas participações em programas internéticos e a importância de se estar antenado nas novas tecnologias. De como as redes sociais são...
-Acho isso tudo uma merda. 
Eu e minha boca grande. Agora ele começou a me soterrar com uma fala cansativa e insistente sobre como me saboto estando fora dos meios digitais e de como o virtual... Bla bla bla... 
-Sempre achei a vida chata, mas atualmente ela tem sido pior que nunca. - Pensei em voz alta
-Que nada, cara. A vida é um tesão! 
Ele tinha um jeito idiota de falar, sempre tentando ser o descolado, o diferentao. Que figura cansativa e irritante. Um egocêntrico que usa palavras como coletivo apenas para se travestir de revolucionário. Até um diálogo vira um monólogo com o senhor umbigo. 
Tentei mudar de assunto e perguntei como ele fazia para produzir tanta coisa ao mesmo tempo. 
-Inteligência artificial, cara. Tanto meus últimos quadros, quanto meu último cd são frutos da interação com a inteligência artificial. 
-Então é a máquina produzindo, não você. 
-Mas as ideias saem todas da minha cabeça. 
-Ideia todo mundo tem, mas o artista se diferencia exatamente pela habilidade de organizar essas ideias e trazê-las para o mundo concreto. 
-Ah.. Você sofre muito com bobagem. Isso é detalhe. Agora comprei um aparelho que vou falando e ele escreve. 
-Então a máquina é o escritor? 
-Isso é economia de tempo. Ela escreve o que estou dizendo. Daí não tenho de perder tempo escrevendo. 
-Primeiro vieram os escritores que não gostavam de ler, agora os que acham perda de tempo escrever. Realmente prefiro ficar fora dessa tal evolução. 
... 
E assim caminha a coisa. O cara que nunca criou e sempre copiou, agora nem precisa fazer. Deve ser realmente um mundo maravilhoso para esse tipo de gente.

 Por Fabio da Silva Barbosa

Foz do Iguaçu - PR
Outubro de 2025


sábado, 11 de abril de 2026

ARQUIVOS EXPLÍCITOS - TEMPORADA 5 - DE FÉRIAS NO INFERNO #17

 

-E aí? Tá quieto hoje. Nem arrumou confusão com ninguém ainda.
-Tentando relembrar todos os detalhes dessas minhas férias no inferno. 
Preciso registrar o máximo para a coluna. 
O que aconteceu e o que inventei.
-Qual a diferença?
-Nenhuma.
-Nenhuma?
-Nenhuma.
-Então?
-Então o que?
-Não sei.
-Não sei o quê?
-Não aei de nada.
-Isso é bom.
-Não sei.
-Acha que vai vir alguma coisa melhor depois?
-Não sei. Difícil acreditar.
-Não sei.
-Isso é bom.
-Não sei.

 Por Fabio da Silva Barbosa

Foz do Iguaçu - PR
Outubro de 2025

segunda-feira, 30 de março de 2026

ARQUIVOS EXPLÍCITOS - TEMPORADA 5 - DE FÉRIAS NO INFERNO #16

Tosco chegou e o portão estava encostado. Deslizou para dentro e vestiu o manto da invisibilidade até o quarto onde Trava e Estranho já estavam a mil. Ambos fizeram sinal de silêncio e apontaram para o prato onde a linha estava esticada. 
-É a última. Tava só te esperando. - Sussurrou Trava desviando os olhos do vídeo porno que rolava na TV. 
Estranho caminhava de um lado para outro esfregando as mãos e olhando para todos os lados, como se procurasse algo. 
Tosco não perdeu tempo e aspirou todo o pó. 
-Tem cigarro? - Perguntou Estranho entre os dentes. 
Tosco tirou a carteira de cigarros baratos do bolso e atirou sobre a mesa. Trava e Estranho se lançaram sobre o maço. Conferiram quantos tinham e chegaram a conclusão que era melhor pegar um e dividir para durar mais, já que existiam poucos e a noite estava só começando. 
Estranho acendeu o cigarro, olhou para o teto e para o chão. Em seguida encarou a parece que dava para a pequena janela e se aproximou dela. Apontou para algumas marcas bizarras que formavam uma trilha. Eram pegadas de algum animal não identificado que parecia ter escalado a parede até a janela. A janela dava para uma espécie de cômodo cheio de coisas velhas amontoadas. 
Depois de certo tempo com os três analisando e tentando descobrir que tipo se bicho seria, Trava comentou que a proprietária ainda não tinha ido dormir e que precisavam fazer silêncio. 
Estranho perguntou se tinha mais cocaína e Trava balançou a cabeça negativamente. 
-Mas tenho um pouco de maconha. 

