Era pouco mais de oito da manhã. Sentei na varandinha do bar do Jorge. Falei com ele que ia pra correria mais tarde e logo pagaria a conta. Pedi uma bem gelada para azeitar os planos na cabeça. Olhei o chão ainda com bitucas e outras coisas espalhadas desde a noite anterior. O cachorro Jack já latia e rosnava para todo mundo. Nego Belo tomava uma dose atrás da pilastra antes de pegar no trabalho. Nego Liso chegou logo depois apertando a mão dos presentes com seu sorriso alucinado e gritando.
-Que prazer medonho! - Era como expressava sua satisfação em encontrar os malditos companheiros.
O velho Pneu, que estava sentado em seu lugar de sempre, anunciou que gostaria de fazer uma fezinha.
Marrequita mostrava a bolsa cheia de mijo pendurada em sua cintura e decretava que a próxima semana seria de farra.
-Semana que vem o doutor disse que posso tirar essa merda. O buraquinho vai tá liberado. Quero ver quem vai ser o primeiro. A fila tá grande.
Na rua passou um rapaz empinando a moto. Ao baixar a roda dianteira, fazendo com que encostasse no chão, acelerou ao máximo dobrando a esquina.
O barulho de algo se espatifando denunciava o ocorrido, mas ninguém se levantou para confirmar.
Não houve interesse pelo ocorrido.
Fabio da Silva Barbosa
Foz do Iguaçu - PR
Outubro de 2025

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