Metal Reunion Zine

Blogzine fundado em 2008. Reúne notícias referentes a bandas, artistas, eventos, produções, publicações virtuais e impressas, protestos, filmes/documentários, fotografia, artes plásticas e quadrinhos independentes/underground ligados de alguma forma a vertentes da cultura Rock'n'Roll e Heavy Metal do Brasil e também de alguns países que possuem parceiros de distribuição do selo Music Reunion Prod's and Distro e sua divisão Metal Reunion Records.



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domingo, 26 de outubro de 2025

Navalha na Carne Extra #2 - O Tudo ou Nada Mimado, Cruel e Indecente — Uma explanação sobre o fascismo tupiniquim. O Golpe 2.0.

Mais um Navalha na Carne Extra, que pensei em não publicar. Mas melhor ficar aqui do que ser apagado.

Desde que a extrema direita perdeu as eleições em 2022, o Brasil mergulhou numa sucessão de episódios tão reveladores quanto vergonhosos. Para os que compreendem os sinais, e até para os analfabetos políticos e desavisados, ficou evidente que os derrotados não são apenas maus perdedores: são perigosos. Muito perigosos.

O desespero diante do adiamento de um projeto de poder explicito e egocêntrico, seja ele fascista, elitista ou teocrático, neopentecostal, separatista e preconceituoso ou apenas um projetinho nazista a brasileira, vem sendo escancarado muito antes do 8 de janeiro de 2023. Planos de terrorismo, tentativas de explodir caminhões de combustível nas imediações do aeroporto de Brasília, esquemas para assassinar o presidente, o vice e ministros da Suprema Corte, ameaças de fechamento das instituições democráticas, exigência de nova eleição, sabotagem sistemática nas votações do Congresso, ainda que em pautas voltadas ao bem-estar da população mais pobre, fazem parte do script.

A oposição radical e corrompida mente com desfaçatez. Constrói narrativas fictícias, usa redes sociais como armas de desinformação, e protagoniza uma guerra política jamais vista na história brasileira. Perder uma eleição nunca foi tão insuportável para os falsos bastiões da moral e da família. A máscara de salvadores caiu. Negar o resultado das urnas é uma tática conhecida — vista em outros cantos do mundo — que, quando aplicada, acende os estopins de guerras civis e ditaduras.

Agora, em 2025, enquanto enfrentamos impactos econômicos e incertezas geopolíticas, testemunhamos representantes do povo auto-exilando-se sob o pretexto de perseguição política. No exterior, articulam campanhas contra o governo democraticamente eleito, tentando evitar que seu “garoto-propaganda” — o fascista tropical — ocupe o lugar que deveria ter ocupado desde o início: o banco dos réus. Mimado, negacionista, golpista.

O “tudo ou nada” à brasileira parece mais um plano da CIA em parceria com uma ABIN paralela, empenhados no controle de uma região estratégica para os interesses dos Estados Unidos e seus satélites. Terras raras, os BRICS, o avanço do Pix, a soberania digital, e o julgamento de Bolsonaro transformaram-se em peças centrais dessa geopolítica disfarçada de cruzada moral.

A mais nova cereja do bolo? A taxação de 50% sobre produtos brasileiros imposta pelos EUA. Uma chantagem velada, disfarçada de medida econômica, que visa pressionar o governo brasileiro a anistiar golpistas, criminosos e terroristas políticos. O impacto será direto: milhares de empregos perdidos, aumento da insegurança alimentar e econômica, especialmente entre os trabalhadores. Mas a extrema-direita, insensível e hipócrita, pouco se importa em quebrar os ovos — desde que o omelete sirva aos seus próprios pratos.

Não se importam com o país. Nem com o povo. O projeto é claro: o caos como escada, o sofrimento como ferramenta, a desinformação como evangelho. Enquanto isso, a população é bombardeada com imagens de protestos confusos, trios elétricos decorados com bandeiras de Israel e dos EUA, líderes neopentecostais berrando por anistia a delinquentes e partidos políticos transformando o Congresso em balcão de chantagem.

O roteiro é conhecido: desestabilizar o governo, provocar colapso econômico, aprovar um impeachment baseado em fake news, reverter cassações de parlamentares da direita suja, anistiar criminosos — como fez Donald Trump em seu primeiro dia de mandato — e tornar elegível o mascote do fascismo brasileiro: um Mussolini de chinelo, grotesco e risível, mas perigosamente funcional.

Tudo isso é um novo golpe, camuflado em múltiplas narrativas, mas que, somadas, revelam um remake ainda mais cínico do impeachment de Dilma Rousseff. Um espetáculo com maior hipocrisia, veiculado em horário nobre por emissoras que já fecharam com a extrema-direita. TVs que recebem gordas verbas públicas por meio de partidos políticos, que agora funcionam mais como agências de publicidade do ódio do que como veículos jornalísticos. As pautas sumiram. Restaram os briefings.

A intenção é uma só: destruir a imagem do governo, abrir caminho para o retorno de um regime ultraconservador, fascista, neopentecostal, a serviço dos lucros imorais do agronegócio e dos senhores da guerra política. Está tudo declarado, às claras. Eles não têm mais pudores — acreditam, com razão parcial, que estão lidando com uma massa analfabeta, preguiçosa, que não lerá um texto como este até o fim. E é nesse vácuo de leitura crítica que nadam de costas, livres, rumo ao golpe 2.0.

É o retorno planejado de militares, políticos corruptos, latifundiários e líderes religiosos ao comando do país, mesmo que isso custe o retrocesso absoluto, a intolerância institucionalizada, a repressão cultural e, talvez, um novo golpe militar — legitimado por tribunais comprometidos nos bastidores com a sabotagem democrática.

Em resumo: o vitimismo disfarçado de patriotismo, a manipulação midiática, as mentiras repetidas à exaustão, têm um único objetivo — o impeachment de Lula e a reabilitação política de Bolsonaro. Uma farsa travestida de democracia. Um teatro onde somos plateia e figurantes ao mesmo tempo. Mas, no roteiro desta peça grotesca, não temos direito algum de interferir no desfecho.

Se vamos sorrir ou chorar no fim, já sabemos: quem é trabalhador, LGBTQIA+, estudante, negro, quilombola, indígena, adepto de religiões não cristãs, ou simplesmente um ser pensante... já recebeu a resposta.

Por Alexandre Chakal
Num inverno morno de 2025, um dia após ver brasileiros empunhando bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, agradecendo por sanções contra seu próprio país.

sábado, 27 de setembro de 2025

Navalha na Carne Extra - As Horas da Recusa - O voto que iluminou a utopia da anistia dos fascistas e seus fantoches.

 

Outro Navalha na Carne Extra, que escrevi, engavetei e quase não posto aqui. Mas...

Após lançarmos o livro Navalha na Carne - Escritos Desagradáveis & desinteressantes, em julho de 2024 e encerrarmos esta coluna, ficou a dúvida se muitos dos textos publicados aqui e que deram origem a um livro de 200 páginas, teriam sido em vão.

Afinal, 2025 nos mostrou que a extrema direita brasileira e fascista, continua atuando nas casas parlamentares de forma muitas vezes até brutal. A impressão que tenho, como eleitor e cidadão, é que parlamentares do Congresso e do Senado alinhados ao bolsonarismo, deixaram claro em suas condutas este ano, que são péssimos perdedores e inimigos do Estado democrático de direito.

 Tentativas de pautar anistia ampla e irrestrita para seu garoto-propaganda, Jair Bolsonaro, e seus cúmplices na tentativa de golpe de Estado, ainda durante o julgamento, paralisação do Congresso e atraso de pautas realmente importantes para a população brasileira; chiliques na mídia em rede nacional, sem nenhum argumento jurídico ou político plausível, apenas o “eu quero e ponto”.

Temos também parlamentares brasileiros conseguindo visibilidade internacional e causando constrangimento para o Brasil, escancarando que políticos brasileiros são pessoas perigosas. Sabemos que não são todos que são babacas assim, pois mesmo eu tendo reticências pesadas por nossos políticos, sei que tem muita gente que pelo menos tenta trabalhar para seus eleitores de forma justa e republicana, sim. Mas não sou partidário. Só vejo quem recebe verbas públicas para trabalhar para o povo, mas trabalha apenas para seus interesses particulares.

Ah! Temos uma deputada federal presa em presídio de segurança máxima na Itália, figura da extrema direita, que fugiu do Brasil usando a mesma rota que narcotraficantes utilizam para escapar da justiça brasileira. Ela foi condenada por usar um hacker para invadir o sistema CCJ e inclusive ter emitido um mandato de prisão contra um ministro da Suprema Corte brasileira — e, pasme, um documento emitido por ele mesmo para prendê-lo (risos). Criativa e debochada, e tenho plena certeza, que esse episódio vai dar trabalho para os professores de história do tal Brasil do futuro. Uma postura tão ridícula quanto um meme besta de redes sociais. Ou melhor, um meme pronto, que escancara: a direita brasileira é a cara de seus eleitores, burros, corruptos, preconceituosos e inaptos.