Estranho voltou a esfregar as mãos, demonstrando ter gostado da informação fornecida por Trava.
 
Tosco deu um peido e sentiu a cueca pesar. O cheiro de carniça preencheu o ambiente. Na TV, o porno continuava a rolar.

 Por Fabio da Silva Barbosa

Foz do Iguaçu - PR
Outubro de 2025

quarta-feira, 18 de março de 2026

ARQUIVOS EXPLÍCITOS - TEMPORADA 5 - DE FÉRIAS NO INFERNO #15

 

Ele já estava muito louco e vinha cambaleando. Entrou em algumas ruas erradas, mas acabou, em um daqueles acasos que ajudam aos doidões, achando o caminho de casa. Esfolou o ombro em muros que repentinamente vinham em sua direção. O calor estava intenso e nuvens de mosquitos, entre outros insetos, atacavam impiedosamente. Não via a hora de chegar no insalubre quartinho que alugou por quase nada. Tirando o fato de ter de dividi-lo com hordas de pulgas, percevejos, baratas, ratos, carrapatos e outros componentes da fauna local, até que não era dos piores lugares onde já morou. Esperava que, aquela hora, o pequeno banheiro que dividia com os outros 30 moradores do velho casarão estivesse desocupado. Um banho talvez o livrasse do mal estar e o deixasse dormir em paz. Enxugou o suor da testa que já estava grudenta, aproveitando para dar uma cheirada no sovaco e conferir o terrível cheiro que exalava. De repente ouviu um grito de horror que vinha da direção para onde estava indo. Sorriu pensando que o mundo era um lugar realmente hostil e assustador para os despreparados. Por isso muitos preferiam ficar trancados em casa com seus medos e programas de tv alienantes. Mas ele fazia parte de outro tipo se gente. Ele era um dos que não estavam nem aí. A tribo dos nem aí. Sua cabeça suicida o impulsionava sempre rumo ao perigo. Correr risco era uma espécie de esporte estimulante. Desprezava totalmente as bolhas de conforto e as zonas de segurança. Gostava da corda bamba, de bailar na beira do precipício, de se debruçar nos abismos e apreciar os cadáveres despedaçados lá em baixo. Passou por um cara descalço, com uma camisa de botão aberta e a calça dobrada até o meio da canela. Os cabelos e a barba com os fios grudados de sujeira. O sujeito olhou para ele de forma ameaçadora, deu um gole na cachaça e disparou"Não encosta em mim, se não enfio uma faca no seu coração" Ele retribuiu com um sorriso e deu boa noite. Mais adiante olhou para trás, mas o cara já tinha sumido. Continuou a andar pela rua escura e completamente deserta naquela hora da madrugada. Um cachorro saiu da escuridão e tentou morder sua perna. Que bicho sinistro. Parecia a pior das bestas demoníacas. 
Deu um pulo para o lado, abaixou e catou uma pedra. Ameaçou lançar contra o animal que recuou, mas continuou a latir e rosnar ameaçadoramente. Ao ficar a uma distância segura, jogou a pedra fora e continuou a andar. Chegou em casa e foi direto para o banheiro. Haviam dois na fila. Coçou a cabeça e lembrou que não identificou de onde veio o grito que parecia estar em seu caminho.

