Metal Reunion Zine

Blogzine fundado em 2008. Reúne notícias referentes a bandas, artistas, eventos, produções, publicações virtuais e impressas, protestos, filmes/documentários, fotografia, artes plásticas e quadrinhos independentes/underground ligados de alguma forma a vertentes da cultura Rock'n'Roll e Heavy Metal do Brasil e também de alguns países que possuem parceiros de distribuição do selo Music Reunion Prod's and Distro e sua divisão Metal Reunion Records.



domingo, 23 de agosto de 2026

ARQUIVOS EXPLÍCITOS - TEMPORADA 5 - DE FÉRIAS NO INFERNO #29

 

O bar da I. é o território dos jogadores. Lá as apostas rolam soltas. A mesa de sinuca tá sempre em atividade. Nos fundos rolam os dados e as cartas não param de ser embaralhadas e distribuídas...
E tinha um cara... Ele sempre estava por ali. Sentava no cantinho mais afastado que conseguia, pedia sua bebida e não puxava assunto com ninguém. O tipo de cara que eu apreciava. Totalmente avesso a interação com os demais. 
Certo dia, um outro que não tinha a mesma qualidade do anteriormente citado, pelo contrário, tinha uma necessidade doentia de falar desenfreadamente, chegou com suas brincadeirinhas patéticas de sempre. Sentou ao meu lado e abriu a torneira verborrágica. 
Vendo que ele não parava nem para respirar, comentei que o que ele tinha de comunicativo o mano  sentado no canto tinha de introspectivo. Ele se inclinou pro meu lado e falou em tom de segredo:
-O R.? Aquilo não é mano não. Isso é bicho pau no cu. Antigamente chegava de brabo, dizendo que tudo era motivo pra matar e torturar. Era carcereiro nessa época. Adorava contar das sacanagens que fazia para complicar a vida dos manos que estavam atrás das grades. O filho dele seguiu o mesmo caminho. Passou no concurso pouco antes de pai se aposentar. Daí ele chegava aqui dando risada das peripécias do menino infernizando a vida dos presos. Um dia rolou uma rebelião. - Fez uma pausa dramática,seguida de um sorriso cínico. - A cabeça do merdinha virou bola de futebol. - Mais uma pausa, desta vez, para analisar minha expressão. - Nos primeiros dias chegava choroso, dizendo o quanto seu filho era bom e não merecia o ocorrido. Mas como todo mundo conhecia a tralha que eles eram, não conseguiu quem compartilhasse de seus sentimentos. Aos poucos foi se fechando, até dar nisso aí. 
Perdi a simpatia que tinha pelo homem calado. Respirei fundo e comentei:
-A coisa não foi tão divertida pra ele quando o filho passou para o outro lado da lança e sentiu a ponta entrando em seu abdômen. 
-Pois então. -  Respondeu balançando a cabeça e abrindo os braços.

Fabio da Silva Barbosa
Foz do Iguaçu - PR
Outubro de 2025

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