Além disso, temos um deputado federal licenciado, que, em setembro, já faltou ao trabalho mais do que o permitido pelo regimento interno da Câmara, mas ainda assim recebe vencimentos pagos com dinheiro público. E sabe o que esse sujeito faz na América? Articula sanções econômicas contra o Brasil, colocando em risco milhares de empregos de trabalhadores brasileiros, muitos deles provavelmente eleitores que votaram nele — e, curiosamente, ele não foi cassado pelo Congresso. E em outubro, o conselho de ética da Câmara dos Deputados, arquivou o processo de cassação desse sujeito, deixando claro novamente, que a vontade deles é a que vale. Foda-se o povo! Fodam-se os eleitores! Né!?

Caminhamos até aqui, setembro de 2025, e vimos Bolsonaro ser julgado e condenado por alguns crimes cometidos este ano — digo alguns, porque a mesma extrema direita que brada slogans fascistas como “Deus, Pátria e Família” conseguiu enterrar o relatório da CPMI da Covid, que listava outros tantos crimes do ex-presidente e listava outros tantos cúmplices que estão soltos, seja em púlpitos de igrejas neopentecostais ou legislando em casas parlamentares. Uma CPMI como tantas CPIs e CPMIs brasileiras, que foi parar nas gavetas do esquecimento, passando pano político parcial que serve para blindar criminosos e corruptos, e já faz parte do cotidiano politico da terra da banana.

 Mas durante o julgamento que condenou o ex-mandatário a 27 anos e 3 meses, houve um micro evento relevante, produzido por um dos ministros da primeira turma do STF que julgava o golpista e seus poderosos cúmplices.

Por isso, resolvi não retomar a coluna, mas fazer apenas esta postagem para registrar minhas impressões assistindo ao julgamento e destacar estes pontos que mostram, sem rodeios, como a extrema direita brasileira está cada vez mais alinhada com o totalitarismo que cresce pelo mundo, principalmente em países como os Estados Unidos — com Trump novamente presidente, mais furioso do que nunca — e em outros cantos da Europa, onde partidos fascistas e movimentos neonazistas se fortalecem e se tornam visíveis para todo o globo.

Mas sem delongas, vamos ao assunto do título.

Desde que assisti, durante longas horas, ao voto do ministro Luiz Fux — totalmente dedicado à absolvição de Bolsonaro e de seus cúmplices no julgamento da trama golpista que pretendia rasgar a Constituição, manter o ex-presidente no poder e invalidar as eleições de 2018 — comecei a refletir sobre a democracia. Claro, nela, opiniões divergentes fazem parte do “cardápio democrático”, mas também pensei em outras questões, algumas bem atuais, outras antigas, mas que se encaixam perfeitamente na lógica torta de nossa realidade política e institucional.

O que me chamou atenção não foi apenas o conteúdo do voto, mas a encenação: quase treze horas para dizer o que poderia ter sido resumido em poucos minutos. Afinal, o óbvio não exige maratonas oratórias. A extensão excessiva do discurso só denunciava o esforço do próprio ministro em construir uma muralha de justificativas, uma retórica rebuscada para dar verniz jurídico a uma decisão que, no fundo, soava como um recado político.

É impossível ignorar o contexto. As relações diplomáticas entre Brasil e Israel estão deterioradas, sobretudo após o presidente Lula, com razão, chamar de genocídio a ofensiva israelense que massacra mulheres e crianças palestinas em Gaza, além de ter apoiado ações internacionais contra Tel Aviv. Isso trouxe a inevitável reação: retirada de embaixadores, tensões diplomáticas, notas de repúdio e, principalmente, a fúria da comunidade judaica brasileira — rica, influente, declaradamente bolsonarista desde 2018 e até hoje alinhada ao ex-presidente.

Em meio a essa discussão sobre parcialidade e privilégios, vale lembrar um episódio revelado em 2018 pelo Congresso em Foco: a filha do ministro, mesmo possuindo dois apartamentos no Leblon, bairro nobre do Rio de Janeiro, recebia auxílio-moradia mensal no valor de R$ 4,3 mil. O caso, que à época gerou forte indignação pública, ilustra bem a lógica de benefícios acumulados mesmo quando não há real necessidade, reforçando a percepção de que a toga se protege em círculos de conveniência.

Ora, Bolsonaro sempre foi o candidato preferido desses setores que misturam fé política com devoção ao Estado de Israel. Não por acaso, o bolsonarismo evangélico também se ajoelha diante dessa bandeira, ainda que Israel não seja uma nação cristã. E se Bolsonaro tivesse sido bem-sucedido em seu projeto golpista, não restam dúvidas: ele se alinharia irrestritamente ao governo israelense, independentemente de quantas mulheres e crianças desarmadas estivessem sendo exterminadas em Gaza.

Nesse tabuleiro, entra a figura de Luiz Fux. O único ministro descendente de judeus da Suprema Corte. Um magistrado que, além de exposto às pressões diplomáticas internacionais — como as ameaças de sanções pessoais vindas dos EUA, perda de visto ou até a famigerada Lei Magnitsky, que Trump prometeu usar contra ministros brasileiros — também carrega a sombra do julgamento interno de sua própria comunidade. Votar pela condenação de Bolsonaro e seus cúmplices significaria contrariar a ala mais ruidosa e influente da comunidade judaica brasileira, já ressentida com Lula e cada vez mais abraçada ao que resta do bolsonarismo.

Não se trata de simplificar sua decisão à religião que professa, mas de reconhecer que, somadas às suas ligações patrimoniais e interesses internacionais — investimentos, viagens frequentes, dependências que ainda precisam ser esclarecidas — havia muito a perder em um voto condenatório. O peso de sanções externas, a ameaça de retaliações simbólicas ou econômicas e a pressão comunitária criaram um ambiente em que sua imparcialidade, no mínimo, fica sob suspeita.

O resultado foi um voto de treze horas: não uma demonstração de erudição jurídica, mas a confissão involuntária de que era preciso justificar o injustificável. Filosofia, citações e hermetismos serviram de cortina de fumaça para encobrir a realidade cristalina: o ministro não julgava apenas Bolsonaro; julgava também o destino de suas relações, seus interesses e sua própria posição dentro de um cenário explosivo que unia diplomacia, religião, poder econômico e sobrevivência pessoal.

Assim, a democracia brasileira não foi salva por esse voto, mas manchada. Porque quando a balança da Justiça se curva às conveniências externas e internas, quando um magistrado transforma o tribunal em palco de autopreservação, a mensagem transmitida é inequívoca: a lei é maleável, a toga é negociável e a imparcialidade não passa de uma ficção útil para discursos intermináveis.

No fim, Fux pode até acreditar que defendeu a ordem jurídica. Mas o que muitos enxergaram, e com razão, foi outra coisa: um ministro preocupado mais em blindar-se de sanções e pressões do que em cumprir o papel de guardião da Constituição. E quando a toga treme diante de pressões políticas, diplomáticas e comunitárias, quem realmente sofre é a democracia — essa mesma que Bolsonaro tentou assassinar.

Por Alexandre Chakal

Em Setembro de 2025.



quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Navalha na Carne Extra - PEC da Blindagem: a consagração da impunidade parlamentar.

A coluna Navalha na Carne encerrou suas atividades em 2024, quando lançamos o livro trazendo uma compilação de tudo que postamos por aqui. Mas 2025 está sendo um ano bem difícil para ficar sem escrever sobre o cenário político vergonhoso do Brasil.

A proposta da coluna era justamente essa: fazer analogias, escrever aforismos livres sobre temas bizarros e vergonhosos que nossos políticos insistem em pautar, talvez achando que a grande maioria dos brasileiros seja composta por imbecis com limitações cognitivas severas, analfabetos funcionais ou simplesmente pessoas que não se importam, porque precisam focar em trabalhar de forma exaustiva para sobreviver.

Vamos lá.

A vergonha brasielira, que antecede a primavera de 2025,  tem nome e sobrenome: PEC da Blindagem, apelidada com razão de PEC da Impunidade. Uma aberração votada pelo Congresso Nacional, que escancara não só o medo da Justiça, mas também a verdadeira face de quem deveria nos representar.

Essa PEC ridícula, é uma afronta ao povo brasileiro, uma gargalhada debochada na cara de quem trabalha, paga impostos e sustenta essa máquina apodrecida. Uma escarrada na cara, daquele tipo de eleitor que vota para salvar o Brasil da corrupção, mas elege corruptos declarados. Uma proposta costurada para blindar juridicamente políticos de qualquer crime, como se ocupar um cargo eletivo fosse passaporte para a impunidade eterna.