Por Fabio da Silva Barbosa
Foz do Iguaçu - PR
Outubro de 2025

sábado, 7 de março de 2026

ARQUIVOS EXPLÍCITOS - TEMPORADA 5 - DE FÉRIAS NO INFERNO #14

 

Mais uma vez a depressão toma o velho corpo de assalto. Fica o cadáver vivo atirado pela cama. 
Sempre costumo comparar a depressão a um animal selvagem, carnívoro, que depois de tirar um bom naco de sua carne, gosta do sabor e fica a espreita, esperando a oportunidade para degustar mais um pedaço, rodeando a presa. Salivando, com água na boca. 
Se você não estiver esperto, sucumbe no primeiro bote, na primeira bocada.

Por Fabio da Silva Barbosa
Foz do Iguaçu - PR
Setembro de 2025


sábado, 28 de fevereiro de 2026

ARQUIVOS EXPLÍCITOS - TEMPORADA 5 - DE FÉRIAS NO INFERNO #13

 

Na mesa:
O pai, a mãe e o filho comiam a janta obrigatória em família.
Na TV, o apresentador com ar indignado fazia seu teatro  enquanto falava sobre a apreensão de drogas que aconteceu no dia anterior. Um caminhão carregado ia na direção de um bairro.periferico.
Enquanto vociferava sua cartilha moralista patética, pensava que o preço da cocaína iria subir. Impressionante como mesmo com o rabo cheio de grana, o espírito sovina ainda guiava seus pensamentos.
O pai encheu o copo de cerveja, acendeu um cigarro e  proclamou que agora esses drogados iam ver uma coisa. Depois de virar o copo, respirou fundo e rosnou seu ódio contra os "malditos drogados".
A mãe deu apoio ao pensamento paterno, terminou o jantar e tomou alguns comprimidos para dormir. Deu um gole no vinho para ajudar a descer.
O filho, pensativo, concluiu que o pior cego é o que não consegue se ver no espelho.

Por Fabio da Silva Barbosa
Foz do Iguaçu - PR
Setembro de 2025

sábado, 21 de fevereiro de 2026

ARQUIVOS EXPLÍCITOS - TEMPORADA 5 - DE FÉRIAS NO INFERNO #12

 

- E aí? Gostando dessa temporada por aqui? É um lugar bem tranquilo. Uma cidade pequena, da paz, bastante verde, natureza... 
- Sim... Mosquito pra cacete, insetos mil, bichos peçonhentos, tédio, rotina, monotonia... O reino da apatia.
- Com o tempo você acostuma. É uma cidade gostosa. 
- Não é de todo ruim, mas sinto falta da boa e velha aglomeração, pessoas mal humoradas se acotovelando pelas calçadas, buzinas, engarrafamentos, poluição... A boa e velha hostilidade ornando o caos cotidiano... O não saber o que pode acontecer no minuto seguinte... Nenhuma bolha de conforto ou zona de segurança para amolecer nossa bunda até virar um mingau azedo de diarréia e chorume... 
- Mas paz, conforto e segurança não é o que todos queremos? 
- Eu não. Me apavoro só de pensar em algo assim. Tenho completo horror. Nojo... Asco... Repulsa... Seria a eterna repetição do nada absoluto. A roda do ratinho na gaiola. Uma vida onde a maior dúvida é escolher entre seis e meia dúzia. Onde o maior risco que se pode correr é andar de bicicleta depois de bêbado e ralar a cara no asfalto. Sinceramente... Isso não me serve. 
- Já eu.... Não conseguiria morar em um lugar tumultuado assim. 
- Cada um com seu cada dois.

