Tosco chegou e o portão estava encostado. Deslizou para dentro e vestiu o manto da invisibilidade até o quarto onde Trava e Estranho já estavam a mil. Ambos fizeram sinal de silêncio e apontaram para o prato onde a linha estava esticada.
-É a última. Tava só te esperando. - Sussurrou Trava desviando os olhos do vídeo porno que rolava na TV.
Estranho caminhava de um lado para outro esfregando as mãos e olhando para todos os lados, como se procurasse algo.
Tosco não perdeu tempo e aspirou todo o pó.
-Tem cigarro? - Perguntou Estranho entre os dentes.
Tosco tirou a carteira de cigarros baratos do bolso e atirou sobre a mesa. Trava e Estranho se lançaram sobre o maço. Conferiram quantos tinham e chegaram a conclusão que era melhor pegar um e dividir para durar mais, já que existiam poucos e a noite estava só começando.
Estranho acendeu o cigarro, olhou para o teto e para o chão. Em seguida encarou a parece que dava para a pequena janela e se aproximou dela. Apontou para algumas marcas bizarras que formavam uma trilha. Eram pegadas de algum animal não identificado que parecia ter escalado a parede até a janela. A janela dava para uma espécie de cômodo cheio de coisas velhas amontoadas.
Depois de certo tempo com os três analisando e tentando descobrir que tipo se bicho seria, Trava comentou que a proprietária ainda não tinha ido dormir e que precisavam fazer silêncio.
Estranho perguntou se tinha mais cocaína e Trava balançou a cabeça negativamente.
-Mas tenho um pouco de maconha.
Estranho voltou a esfregar as mãos, demonstrando ter gostado da informação fornecida por Trava.
Tosco deu um peido e sentiu a cueca pesar. O cheiro de carniça preencheu o ambiente. Na TV, o porno continuava a rolar.
Por Fabio da Silva Barbosa
Foz do Iguaçu - PR
Outubro de 2025

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