Sim, estamos falando de liberar geral! Dinheiro na cueca, nas meias, em caixas de sapato, dentro do proprio cu...rachadinhas oficializadas em gabinetes, de tornar dignas emendas secretas que desviam recursos públicos para bancar luxos de parlamentares e alimentar suas bases eleitorais. Estamos falando de tráfico de drogas, armas, assassinato, estupro, racismo, pedofilia — crimes inafiançáveis que já mancharam a biografia de muitos que hoje posam de “excelências” e que, com essa PEC imunda, poderiam desfrutar de um salvo-conduto institucional.

E mais: essa PEC abre a porteira para o crime organizado. Traficantes de drogas e armas, milicianos de fuzil em punho e chefes de quadrilha poderão se eleger em 2026 e, com imunidade parlamentar, rir na nossa cara, protegidos contra julgamentos e condenações. Será a festa dos vagabundos paga com o nosso dinheiro, transformando o Congresso em bunker de criminosos engravatados.

É nítido que não conseguiram implantar uma ditadura explícita no Brasil, como sonhavam os fascistas da quadrilha do ex-presidente condenado. Mas agora tentam pelos atalhos legislativos: táticas que lembram os anos sombrios da Segunda Guerra Mundial, quando fascistas e nazistas manipulavam leis, criavam absurdos e a massa, esmagada, tinha que engolir.

Paralelo a isso, os mesmos parlamentares que votam para blindar seus crimes ocupam redes sociais para pregar o ódio: defendem genocídios de crianças e mulheres na Faixa de Gaza, declaram solidariedade a supremacistas brancos americanos, atacam indígenas, quilombolas, negros, a comunidade LGBTQIA+ e qualquer religião que não seja a dos seus templos neopentecostais, que por sinal contam com bancadas inteiras no Congresso e no Senado. Bancadas que aplaudem essa PEC criminosa, elitista, imunda — e que não escondem seu desejo de oprimir, varrer da existência e calar minorias. São, declaradamente, inimigos da classe trabalhadora.

E o mais irônico: esses parasitas eleitos democraticamente consideram quem trabalha — quem os elege e banca seus salários e regalias — como “vagabundos” e “comunistas de merda” que merecem ralar em escala 7x0, enquanto eles se dão ao luxo de uma escala 3x4. É uma piada? Não. É um escárnio.

A PEC da Blindagem não é defesa, é medo. Medo da Justiça. Medo de condenação. Medo de perder mandato, mamata e privilégio. É uma pauta defendida por quem tem culpa no cartório, por quem já deveria estar preso, por quem sabe que sem blindagem cairá — e cairá feio.

Cabe citar para ajudar a ilustrar o que a própria mídia tem noticiado nos últimos meses: parlamentares presos por pedofilia, alguns que mantinham meninas como escravas sexuais; pastores evangélicos que também são parlamentares, acusados de estupro e pedofilia, alguns inclusive renunciando aos cargos para tentar escapar da Justiça; deputados investigados por lavagem de dinheiro ligada a traficantes e organizações criminosas; casos em câmaras municipais de vereadores que chegaram a espancar uma criança até a morte. Isso não é invenção. Está nos jornais, nos portais, nos noticiários. É fato. É escândalo público. Mas eles querem levar para dentro das casas parlamentares e apagar institucionalmente qualqur culpa usando essa PEC. Ela iria substituir o silêncio forçado que eles usam de forma cínica sempre que não tem argumentos que não sejam inverdades.

Impossível acreditar que os mais de 350 deputados que votaram a favor dessa PEC não saibam disso. Eles sabem. Sabem muito bem. E ainda assim querem decidir, entre eles mesmos, se um parlamentar criminoso deve ou não responder pelo crime. E, para completar a farsa, tudo em votação secreta. Ou seja: a blindagem total, o conflito frontal com qualquer ideia mínima de transparência. Mas também, sejamos francos: pedir transparência e honestidade a bandido é pedir demais, não é?

O roteiro é óbvio: aquele parlamentar que pertence a uma bancada menor, sem expressão, e que não representa ameaça política, será condenado. Já aquele que integra uma bancada poderosa, que lá fora responde por integrar facções criminosas implacáveis, será protegido, blindado, intocável. Bingo.

Ou você, caro(a) leitor(a), realmente acha que haverá ética, caráter e responsabilidade na mão desses que votaram um absurdo desses? Os mesmos que, literalmente ontem, estavam tentando votar uma anistia ampla e irrestrita para acusados de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito?

São esses mesmos deputados que, em vez de trabalhar, estão nas redes sociais fazendo lobby para empresários demitirem funcionários que expressem opiniões críticas à morte de um fascista supremacista que eles amam. São os mesmos que vivem flertando com o fantasma do comunismo, usando esse espantalho da mesma forma que pastores evangélicos usam o diabo: para assustar o povo e aumentar arrecadação de dízimos, poder e enriquecimento.

Não se enganem: eles não querem imunidade parlamentar. Eles querem imunidade judicial. Querem ser intocáveis, acima da lei, fora do alcance da Justiça e das consequências. Querem um Brasil refém de seus crimes, seus negócios escusos e suas negociatas de sangue.

A PEC da Blindagem é mais que uma vergonha legislativa. É o atestado de que o Congresso Nacional, com raras exceções, decidiu se transformar em uma fortaleza de canalhas, parasitas e criminosos engravatados. Um parlamento de cúmplices, pagos com o suor do povo, para servir ao crime organizado e à elite corrupta.

Isso não é apenas um retrocesso. É a oficialização da impunidade total. O país inteiro à mercê de um poder que, ao invés de legislar e pautar debates de interesse do povo, como: O fim da escala 6x1, a taxação de supre ricos, a isenção de imposto de renda para quem recebe até R$ 5.000 e outras tantas pautas que melhirariam a vida de seus eleitores,  legislam em causa própria, se blindam de não responder por crimes e canalhices. Ou seja, trabalham para se esconder da verdade, da lei e principalmente daqueles que os elegeram.

Uma vergonha. Todos deveriam ser cassados, apenas por colocarem em pauta um ataque tão vergonhoso contra nosso país.

E digo mais, o povo brasileiro é frouxo e acomodado. Hoje, os protestos contra absurdos como esse se resumem a hastags nas redes sociais. Inclusive, eu mesmo coloquei várias em comentários de postagens referentes a isso, e, na base deste texto, vou colocar mais algumas.

Mas eu estava lembrando aqui de episódios internacionais: será que esses mais de 350 cretinos, que votaram essa piada, fariam isso tranquilamente como fizeram, e sairiam ilesos das suas casas parlamentares se estivessem em países como França, Espanha e até na própria Argentina de tempos atrás? Eu acho que não. Haveria quebra pau. Povo nas ruas. Conflito com forças de segurança e manifestações públicas que chegariam aos olhos do mundo inteiro. Eu citei a Argentina, para lembrar que os nossos hermanos, ja tiveram 'sangue nos olhos" , mas hoje, a Argentina é outra terra de frouxos, sendo comandada por um personagem que provavelmente deve aplaudir iniciativas canalhas como essa aprovada por nossos parlamentares.

Ah, e antes que algum pau no cu venha aqui declarar que sou lulista, comunista ou esquerdista, já digo que até o governo atual teve culpa nisso. Dezoito parlamentares do PT votaram a favor dessa imundície. Devem estar devendo para se alinharem a coisa tão vil.

Para finalizar, deixo aqui, para o nosso Congresso Nacional, uma proposta de PEC que acredito ser necessária para toda a população brasileira: a PEC do Toxicológico. Eu aposto que parlamentares e todos os políticos deveriam ser obrigados por lei a fazer exames toxicológicos de 6 em 6 meses, da mesma forma que motoristas, atletas e tantos outros trabalhadores que, de fato, trabalham pela nossa nação.

Enfim, é indignação, sim. Tudo que escrevo e escrevi nesta coluna é indignação. E se você não gostou, você é canalha igual a eles.

#naoàpecdablindagem

#naoapecdaimpunidade

#congressoinimigodopovo

Por Alexandre Chakal 

17 de Setembro de 2025

domingo, 5 de janeiro de 2025

Navalha na Carne - Edição Extra - Prefira ser lobo e feliz ano novo.

Mais um ano se inicia. Já estamos em 2025. O futuro, tão sonhado por muitos, chegou. Certo? Talvez, assim como eu, você veja isso apenas como mais uma mudança de ciclo, uma renovação no curto período de doze meses a que fomos condicionados a nos adaptar.

Poderia me alongar sobre essa positividade que também nos foi ensinada a aceitar – um alento para enfrentarmos as nossas realidades. Porém, é preciso lembrar que, apesar de tudo, ainda temos o poder de transformá-las em algo melhor...blablabla Temos mesmo?
 Vivemos sob uma infinidade de regras, textos e comportamentos criados e repetidos por aqueles que o sistema considera importantes para nos manter na linha, seguindo o caminho idealizado para que continuemos a alimentar essa máquina. Uma máquina que mói carne, sonhos e pensamentos livres, tudo para manter sua engrenagem funcionando como deve.