Por Fabio da Silva Barbosa
Foz do Iguaçu - PR
Setembro de 2025

sábado, 7 de fevereiro de 2026

ARQUIVOS EXPLÍCITOS - TEMPORADA 5 - DE FÉRIAS NO INFERNO #11

 

Nego Liso trás mais uma dose do ótimo e barato conhaque Paraguaio. 
Lembro de Paulinho Honesto, Marujo, Doença, Pedro Banha, Índio Louco, Raquel, Roberta, Churros... Tanta gente e tantas histórias. Muitas passagens. Estas férias no inferno estão sendo fundamentais para pensar, lembrar, refletir... Meditar... Por as coisas frente a frente e deixar as ideias digladiarem a vontade. Como crianças rebeldes se divertindo ao perturbar a ordem vigente e imposta como única possível. Está sendo importante para ajeitar o quebra cabeças há muito bagunçado. Perceber as peças que faltam e as que estão postas diante dos meus olhos fechados.


Por Fabio da Silva Barbosa
Foz do Iguaçu - PR
Setembro de 2025


sábado, 31 de janeiro de 2026

ARQUIVOS EXPLÍCITOS - TEMPORADA 5 - DE FÉRIAS NO INFERNO #10

 

Foi escorando no muro até chegar ao seu portão. Posicionou-se bem de frente para a fechadura e começou a procurar a chave em seus bolsos.
A eternidade se passou até encontrar a chave. Fechou um dos olhos, ajeitou a chave na mão e mirou bem. Ao esticar o braço para encaixar a chave na fechadura, sua mão acabou passando entre as grades e a chave caiu do lado de dentro.
Ele, então, olhou para o lado e questionou:
-Você acha que não sei exatamente o que estou fazendo?

Por Fabio da Silva Barbosa
Foz do Iguaçu - PR
Setembro de 2025

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

ARQUIVOS EXPLÍCITOS - TEMPORADA 5 - DE FÉRIAS NO INFERNO #9

 

-Estou a mando.
-Se apaixonou?
-Estou a mando do Capeta.


Por Fabio da Silva Barbosa
Foz do Iguaçu - PR
Setembro de 2025


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

ARQUIVOS EXPLÍCITOS - TEMPORADA 5 - DE FÉRIAS NO INFERNO #8

 