Enfim, este é o primeiro "Navalha" deste ano futurista. Será um de muitos ou o último? Quem sabe? Vamos descobrir!

O mundo moderno, é povoado por uma manada de ovelhas tristes e vazias, que, mesmo em meio a multidões e colecionando milhares de amigos e "likes" nas redes sociais, continuam sem compreender o real sentido da vida. Encontram-se presas a abstrações e ilusões, seguindo cegamente tudo o que escutam de guias espirituais, pastores instantâneos, padres pedófilos, coaches pilantras, influenciadores vulgares e deuses impotentes e implacáveis. Com medo da morte, esquecem-se de viver; com medo do inferno, pagam dízimos às igrejas, muitas vezes com ares de propina. Não sabem amar e, quando odeiam, fingem perdoar para alcançar o suposto paraíso. Forjam a verdade com mentiras vis e imorais; a hipocrisia latente e a socialização forçada são o que os alimenta. Entregam suas vidas nas mãos de patrões, políticos, líderes, dinheiro e seres irreais.

São maus, perversos, desumanos, individualistas e canalhas, mas só conseguem enxergar essas características nos outros. Chamam isso de realidade. Vivem como se o amanhã fosse uma promessa eterna. E chamam isso de fé.

Aqueles que percebem o vazio e a falsidade desse ciclo muitas vezes são silenciados ou marginalizados. A rebeldia diante do conformismo é vista como ameaça, e a busca por autenticidade, como insensatez. Entretanto, é na coragem de questionar o que é imposto e engolido por muitos, e também na recusa de aceitar esse óbvio fabricado para dar lucro a poucos, que reside a possibilidade de uma vida autêntica e leve.

No entanto, romper com essa manada exige não apenas coragem, mas também reflexão profunda e a disposição de caminhar contra o fluxo desse rio de dejetos, cadáveres, sangue e dor. É preciso ousar viver sem se preocupar em agradar a "plateia", amar ou descobrir o que é amor e acreditar em si mais do que nesse monte de personagens e suas narrativas frágeis. Tudo de forma autêntica, deixando para trás as inverdades e assumindo a responsabilidade de construir um sentido genuíno para a própria existência. Assim, talvez, o vazio seja preenchido não por promessas vazias, mas pela plenitude de uma vida vivida com verdade. E mesmo que o vazio não se preencha, haverá outras consequências que serão mais importantes e positivas do que tentar ser aceito pela manada que segue para o abismo, após curtir esse circo misturado com hospício.

Prefira ser o Lobo negro, com olhos vermelhos, abandone até a própria  alcatéia se  preciso for. Até porque, hoje existem muitas ovelhas tristes posando de lobos audazes.

Por Alexandre Chakal 

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Navalha na Carne - Edição Extra - Natal 2024: A hipocrisia continua embrulhada para presente.


E aqui estamos: mais um dezembro, mais um fim de ano, mais um Natal para celebrar uma festa que nasceu pagã, foi maquiada de cristã e, ao longo de sua história, consolidou-se como o maior espetáculo de hipocrisia que a humanidade insiste em repetir, hoje já de forma voluntária. A cada "Feliz Natal" ecoado, o mundo segue exibindo sua podridão em alta definição. Não sou pessimista, nem baixo astral, e o texto aqui não é para te deixar para baixo. Com o mundo como está, nem preciso me esforçar, mas sempre vale lembrar, certo?

Neste ano vergonhoso, enquanto as luzes coloridas piscam, a programação da TV é adequada para iludir e as músicas açucaradas entopem os ouvidos da grande massa, testemunhamos mulheres, crianças e outros vulneráveis – brasileiros, ucranianos, palestinos e sírios – sendo trucidados por bombas, balas, sede, fome e desespero. As guerras, sejam elas por territórios, políticas, religiosas ou a mera sobrevivência nas periferias urbanas, não tiraram folga. Jamais tiram. Afinal, guerras e tragédias fazem parte de um plano maior, que você, caro leitor, provavelmente afirma ser apenas mais uma teoria conspiratória. E assim seguimos, sentados e passivos, assistindo ao fascismo erguer suas garras no cenário político global, ao crescimento de células nazistas, partidos de extrema direita movidos por nacionalismo irracional – tendo o antissemitismo como grande ideal –, à ignorância em massa, ao meio digital corrompido, à verdade baseada em mentiras, à brutalidade policial e ao aumento de crimes hediondos que ceifam vidas diariamente, constantemente, e crescem significativamente a cada Natal celebrado de forma marqueteira e, por que não dizer, indecente.

Enquanto isso, as propagandas insistem no discurso de paz, união, amor e fraternidade. Os mesmos de sempre, que lucram com as engrenagens desta máquina cruel e desumana, fingem emoção em seus comerciais de final de ano, com sorrisos encantadores e olhares vidrados de "esperança", enquanto abusos de poder – políticos, religiosos e econômicos – seguem devastando vidas e normalizando o caos nosso de cada dia.

E que tal o nosso planeta? Este coitado continua reagindo à nossa ganância com "catástrofes naturais" que já não chocam mais ninguém. Deslizamentos, enchentes, secas, incêndios: o cardápio das tragédias climáticas está sempre à disposição e sendo renovado a milhão. Mas, claro, tudo isso some no nevoeiro de informações fúteis e irrelevantes, dancinhas no TikTok e fake news elaboradas para desinformar, que competem com pautas fundamentais e ofuscam qualquer vislumbre de mudança.

Então, o que estamos comemorando, afinal? Uma esperança de dias melhores que nunca chegam? Um amor ao próximo que não passa de encenação? Um mundo que só piora? A celebração de um Natal em 2024 é um lembrete cruel de que, enquanto seguimos sustentando esse teatro que amamos, a humanidade caminha firme rumo ao abismo, com todos aplaudindo de pé e com muita fé, de olhos vendados para o que der e vier – se vier.


Então, Feliz Natal, né?

Por Alexandre Chakal
Natal de 2024 - Brasil

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Navalha na Carne - Edição Extra - Talvez uma teoria conspiratória. Talvez um plano em andamento.



Estamos no olho de um furacão. Somos bombardeados diariamente por um turbilhão de avanços tecnológicos que prometem transformar nossas vidas, tornar o cotidiano mais eficiente e conectado. Redes sociais, onde informações e desinformações correm em altíssima velocidade. Robótica avançada que gradualmente substitui a mão de obra humana, incrementa veículos, drones, armas, uniformes e projeta aqueles futuros tão explanados nas produções cinematográficas. Inteligências artificiais aprimoradas que, a cada iteração, aproximam-se mais da perfeição. Metaversos onde o real e o virtual se fundem em uma zona nebulosa. Streaming com infinitas opções para nos manter entretidos, submersos em conteúdos tão diversos quanto descartáveis. Jogos online que simulam realidades cada vez mais complexas, em universos paralelos que rivalizam com a realidade.

Agora, pare um segundo. Reflita: onde estamos realmente?

A realidade que entendemos, segundo aquela icônica explicação de Morfeu em Matrix, é apenas uma construção de percepções, uma simulação alimentada pelos sentidos. E se o que vemos, ouvimos, tocamos e até mesmo sentimos estiver sendo meticulosamente projetado para mascarar uma verdade mais sombria? A questão não é se estamos presos numa simulação, mas se tudo que vivemos, as distrações incessantes e os fluxos intermináveis de informação são artifícios para impedir que percebamos o que realmente está acontecendo.

Enquanto nos mantemos imersos no fluxo constante de notificações, likes e "upgrades" tecnológicos, o planeta se deteriora. As mudanças climáticas, antes assunto distante, agora revelam seu impacto em catástrofes globais. Furacões, enchentes, secas extremas... todos sinais que ignoramos enquanto continuamos a deslizar pelas telas, distraídos por notícias fabricadas, por realidades paralelas que são mais confortáveis que a crua verdade.

E se for mais do que apenas mudanças climáticas? Imagine, por um instante, que forças externas estão em jogo. Alienígenas? Invasões de outras raças? Parece absurdo, não é? Algo que Hollywood transformou em entretenimento para que, quando o momento real chegasse, ninguém acreditasse. Somos treinados a descartar essas ideias como fantasias de teóricos da conspiração, enquanto seguimos nossos dias como se tudo estivesse sob controle. Mas... será que está?

Por que o ano de 2024 foi o ano escolhido por algumas autoridades mundiais para afirmar que existem mesmo raças extraterrestres? Por que coincidentemente a Aeronáutica brasileira tornou públicos arquivos de avistamento de OVNIs em 2024? As secas extremas? Alagamentos brutais? Papos sobre inversão de polos magnéticos? Plasma em esfinges no Egito? Vegetação crescendo no Ártico e Antártida? Espécies que habitam os oceanos, mas jamais vistas sendo encontradas em praias?

A velocidade com que a tecnologia avança não te parece suspeita? A cada novo lançamento, um novo nível de perfeição é alcançado. As máquinas pensam por nós, preveem nossas ações, sugerem o que devemos consumir. Enquanto isso, o caos do mundo real se intensifica. Talvez seja uma coincidência. Talvez uma cortina de fumaça densa. A cada nova distração que nos é oferecida, o caos se aproxima silenciosamente e, às vezes, gritando, mas sendo normalizado por nossa raça tão ocupada com banalidades.

E se essa cortina fosse criada para nos manter ocupados? Para nos anestesiar? A tecnologia, em toda sua glória, pode ser tanto uma ferramenta de libertação quanto uma jaula dourada com odor de sangue e pólvora, mas imperceptíveis. Estamos tão imersos em nossos próprios vícios digitais, egos motivados, buscas vazias, que não percebemos o que está à nossa volta. E assim seguimos, olhos fixos nas telas de smartphones, relógios inteligentes, ignorando o barulho crescente do colapso que se aproxima, já aparece em guerras reais, com mortes e massacres mais reais ainda. Acreditando, talvez, que foi tudo criado por I.A. ou os argumentos, imagens, vídeos, mortes, gritos, gemidos, devastações, expressões horrorizadas, corpos soterrados são um pacote bem elaborado de fake news para gerar debates, engajamento virtual ou assunto para a mesa do boteco.

As questões são perturbadoras. Se você soubesse que algo grandioso – algo devastador – estava para acontecer ou acontecendo, você acreditaria? Ou estaria tão enredado nas distrações forjadas para você que duvidaria até do que vê com seus próprios olhos e sente com o toque das suas mãos?

Talvez seja tudo uma grande conspiração. Ou, talvez, um plano em pleno andamento. E você, onde escolhe focar sua atenção?

Uns escolhem trabalhar para serem bem-sucedidos, ricos e parecidos com seus influenciadores de estimação ou personagens preferidos do cinema, outros optaram por afirmar que todos os sinais percebidos de forma torta e recheada de desatenção são sinais do fim dos tempos, e toda aquela coisa de anjos tocando trombetas e a volta de um salvador. Vejam que existem mais e mais temas que mantêm as pessoas entretidas, criando verdades absolutas e inclusive acreditando em vida após a morte, paraíso, reino dos céus e outras coisas que justificam bem todo absurdo que está por vir.

Será tudo uma distopia criada pelo efeito de meu antidepressivo, ou eu que estava sem fazer nada e pensei em escrever coisas sem pé e sem cabeça para deixar essa coluna em funcionamento?

Este texto é conteúdo extra, inédito, que não está presente nas 200 páginas do livro Navalha na Carne, lançado em 2024.

Até a próxima, ou não.

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Navalha na Carne - Edição 46 - Gosto de drogas, mas odeio viciados.

Você, caro leitor, já presenciou um alcoólatra espancando sua esposa e filhos sob efeito do álcool? Já soube ou viu um neto viciado em cocaína vendendo os móveis e eletrodomésticos da avó frágil para conseguir recursos e comprar o entorpecente que lhe causa dependência física, química e psicológica? Já soube de grupos de jovens que se envolveram em acidentes fatais de trânsito e tiraram suas próprias vidas e de terceiros por estarem dirigindo sob efeito de drogas? Assistiu recentemente alguma notícia veiculada nas mídias sobre um motorista de um Porsche, empresário, pertencente à classe alta paulistana que matou um motorista de aplicativo por estar dirigindo seu possante carro a 156 km/h em uma avenida onde a velocidade máxima permitida era 50 km/h?

Antes de ter que ler comentários cheios de mi-mi-mi, não estou falando de usuários de drogas, pois também me considero um deles. O papo aqui é sobre viciados em drogas. Apesar da sociedade cristã, que se coloca como conservadora e tradicionalista, não diferenciar um do outro, existe uma diferença gritante entre usuário e viciado sim.

Mas as respostas para essas perguntas do primeiro parágrafo já justificariam o título do "Navalha" de hoje, que pode até parecer arrogante e ter um ar de superioridade incômodo para você, mas mesmo sabendo que drogas, em sua maioria, são nocivas, sei também que existem as ondas boas e efeitos relaxantes, prazerosos e que algumas têm uso medicinal inclusive. Sabemos também que o problema social das drogas tem muitos tentáculos e ramificações que vão além do uso, proibição, tráfico, guerra atrelada ao combate às substâncias entorpecentes ilícitas. Mas digamos que fossem apenas drogas? Afirmar que gosta de drogas, mas odeia viciados, é uma crítica a questões comportamentais que observei, e acredito que você também sacou, pois quando o indivíduo se torna um viciado, seja qual for a substância, ele se transforma em um escravo da dependência e sofre alterações com impactos sociais devastadores, mais devastadores que os prejuízos causados ao organismo pelo uso de drogas. Moral, verdade e caráter estão no pacote. Mas viciados não se importam com caráter, verdade ou moral, né?

Viciados, em sua grande maioria, revelam distúrbios sérios de caráter. Esquecem as coisas e usam as drogas como desculpa esfarrapada para suas falhas morais imperdoáveis. Cometem atos abomináveis, prejudicando terceiros de forma absurda.

E quando são flagrados em suas trapaças, recorrem ao velho truque de culpar a "doença", derramando lágrimas de falsa penitência. Especialistas podem até tentar justificar suas atitudes, mas na vida real, já me deparei com uma infinidade de viciados, seja em álcool, remédios controlados, cocaína ou outras drogas, que mentem como se respirassem, enganam com um sorriso no rosto e se fazem de vítimas quando confrontados por seus atos.

Não importa onde estejam, qual é a cultura local que os rege, todos eles revelam a mesma falta de caráter que os consome por dentro. A demência que clamam é apenas uma cortina de fumaça para encobrir a verdadeira essência de suas personalidades corrompidas.

Portanto, antes de proferir julgamentos e definições hipócritas, olhe para a realidade nua e crua: os viciados não merecem compaixão por suas escolhas, mas merecem sim ajuda profissional e tratativas que os ajudem a enfrentar as consequências de seus atos e buscar verdadeira redenção, sabendo dividir o que é usar drogas de forma consciente e responsável e o que é virar um estorvo social e familiar por escolha própria, mas obrigando de forma direta e indireta que o seu grupo social seja forçado a ser a sua muleta, seu médico, seu advogado, anjo da guarda e assistente social. Sem sentir nenhuma brisa.

Aí voltamos ao início. Gosto de drogas, mas viciados? Tô fora.

Aí algum usuário de drogas diboísta que está lendo vai questionar. "Cadê a empatia?" Foda-se! Viciado só tem empatia com quem divide drogas com ele, e nem sabe ao certo o significado da palavra.

Por Alexandre Chakal

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Navalha na Carne - Edição 43 - Perto dos inteligentes. Longe dos espertos.

 

Não sou exatamente um guru das boas decisões; já tomei muitos capotes na vida, já errei com pessoas que amava e, como bom carioca que sou, diria que dei mole, vacilei e garoteei várias vezes tentando aproveitar momentos que chamei de oportunidades e acabei sendo um grande otário. Mas, após algumas voltas ao redor do sol, fica difícil ignorar certas lições que talvez sirvam para você, leitor.

Então, caro espectador desta tragicomédia chamada vida, permita-me divagar sobre uma epifania que talvez tenha mais valor do que um vale-refeição em dia de aumento de preços. Mas vai que serve para ti?

Veja bem, neste país tão vasto quanto a variedade de desculpas esfarrapadas de políticos corruptos, profissionais desqualificados e filhinhos de papai mimados e recheados da meritocracia de herdeiro, uma verdade se destaca como uma agulha em um palheiro de mentiras: é melhor rodear-se de mentes afiadas do que de cabeças com artimanhas escorregadias.

Por que, você deve estar se perguntando, eu preferiria a companhia de um intelecto vigoroso em vez de um espertalhão sagaz? Simples, meu caro caminhante dessa estrada chamada vida: porque, enquanto o inteligente constrói pontes para o progresso, o esperto prefere cavar buracos para si mesmo e para os outros que o seguem. No primeiro momento, as coisas soam como instantâneas e positivas, coisa muito boa nesse mundo veloz e dinâmico que nos abocanha, mastiga e cospe antes do nosso café da manhã. Mas acredite, os prejuízos e arrependimentos por decisões tomadas a partir de esperteza, chegam rápido e custam caro. Foda-se se você não liga porque se garante, é malandrão ou porque tá cansado de ver no Brasil, gente pilantra se dando bem e os certinhos, inteligentes, educadores e intelectuais se fudendo de forma absurda e não levando vantagem em nada, inclusive no que de fato seria vantagem por direitos conquistados e adquiridos.