     O Grande J era um especialista na arte de sobreviver sem emprego. A simples ideia de uma carteira assinada, um chefe, hora marcada e coisas do tipo, o fazia ter calafrios de nojo. Então estava inteirado em todos os pequenos golpes e brechas do sistema que permitissem uma vida com o suficiente para pagar seu quartinho e por comida na geladeira, além de seu estoque de cerveja e bebidas destiladas. Maior que seu amor pela liberdade, só mesmo sua sede.
Como de hábito, ligou-me tarde da noite.
-Fala, meu amigo. Afim de vir aqui em casa para tomar uns goles? - Grunhiu a voz ébria, com a língua pastosa tropeçando em si própria.
-Aguenta firme, parceiro. Estou a caminho.
A casa dele ficava algumas quadras abaixo. Enquanto caminhava pela rua mal iluminada, pensava que o Inferno até que não era um local tão ruim. O ser humano é realmente muito adaptável. Aos poucos vamos conhecendo as pessoas e lugares certos.
Tirando alguns cachorros que apareciam do nada tentando arrancar um naco da minha perna, foi uma caminhada tranquila para pensar e aproveitar o clima agradável que a noite criava. O calor infernal que fazia desde minha chegada, enfim deu uma trégua.
Cheguei perto do portão e gritei baixinho pro Grande J saber que eu já havia chegado.
Diante da demora, gritei um pouco mais alto. Após mais algum tempo, ele apareceu cambaleando pelo quintal. Veio até o portão com ar desconfiado. Parecia não estar me reconhecendo. Apenas quando chegou bem perto abriu um sorriso.
-Seu grande filho da puta... - Cumprimentou em um tom de voz alto demais para o horário.
-Penseique já tinha pegado no sono. - Comentei em um tom de voz baixo.
Mal acabei de falar, Grande J olhou em volta e fez sinal de silêncio. Abriu o portão após muita dificuldade em acertar o buraco da fechadura. Ao entrar, senti seus grandes braços me dando uma gravata, em um abraço sufocante.
-Seu grande filho da puta... - Comemorava enquanto me arrastava pelo quintal com o braço ainda em volta do meu pescoço.
 - Seu grande filho da puta... - Continuava a gritar até chegarmos em seu quartinho, a terceira porta do quintal (Só um parenteses: O que convencionamos a chamar de quintal, estava mais para um longo corredor a céu aberto, por onde todos passavam para chegar ao seu cubículo)
-Olha o barulho, seu velho bêbado. Tem gente que trabalha amanhã cedo. -;Antes de entrarmos, ouvimos uma voz gritando de algum dos quartos que vinham na sequência.
Grande J pensou em retrucar, mas o puxei para dentro e fechei a porta.
-Não liga para estes fodidos.
O quarto de Grande J mal dava para caminhar.  Em uma das paredes ficava a cama que também servia de sofá, na da frente um pequeno roupeiro caindo aos pedaços, na que dava de frente pra porta uma pequena geladeira caindo ais pedaços. Entre as roupas e demais pertences espalhados pelo chão, haviam garrafas de bebidas variadas e latas de cerveja amassadas. Grande J começou a inspecionar cada garrafa em busca de algo que tivesse sobrado. Virou uma sobre a língua estendida, mas não caiu mais que uma gota. Olhou em volta procurando alguma solução. De repente pareceu lembrar de algo importante. Olhou em baixo da cama, fez que sim com a cabeça e meteu a mão para buscar o tesouro encantado. Um grande pote de vidro cheio de cachaça com umas frutinhas que não consegui reconhecer o que eram.
Deu um super gole no proprio pote, deixando escorrer um pouco do líquido pelo queixo, rolando pelo pescoço e molhando a gola da camisa. Passou o braço pela boca, na tentativa de enxuga-la. Em seguida me passou e sorvi a bebida apenas em quantidade suficiente para sentir o sabor forte e marcante.
-Bebe essa merda direito, rapaz. - Ordenou de forma ameaçadora.
Esquivei-me do movimento que fez, como se fosse me dar um tapa. Mas ele parou o movimento no ar e abriu um sorriso. O suposto tapa virou um abraço e ele beijou o topo da minha cabeça.
-Você é meu irmão, porra! - Sentenciou como quem fala uma verdade universal.
Um barulho se fez ouvir no portão que dava pra rua. Ele fez menção de levantar, mas teve dificuldades. Pedi que deixasse que eu mesmo veria o que era e passei o pote de volta pra ele.