Enfim vou escrever sem deixar a indignação vomitar pelos dedos. Imagine só: numa sala repleta de pessoas espertas, o ar é impregnado com o odor fétido da ganância, da manipulação e da falta de escrúpulos. São indivíduos que sabem como burlar sistemas, mas incapazes de discernir entre o que é ético e o que é simplesmente conveniente. Se forem agraciados por beleza física e letrados o suficiente para serem convincentes, conseguem vender suas ideias sagazes até para aqueles que não são tão incautos, porém sonhadores e com uma dose de ingenuidade lamentável. Eles, os espertos, são como raposas astutas, sempre à espreita de uma oportunidade para lucrar às custas de alguém ingênuo o suficiente para cair em suas armadilhas, chamadas ideias, planos e oportunidades. Vejam a pandemia mortal de Covid-19. Vários espertos hoje, em 2024, se vangloriam de terem furado o lockdown, ido para festas, baladas, se infectado, infectado parentes e até mesmo matado os seus (coisa que eles jamais assumem), alguns inclusive comentam que os puteiros funcionaram normal, mostrando que além de espertos são desumanos também. Geralmente os espertos são canalhas, pensam apenas no próprio rabo e quanto vão se beneficiar com suas ações.

Eu conheci vários assim, é lamentável demais quando você percebe que alguém em quem você confia está tentando ser esperto contigo nesse nipe da covid do parágrafo anterior. Não é a esperteza que incomoda, mas sim a perda de tempo de ter se envolvido com um ser humano que não passa de um erro que anda e fala.

Agora, contrastem isso com um círculo de indivíduos inteligentes. Aqui, o ar é fresco e revigorante, impregnado com o aroma de ideias florescendo e debates fervorosos. São pessoas que não apenas entendem os meandros do mundo, mas também se esforçam para torná-lo um lugar melhor. São visionários, inventores, pensadores profundos, envolvidos ou interessados por artes e ciências, que buscam soluções criativas para os problemas mais intratáveis ou abandonados por alguns espertos e sagazes.

E por que, então, alguns ainda insistem em flertar com o lado sombrio da astúcia? Seria por falta de discernimento? Talvez. Mas, na maioria dos casos, é simplesmente uma questão de preguiça moral. É mais fácil seguir o caminho da esperteza do que dedicar-se ao árduo trabalho da inteligência genuína. Afinal, é mais simples driblar a lei do que compreendê-la e respeitá-la.

E quando digo lei, não estou falando das leis estabelecidas, estou falando de leis internas que um dia eu simplesmente optei por não seguir e hoje, mais velho, olho com vergonha, mesmo não sabendo com certeza se meus deslizes foram notados por outros. 

Portanto, quando você estiver diante da encruzilhada entre o brilho sedutor da esperteza e a luz radiante da inteligência, escolha sabiamente. Pois, como diz o velho ditado, é melhor ser uma vela acesa do que uma sombra esperta na escuridão da moralidade.

Isso se você entende o significado de moralidade além do uso de roupas longas e comportadas ou curtas e sensuais. Mas acho que você se ligou que não é de roupas ou moral religiosa que falei até aqui. Certo?

Até a próxima.

Por Alexandre Chakal - Maio/ 2024

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Navalha na Carne - Edicao 42 - Mais um texto político para não variar

Sou mais um empregado dessa classe trabalhadora que movimenta as engrenagens produtivas do Brasil, engrenagens manchadas de lágrimas, sangue, suor e desilusões de milhões. Tenho 50 anos e sou pai de uma moça que já é maior de idade. Com certeza, ela vai sentir na pele o que é ser adulta, mesmo estando qualificada para enfrentar ou operar a "máquina" aqui neste país.

Ainda acredito no sistema democrático brasileiro, apesar de seus políticos mequetrefes, caricatos, inaptos e cretinos estarem à frente das decisões importantes, das quais alguns nem sabem para que servem. Porém, ainda são democráticas, e isso me basta e até me alegra quando vejo o avanço de teocracias radicais e ditaduras pesadas explodindo em cima de populações de outras partes do mundo. Vejo a Argentina de 2024, por exemplo, sentindo na pele mais um erro político naquele país, que coleciona fracassos de gestão ao longo da história e parece que sonha em ter uma ditadura. Civilidade pela força. Deve ser algo do tipo que alguns países latinos têm mesmo de forma velada como pensamento central. Talvez para os países de primeiro mundo, seja bem interessante os países latinos governados com mão de ferro, por ditadores e tiranos que paguem pouco, produzam muito e alimentem-nos com suas exportações robustas a preços baixos.

Novamente gasto meu tempo escrevendo sobre minhas percepções desde que o circo político do Brasil se tornou uma espécie de campeonato de futebol, com torcidas furiosas tentando exaltar seu amor por seus "times" preferidos e ódio pelos outros. Analisei que ainda vivo no Brasil, um país com a pior distribuição de renda da América do Sul, com enorme desigualdade social, racismo estrutural em evidência e sendo exaltado até os dias atuais, homofobia, capacitismo e corrupção em esferas de poder, forças de segurança, mundo corporativo e por aí vai.

O mal caratismo, a corrupção, a truculência, abuso de poder, a fome e desamparo dos menos favorecidos parece ser um plano para o Brasil continuar como está. E para deixar a coisa mais dinâmica, digamos assim, agora temos esquerda, direita, centro e extrema direita por aqui, elevadas ao status de marcas, tendências, moda e com peso até religioso. Reforçados por movimentos políticos duvidosos como a bancada da Bíblia, do agro e da bala. Bancadas de parlamentares que defendem interesses específicos, classes e disfarçam isso como interesses da população. Gente que eu tenho medo. E você deveria ter também.

Mas apesar do que vou escrever abaixo, deixo claro aqui que não sou de esquerda, não sou comunista nem tão pouco lulista. Mas também odiaria ser confundido com integrante da direita ou com o lixo bolsonarista. Mas enfim... A direita está ganhando. E no texto abaixo eu explico porque eles estão avançando enquanto a esquerda está patinando no mesmo lamaçal deixado por eles da direita e acreditando que está resistindo.

Vamos lá!

No macabro e insensato cenário político brasileiro, o embate entre a esquerda e a extrema direita se assemelha a uma batalha de estratégias, onde a retórica rasa da direita, respaldada por uma elite teocrática, evangélica, madeireira e do agronegócio sedenta por poder, tem dominado o campo digital desde 2017.

A disseminação sistemática de fake news, o negacionismo da ciência, o movimento antivacinas e até mesmo o terraplanismo são apenas algumas das táticas obscuras empregadas para subjugar a verdade aos interesses políticos desta elite. Neste cenário já conturbado, o advento da inteligência artificial em 2024 amplifica ainda mais as ameaças à estabilidade democrática do Brasil.

A manipulação eleitoral, combinada com valores elitistas, tendências fascistas e o favorecimento de grupos específicos, representa uma séria erosão dos pilares democráticos do país. Além disso, a possível utilização da inteligência artificial e meios legais para desviar recursos públicos, legitimamente ou não, para entidades religiosas, apenas agrava a crise moral e política em que nos encontramos.

Enquanto isso, a direita tem habilmente manipulado plataformas digitais como WhatsApp, Telegram e outras redes sociais para disseminar suas narrativas distorcidas. Sob o manto da liberdade de expressão, transformam mentiras em verdades, minando a confiança na mídia convencional e elevando a condição de jornalismo a um nível questionável.

Os coachs e youtubers fascistas tornam-se porta-vozes da direita, enquanto figuras como o falecido Olavo de Carvalho são elevadas à categoria de gurus e filósofos, apesar de sua falta de formação em filosofia ou envergadura intelectual para tal título. Esta estratégia perniciosa tem sido eficaz em cativar uma audiência ávida por simplificações e respostas fáceis, alimentando um ciclo de desinformação que compromete gravemente o debate público e a saúde democrática do país.

A esquerda morna e a elite digitalmente antenada irão forjar o futuro das próximas eleições presidenciais e isso talvez seja um ponto final para a democracia no Brasil. Acredito que a extrema direita brasileira, que pensa apenas no lucro e apadrinhamento dos seus, que já tentou em 8 de janeiro de 2023 dar um golpe de estado, anular eleições e impor uma nova ditadura militar no Brasil, talvez não consiga a ditadura militar, mas vão colocar as instituições que se dizem protetoras de valores democráticos, embaixo do sapato dela.

Além disso, curiosamente a imprensa brasileira sinaliza que células nazistas em Santa Catarina e outros lugares do sul e Sudeste são compostas por integrantes dessa direita radical, seus alvos? Acredito que qualquer um que se oponha às suas ideias, da mesma forma que os evangélicos que demonizam as religiões de matriz africana, a extrema direita rotula todos que não seguem sua cartilha como vagabundos e comunistas. Ou comunistas vagabundos.

E se você não é simpatizante das ideias da extrema direita brasileira, você é vagabundo, se é vagabundo, é bandido e segundo a lógica deles, bandido bom é bandido morto. Então tenha cuidado, afinal você ainda está nesse Brasil varonil.
E pra morrer, você só precisa estar vivo.