Abri a porta e dei uma boa olhada para o portão. Logo reconheci a Baiana tentando pular pra dentro. Fiz sinal para ela esperar e me virei pro Grande J, pensando em informar sobre o que se tratava, mas desisti quando vi o cara virar o pote em um gole que não acabava nunca. Ele e o pote eram um só. Não dava para saber quem estava bebendo quem.
Peguei a chave e fui abrir antes que ela fizesse mais barulho aquela hora. J estva prestes a ser despejado devido aos constantes distúrbios que causava no lugar e não precisava que acelerassemos o processo.
Mal abri o portão, ela já entrou pelo pátio a dentro, falando e gesticulando bastante. Não parava quieta. Enquanto mexia as mãos sem parar, os pés sapateavam de um lado para outro. O corpo inteiro era puro movimenro. Estava com um vestido preto bonito, decotado e curto.
Logo após apetar minha mão, perguntou se tinha um cigarro. Respondi que não, que estava duro e ela disse que achava ter um na bolsa. Abriu a pequena bolsa que estava pendurada em seu ombro e tirou várias calcinhas e sutiãs de dentro. Tinha um colã  no meio também. Tudo com muito brilho. Parecia material para uma apresentação, algum tipo de espetáculo. De repente, enquanto observava o material que estava sendo espalhado pelo chão, me deparei com os chinelos de borracha e os pés ossudos e encardidos. Subi os olhos até o vestido e apreciei todo o conjunto do contraste.
Nisso, ela tira uma carteira de cigarros amassada de dentro da bolsinha.
-Achei.
Tinha exatamente dois cigarros.
Após deliberarmos um tempo sobre a questão e analisarmos filosoficamente sob vários aspectos e pontos de vista, chegamos a conclusão que o melhor a ser feito, de acordo com a situação e as pessoas envolvidas, seria dividirmos um e guardar o outro pra mais tarde. Els acendeu o cigarro. Voltei a olhar pras coisas espalhadas no chão. Só podia ser uma espécie de show. Uma performance, talvez. Me deparei novamente com aqueles pés encardidos.
Daí escutei uma voz lá longe. Olhei pro rosto de Baiana e ela contava uma história complicada sobre ter levado uma facaozada nas costas. Daí se virava e mostrava a marca exata, o desenho perfeito da lateral de um facão.
-Isso é coisa de piranha invejosa! - Berrava no corredor.
Sugeri que de repente fosse melhor entrarmos , devido o avançar das horas e o barulho que estava sendo feito. Ela se abaixou e começou a socar os objetos que estavam espalhados pelo chão dentro da pequena bolsa, enquanto repetia a história da confusão. Sempre acrescentava uma coisinha aqui e alterava outra ali.
Quando entramos no quarto do Grande J, ela ainda lutava com as peças de roupa.
A primeira coisa que J fez ao vê-la entrar, foi pedir pra falar baixo. Não sei se foi exatamente o que ele disse, pois ele  já não articulava muito bem as palavras, menos ainda os pensamentos, mas foi o que entendi dos frenéticos movimentos feitos com as mãos.
Ela o abraçou e deu um beijo em seu rosto. Ele apertou a bunda dela. Baiana não fez caso e foi até a geladeira, pegou três latas de cerveja, entregou uma para mim, outra para ele e abriu a dela. Começou a contar pro Grande J sobre a história da briga.
-A piranha não perde por esperar. Vou matar aquela vagabunda!
-Você não mata ninguém! Só sabe falar! - Ou, pelo menos, foi o que achei que ele disse. Com as mãos continuava a pedir pra ela falar baixo.
-Olha a marca. - Dizia mostrando as costas sempre que acabava de repetir a história.
-Atup ad alhif. - Respondia Grande, fazendo lembrar aquele velho disco da Dorsal.
-Não tem uma cachaça aí não?
-Acabou. - Conseguiu enfim dizer depois de muito sacrifício, chutando em seguida o pote de vidro que jazia vazio no chão. Ela então reparou nas garrafas vazias pelo chão.
-Mas você bebeu tudo? - Perguntou Baiana sapateando de um lado pra outro, enquanto o resto do corpo convulsionava involuntariamente
-Eta meu, merda! - Ou foi mais ou menos essa a mensagem.
-Deixa de ser pão duro. Você tem uma garrafa escondida por aí.