Por Alexamdre Chakal

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Navalha na Carne - Edição 41 - Democracia na Corda Bamba: Entre o Vômito da Ignorância e a Sarcástica Liberdade de Expressão

Hoje o texto é curtinho, ou melhor, o vômito é pouco.

Em um país onde a ignorância, inaptidão, estupidez e analfabetismo funcional muitas vezes são considerados virtudes, onde as redes sociais deram voz e empoderamento a uma grande manada de idiotas sem bases educacionais, éticas e desprovidos de caráter e valores básicos, ter argumentos e questionamentos coerentes pode causar problemas sérios ou até mesmo intervenções violentas que levem a ataques de sua integridade física, podendo levar até a morte. Poderia exemplificar no mínimo uns cem episódios que balizam essa minha afirmação apenas aqui no Brasil, mas aí o texto que é apenas um pensamento escrito quase em voz alta viraria uma sucessão de dedos apontados e confusão. Mas se você que está lendo tem um pouco de conhecimento e coerência para analisar o certo e o errado que permeiam o Brasil contemporâneo, com certeza deve lembrar de diversos episódios tristes e revoltantes.

Ah, que sorte a minha! Afinal, ainda vivemos em um país democrata, onde a minha liberdade de expressão e de pensamento não sofre intervenções do estado, de alguma ditadura militar ou pentecostal teocrática. Que alívio não estar em algum dos vários países do Oriente Médio que considerariam meus textos blasfêmia ou subversivos, podendo aplicar leis vigentes e me trancar em uma cela solitária na Sibéria. E ainda bem que a minha Internet de simples cidadão não é controlada por algum órgão do governo como na China ou Rússia, onde provavelmente seria mais fácil encontrar uma agulha no palheiro do que uma informação verdadeira. Ah, viva a democracia, onde posso escrever minhas opiniões sarcásticas e ainda ganhar algumas curtidas ou não, antes de ser bombardeado com memes de gatinhos ou mensagens enfurecidas de algum hater que levou o texto para o coração.

Mas é claro, não podemos esquecer que mesmo em meio a essa liberdade relativa, ainda enfrentamos ameaças veladas à nossa autonomia. Com a ascensão de discursos autoritários disfarçados de proteção à moral e aos bons costumes, somos constantemente desafiados a defender nossas liberdades individuais. E, veja só, até mesmo os algoritmos das redes sociais se tornaram juízes implacáveis, decidindo quais opiniões são ou não aceitáveis para a massa. Assim, enquanto brindamos à democracia, também é preciso manter um olhar crítico sobre as ameaças que espreitam nas sombras do nosso suposto progresso civilizacional.

Por Alexandre Chakal - Abril / 2024

sexta-feira, 19 de julho de 2024

Navalha na Carne - Edição 40 - O que esperar?

 

Escrevi este aforismo com pitadas de poesia durante uma viagem de ônibus para o trabalho, sentindo aquele ódio já enraizado pelos engarrafamentos diários da Rodovia Raposo Tavares, em São Paulo. Uma das grandes vergonhas diárias, sem sinais de solução na região metropolitana da maior capital do Brasil.

O que esperar?

O que esperar de pobres que só possuem dinheiro? De tantos doutores forçados, sejam eles clínicos gerais, bicheiros, advogados, policiais corruptos ou tantos e tantos delegados que não possuem teses e títulos de doutorado? De políticos que aumentam os próprios salários, votam contra melhorias do proletariado, legislam em causa própria, talvez para se safar de crimes e também ajudar seus chegados, financiadores, patrocinadores e duvidosos aliados? De feministas caluniadoras, difamadoras, criminosas, usando táticas machistas, truculentas e fascistas, alegando necessidade de valorização e desejando demarcar seu espaço na marra? 

De religiosos armamentistas, partidários que usam a fé alheia para implorar pela volta da ditadura militar e desejam liberdade para mentir, ofender e difamar todos aqueles que se opuserem às suas ideias intimistas, vergonhosas e capitalistas? De negros capatazes e assassinos de outros negros, que em troca de poder, destaque social ou dinheiro se tornam os maiores racistas? De gays moralistas, homofóbicos e preconceituosos? De pacifistas, desmatadores, anti-indígenas e armamentistas? De pervertidos moralistas?

O que esperar? O que esperar? O que esperar? Em um mundo onde a hipocrisia parece ser a moeda corrente, onde as máscaras caem com uma facilidade assustadora, onde os interesses pessoais muitas vezes sobrepõem-se ao bem comum, resta-nos a dúvida amarga sobre o futuro de uma sociedade cada vez mais corroída pelos próprios vícios e egoísmos. O que esperar quando os valores morais são relegados a segundo plano, quando a justiça é uma utopia distante e a solidariedade torna-se uma raridade? A resposta parece desvanecer-se diante de um cenário tão sombrio, onde a busca pelo poder e pela satisfação individual eclipsa qualquer vestígio de humanidade e empatia. O que esperar? Talvez nada mais do que o eco vazio de nossas próprias decepções e a constatação amarga de que a verdadeira mudança só pode surgir de dentro de cada um de nós.

A pergunta continua a se repetir sem resposta. 

O que esperar?

sexta-feira, 28 de junho de 2024

Navalha na Carne - Edição 37 - O Tango da Injustiça: Revelando os Bastidores do Circo Ideológico Brasileiro.

No circo ideológico brasileiro, o conservadorismo dança com a justiça parcial em um tango tão íntimo que parece ser inseparável. Enquanto os ricos desfilam na passarela da impunidade, os condenados pobres e pretos são empurrados para a sarjeta da marginalização. Ah, a meritocracia, o doce sonho dos oprimidos, o conto de fadas que os mantém sonhando com castelos no ar enquanto os verdadeiros nobres se agarram ao trono por laços de sangue e acordos nos bastidores. A tal meritocracia brasileira é um desfile de incompetência disfarçada, onde o critério de promoção é mais sobre quem você conhece do que o que você sabe. É como uma grande empresa familiar, onde a incompetência é recompensada com um tapinha nas costas e uma promoção, enquanto os mais qualificados são relegados ao anonimato.

E o sistema escravagista disfarçado de jornada de trabalho, onde o 6x1 ou 7x1 é apenas uma piada de mau gosto, uma folga aleatória jogada aos leões. Essa é a "modernização" trazida pela reforma trabalhista de Temer, selada com um beijo de aprovação por Bolsonaro em 2018. Uma reforma que abriu as portas do paraíso para os empresários, enquanto os trabalhadores foram deixados para lamber as migalhas do chão.

E que dizer dos sindicatos? Uma vez poderosos, agora reduzidos a meros espectadores nesse teatro da crueldade. A maioria deles, tão corruptos quanto os políticos que deveriam combater, abandonaram seus sindicalizados à própria sorte, perdidos em um mar de interesses mesquinhos e egos inflados. Oh, Brasil, terra de contrastes e contradições, onde a injustiça é a única constante e a esperança uma ilusão frágil, sustentada apenas pela ingenuidade daqueles que ainda acreditam em milagres, sorte  e outras coisas que não precisam de competência para acontecer.

Ah, a vergonhosa tentativa de comparar os mercados brasileiros com os americanos e europeus, como se aqui houvesse algum ponto de referência além do desenfreado consumo capitalista que mantém a população refém de suas próprias ilusões. Enquanto lá fora o debate gira em torno de inovação, sustentabilidade e qualidade de vida, aqui nos contentamos com a sobrevivência em um sistema que nos trata como peões descartáveis em um tabuleiro onde os magnatas jogam com as nossas vidas.

E o que dizer da mídia aberta, essa fiel propagadora de falsas esperanças e ilusões de oportunidades? Ela alimenta o sonho do concurso público, da vaga de emprego estável, enquanto nos bastidores o jogo já está combinado, os cargos já têm dono, e o povão fica com os ossos, agradecendo aos céus por migalhas, enquanto os verdadeiros beneficiários se banquetear com os filés suculentos da meritocracia falsa. A promoção após uma década ou mais no mesmo cargo, um aumento salarial de migalhas, é pintada como um conto de fadas moderno, enquanto os verdadeiros contos de fadas são reservados apenas para os privilegiados nos castelos da elite. Elite essa que às vezes nem é elite de porra nenhuma, apenas emergentes, oportunistas, recebedores de dízimos, exploradores de idosas pensionistas, canalhas com sorrisos forjados para enganar, golpistas, muitos deles envolvidos em práticas criminosas e outras atitudes condenáveis e deploráveis, mas que sabem fazer cara de herdeiros e pose de elite para disfarçar a sua inaptidão e ignorância que o seu rico dinheiro não conseguiu comprar.

Por Alexandre Chakal

quinta-feira, 20 de junho de 2024

Navalha na Carne - Edição 36 - Despertando o Brasil: Cannabis Medicinal e Cânhamo - Saúde, Economia e Avanço Tecnológico rejeitados por nossos políticos

 

O tema de hoje já foi amplamente discutido por aqui em diversos contextos, desde a abordagem da guerra às drogas, embate entre Senado brasileiro e STF, até os males sociais decorrentes da falta de políticas mais progressistas sobre substâncias psicoativas.