Por Fabio da Silva Barbosa
Foz do Iguaçu - PR
Setembro de 2025

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

HEAVY SESSIONS - ANTROFORCE E COMANDO ETÍLICO EM NATAL/RN. DATA: 28/11/2025

Abaixo mensagem divulgada pela produção do evento.

HEAVY SESSIONS 

Uma sexta de muito metal e álcool para os verdadeiros!

De SP, primeira vez em Natal, os maniacos e rápidos, *Antroforce (SP)*!

Tambem, não pela primeira vez na casa, mas LANÇANDO o seu novo Full Álbum, *"FLAGELO"* (https://youtu.be/N0vdBEgJ8OA), o Comando Etílico (RN)!

Fechando a noite com as lendas do Heavy Metal Potiguar, *Sodoma* (RN)!



DATA: 28/11/25
LOCAL: Backstage Bar.
A partir das 21h.

Fonte
Backstage Bar 

FILHOS DO CÃO #3 - DATA: 13/12/2025 - BACKSTAGE BAR - NATAL/RN

Abaixo mensagem divulgada pela produção do evento.

E segure mais essa novidade, no Backstage também tem filho do cão.

@macaiba.underground espalhando a palavra no Brasil 

Isso mesmo, filhotes do Tinhoso, esse ano o Filhos Do Cão terá dois dias, dia 13 (sábado) de dezembro aqui conosco, e o dia 14 (domingo) em Macaíba, lá na praça da Saudade, de frente ao cemitério.

Backstage Day 13/12/25

Huma
NEGOCAIOSBAND
Swards 
Confounded (PE)
Venomous Breath (PB)

START: 19h 


E @brunoarted metendo os dedo aí nesse cartaz (isso quer dizer que ele quem fez

Fonte
Backstage Bar

FACADA e ALKYMENIA EM NATAL/RN. DATA: 29/11/2025. Backstage Bar.

Abaixo mensagem divulgada pela produção do evento.

QUE MÊS TRUCULENTO É ESSE? 

NOVEMBRO DE VOADORA NA CAIXA DOS PEITO, OU MELHOR, DE FACADA NA GOELA!

ISSO MESMO, LANÇAMENTO DO “TRUCULENCE”, ÚLTIMO MATERIAL DO FACADA LÁ NO BACKSTAGE. 

Festinha começando às 23h, e as bandas destruindo madrugada a fora, a partir das 1:30.

*PRIMEIROS 25 INGRESSOS 20 CONTO*

Atrações: 
1:30 - Nervo de Porco
2:30 - FACADA (CE)
3:30 - Alkymenia (PE)

Local: Backstage Bar (Rua Ulisses Caldas, 144. Cidade Alta.)

Data: 29/11

*PRIMEIROS 25 INGRESSOS 20 CONTO*



ARTE CARTAZ DESIGNER E PACIÊNCIA PRA FAZER TREZENTOS POR DIA: @desenhotroncho

Fonte
Backstage Bar 

 

terça-feira, 4 de novembro de 2025

ALCOHOLIC VOMIT FEST XIII - DATA: 08/11/2025 - FORTALEZA/CE

Fonte Pesquisa Music Reunion 

ENFORCER EM SÃO PAULO. Data: 07/02/2026.

O ENFORCER retorna ao Brasil em 2026 como uma das principais referências do heavy metal contemporâneo. Desde o início dos anos 2000, o grupo sueco consolidou-se como o nome central do movimento que resgatou o heavy metal tradicional em escala global. Com 6 álbuns na bagagem - sendo o último o elogiado "Nostalgia", lançado em 2023 - o ENFORCER já tem clássicos de sobra pra incendiar a @burninghousesp 🔥

A noite também marca o lançamento de “CREATURES II”, novo e aguardado álbum do CREATURES, uma das bandas mais promissoras do heavy metal brasileiro.

🎟️ INGRESSOS À VENDA

🗓️ DATA: 07 de Fevereiro de 2026
🕐 HORÁRIO: 19h
📍 LOCAL: @burninghouse.sp
Av. Santa Marina, 247 - Água Branca, São Paulo - SP.

Artwork: @antunes.ttt 

#heavymetal #nwothm #enforcer #creatures #speedmetal #hardrock

Fonte Caveira Velha Produções 

ANTROFORCE: Confira as datas da ANTROPORCAOS NORDESTE TOUR 2025.

Fonte
Pesquisa Music Reunion 
 

Fanzine Escrituras do Submundo #4 será lançado em breve.

O fanzine Escrituras do Submundo é um artefato dedicado às publicações transgressoras.
Em breve será lançada a quarta edição, no formato A5 e em fotocópia, com 52 páginas, apresenta um texto de Reinaldo Zonta e entrevistas com os zines PORTAL DO INFERNO, REVELAÇÕES ABISSAIS, KILLER MAGAZINE, DESGRAÇA ZINE e UNITED FORCES.

Fonte
Sepulchral Voice Zine

1° EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE FANZINES DE SÃO PAULO. DATA. 07/03/2026 - ARENA GALERIA.