Como tenho uma ideia de no futuro transformar o conteúdo desta coluna em um livro, acredito que o leitor vai algumas vezes achar o material repetitivo, mas também irá notar que no centro de meus textos está a crítica aos principais males do Brasil, que em 2024, se resumem a: injusta distribuição de renda proposital para que a miséria seja usada como chantagem estatal contra o povo, religiões envolvidas diretamente com política e o que já é cultural por aqui, enriquecimento ilícito, corrupção, destruição da natureza, massacre de povos nativos, valorização da branquitude fake da população miscigenada que se declara branca e odeia negros e por aí vai. Vou sim me repetir nesses pontos, pois eles alimentam as catástrofes e tristezas da minha alma e do país que vivo.

No entanto, hoje não estou falando sobre drogas, mas sim sobre remédios, tratamentos essenciais para diversas patologias, o bem-estar social, o lucro para o Estado brasileiro, geração de emprego e aumento da renda per capita do brasileiro com a cannabis, sem precisar virar traficante de drogas. Mas já sei que é um texto que também não será lido. Visto que o tema está em evidência na grande mídia e recheia os veículos de comunicação especializados no tema e também outros de grande credibilidade na sociedade. Porém, a tal sociedade que já tem o hábito de não ler textos longos, revistas e matérias com mais de uma página, livros então? Acredito que se um líder religioso semianalfabeto brasileiro determinar, no auge de sua ignorância, uma lista de livros proibidos, pecaminosos e que são coisas do diabo, iríamos presenciar uma atitude bizarra de multidões queimando livros como já foi feito no passado em outros lugares do mundo, mas que após esses episódios evoluíram de forma bem superior ao nosso país da banana, do Carnaval, que foi o último a abolir a escravidão e hoje parece que tem um flerte apaixonado por ela visto o aumento de casos de racismo, exploração de empregadores e outras mazelas que precisam existir para as engrenagens enferrujadas daqui continuarem lentas e favoráveis aos donos dessa máquina operada com confusão e caos social.

Após a derrota da extrema direita nas eleições, embora tenha conseguido eleger vários representantes para o Senado e o Congresso Nacional, o debate sobre a cannabis medicinal no Brasil tornou-se uma sucessão de fracassos. É impressionante como políticos eleitos pelo povo são tão incapazes de analisar questões tão cruciais para a economia e saúde dos brasileiros, incluindo seus próprios eleitores.

Este texto pode parecer redundante agora que conservadores, evangélicos e ex-militares que migraram para a política estão dominando a cena. Associações, grupos e autoridades de saúde estão na mídia tentando explicar os benefícios e vantagens estratégicas para o Brasil em flexibilizar as leis relacionadas à cannabis medicinal e ao uso do cânhamo. No entanto, parece que é tarde demais. Esses políticos questionáveis encontraram uma desculpa para impor uma cortina de fumaça sobre outros temas importantes, os quais eles convenientemente varreram para debaixo do tapete.

No Brasil, pacientes que buscam tratamento com óleo de cannabis para doenças graves enfrentam uma batalha burocrática. A necessidade de autorização judicial para plantar a planta em casa e produzir seus próprios remédios é um obstáculo cruel e desnecessário. Enquanto isso, o mundo avança, legalizando a maconha para fins medicinais e recreativos e explorando o cânhamo em diversas indústrias, desde têxteis até agricultura.

A cannabis medicinal demonstrou eficácia no tratamento de uma variedade de doenças, incluindo epilepsia, dores crônicas, transtornos de ansiedade, esclerose múltipla e até mesmo no alívio dos sintomas do câncer e do HIV/AIDS. Quanto ao cânhamo, suas aplicações são vastas e lucrativas. Na indústria têxtil, é utilizado na produção de tecidos sustentáveis e duráveis, enquanto na agricultura pode ser empregado como uma cultura de rotação para melhorar a qualidade do solo. Além disso, seus derivados são utilizados na fabricação de bioplásticos, papel, combustíveis biodegradáveis e até mesmo na construção civil. Importante ressaltar que tanto a cannabis quanto o cânhamo têm aproveitamento de 100%, nada se perde ou é descartado na natureza, sendo ambos biodegradáveis e não causando danos significativos ao meio ambiente.

O tema em questão é fundamental para repensarmos as políticas de saúde e economia no Brasil. A cannabis medicinal e o cânhamo representam não apenas oportunidades de tratamento para diversas doenças, mas também possibilidades de negócios e avanços tecnológicos. Ao invés de alimentar a ignorância e preconceitos enraizados, é hora de nossos políticos liderarem um debate informado, baseado em conhecimentos científicos e benefícios tangíveis para a sociedade. Este não é um assunto sobre a liberação de drogas recreativas, mas sim sobre saúde pública e lucratividade para o Brasil. É imperativo que deixemos de lado rótulos como "pecado" ou "crime" e abracemos uma abordagem que priorize o bem-estar dos cidadãos e o progresso do país. Afinal, a verdadeira valorização da família reside na busca por soluções que promovam a saúde, o desenvolvimento econômico e a evolução do conhecimento coletivo. Concorda?

Por Alexandre Chakal 

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Navalha na Carne - Edição 35 - A mentira é a mãe de todas as verdades brasileiras.

Quando eu era criança, meu avô me transmitiu uma lição que, na época, parecia apenas um conselho sábio de um homem mais velho. Ele enfatizou a importância de ser verdadeiro e íntegro, mesmo quando a vida exigia mais do que tínhamos. "O pobre pode ter poucas posses", ele disse, "mas a palavra é um tesouro que não custa nada". No entanto, como muitos na minha juventude, ignorei seus conselhos e me deparei com as consequências amargas da desonestidade e da falta de caráter.

Essa falta de integridade não é um fenômeno recente. Desde os primórdios da colonização do Brasil pelos portugueses, a mentira tem sido tecida na trama da cultura brasileira. Eventos históricos foram moldados por falsidades, desde as narrativas sobre o encontro com os povos nativos até os relatos da guerra do Paraguai, destacando-se como inverdades potenciais. Enquanto isso, as palavras ácidas do Dr. House, repetindo incansavelmente "Todos eles mentem", ecoam como um lembrete sombrio de nossa propensão à falsidade.

A mentira, entretanto, transcende fronteiras temporais e geográficas. Desde os tempos de Júlio César até os dias atuais, políticos têm manipulado a verdade para manter o poder. A Alemanha nazista nos anos 40 nos lembra que uma mentira repetida mil vezes pode se tornar uma verdade aceita, enquanto no mundo digital de hoje, a disseminação de fake news é uma epidemia que mina os fundamentos da sociedade.

No Brasil contemporâneo, a mentira é uma ferramenta essencial da política, alimentando o negacionismo e a desinformação que têm consequências letais. A falta de educação e a disseminação de teorias conspiratórias, tipo terra plana, vacinas que transformam pessoas em jacarés ou heteros em gays, transformaram a mentira em uma arma letal, prejudicando não apenas a política, mas também a saúde pública e a justiça social. Vou mais longe dizendo que a mentira enraizada na nossa cultura, que é exaltada como malandragem, sagacidade ou a velha esperteza, que por aqui diferencia vencedores de fracassados, é um plus em todo papo furado capitalista que nossos exploradores, escravizadores e canalhas que detêm nossos empregos, recebem nossos impostos e votos, tentam há décadas nos fazer seguir. Hoje a mentira é a certeza que eles venceram essa batalha. Fizeram-nos, reles mentirosos desconfiarmos uns dos outros e confiamos naqueles, que nos veem como peças de um jogo lucrativo, claro, apenas para eles.

Além disso, a cultura brasileira parece ter uma relação íntima com a mentira, que se estende para além do âmbito político. O hábito de mentir é muitas vezes associado à infidelidade conjugal, onde a cultura do(a) amante é normalizada e até mesmo romantizada. Recentemente, uma pesquisa divulgada no início de 2024 colocou o Brasil no topo do ranking de países mais promíscuos da América Latina, revelando uma conexão entre a mentira e a falta de fidelidade nos relacionamentos. Parece que, no Brasil, a mentira se tornou uma virtude, visto que a verdade proferida machuca, incomoda, fere egos e "valores".

Para construir uma sociedade mais justa e honesta, devemos reconhecer, nos reeducar e combater a mentira em todas as suas formas, que matam, desinformam, difamam, machucam, despedaçam famílias, constroem mitos e monstros. A verdade pode ser dolorosa (fala cliché), mas é essencial para o progresso, valores reais e a integridade de qualquer grupo que se propõe a viver em sociedade de forma civilizada. E não pensem que a mentira é um sinal de tolerância social que ajuda na construção da civilidade, isso é a grande falácia, alimentada por gente frágil, fraca e despreparada para enfrentar a vida como ela é. De verdade.

Por Alexandre Chakal