Fonte
Pesquisa Music Reunion 

ALIANÇA ABISMAL 2° ATAQUE. DATA: 18/04/2026 - ARACAJÚ/SE.

Fonte
Pesquisa Music Reunion 

Mundo Bzzarro Extreme Sessions #3 - Data: 14/11/2025 - Vila Velha/ES.

Fonte Mundo Bzzarro 

ANTROFORCE EM RECIFE/PE. DATA: 29/11/2025

Fonte
Pesquisa Music Reunion 

ENFORCER – Unshackle Latin America 2026. Confira as datas.

🇧🇷 Uma das principais forças do heavy metal do século XXI, ENFORCER anuncia sua nova ofensiva pela América Latina. A turnê “Unshackle Latin America 2026” atravessa 8 países em 12 cidades, reafirmando a solidez e a fúria de uma das bandas mais influentes e consistentes da era moderna do heavy metal tradicional.

🇪🇸 Una de las principales fuerzas del heavy metal del siglo XXI, ENFORCER anuncia su nueva ofensiva por América Latina. La gira “Unshackle Latin America 2026” atraviesa 8 países y 12 ciudades, reafirmando la solidez y la furia de una de las bandas más influyentes y consistentes de la era moderna del heavy metal tradicional.

DATAS / FECHAS

04.02 – Córdoba | Argentina
05.02 – Buenos Aires | Argentina
07.02 – São Paulo | Brasil
08.02 – Curitiba | Brasil
10.02 – Montevideo | Uruguai
12.02 – Santiago | Chile
13.02 – Lima | Peru
14.02 – Bogotá | Colômbia
15.02 – Medellín | Colômbia
17.02 – Quito | Equador
19.02 – Monterrey | México
20.02 – Guadalajara | México
21.02 – Tijuana | México
22.02 – Ciudad de México | México

Artwork: @antunes.ttt 

Press:
comunica@caveiravelha.com

Info:
caveiravelha.com
xaninhodiscos.com.br
solidmusice.com
dragon-productions.eu

Fonte
Caveira Velha Produções 

 

AMBUSH EM SÃO PAULO. Data: 09/11/2025

Abaixo mensagem divulgada pela produção do evento.

Um dos maiores nomes da NWOTHM, AMBUSH está de volta ao Brasil 🗡️

Lançando o quarto álbum "Evil in All Dimensions", os guerreiros suecos se apresentam na Jai Club e prometem mais um show eletrizante, cheio de clássicos de todas as fases da banda. A abertura fica por conta de duas forças do metal brasileiro: HELLWAY TRAIN (MG), que realiza o encerramento da bem sucedida turnê que percorreu todas as regiões do país e CLENCHED FIST, veteranos do heavy metal paulistano, divulgando o mais recente e excelente álbum "Máquina Letal".

🎟️ INGRESSOS: 

🗓️ DATA: 9 de Novembro de 2025
🕐 HORÁRIO: Domingo
📍LOCAL: @jaiclub
Rua Vergueiro, 2676 - Vila Mariana, São Paulo/SP

#heavymetal #ambush #nwothm #hellwaytrain #clenchedfist

domingo, 26 de outubro de 2025

Open The Coffin: Novo álbum "Once Alive Always Dead" disponível para Streaming. Confira também o single Zombified.

 

Disponível nas plataformas digitais o novo álbum do Open The Coffin intitulado Once Alive Always Dead. Em breve o material físico estará disponível via Black Hole Productions. Ouça agora!

Assista o clipe single 'Zombified' , som que integra o novo álbum "Once Alive Always Dead"

https://www.youtube.com/watch?v=FiHRNGHN34w


Confira também o episódio #1 do NecroCast com Open the Coffin

NecroCast, é o podcast oficial do Necrotério Fest, o primeiro festival temático de Halloween dedicado ao Metal Extremo no Nordeste.

OUÇA AQUI

Fonte

Pesquisa Music Reunion