Metal Reunion Zine

Blog que reúne notícias referentes a bandas, artistas, eventos, produções, publicações virtuais e impressas, protestos, filmes/documentários e quadrinhos independentes/underground ligados de alguma forma a vertentes da cultura Rock'n'Roll e Heavy Metal do Brasil e também de alguns países que possuem parceiros de distribuição do selo Music Reunion Prod's and Distro e sua divisão Metal Reunion Records.

terça-feira, 11 de julho de 2017

JACKDEVIL Amor pela velocidade! - Entrevista

Abertura  da entrevista, preferimos não fazer. Vamos direto ao assunto nesse bate papo com André Nadler sobre a JackDevil.

Metal Reunion Zine. A entrada de vocês seria toda minha, mas atrás de vocês me sinto um jegue. Saudações, cabeludos do Metal veloz.

André Nadler - A satisfação é nossa de participar de mais uma entrevista que sempre rende em boas perguntas que fazemos questão de responder da melhor maneira possível.  Vocês são nossos companheiros nessa batalha em nome do metal brasileiro.

Metal Reunion Zine. Com a mudança repentina de um dos integrantes, resultou em uma surpresa para muitos assim que foi lançado o flyer promocional da turnê. Confesso que estou desinformado, mas sem querer me intrometer nos assuntos internos da banda fica a critério a resposta desta mudança. Como está sendo ter essa mudança após anos intacta? Já possuíram um entrosamento anterior?

André Nadler -  As dificuldades de manter uma banda viva dentro do circuito underground do Brasil é uma missão árdua. Há mil motivos para você desistir, mas existe sempre um motivo que fará você continuar, o amor pelo que você faz.

Metal Reunion Zine. A saída do baterista anterior foi necessária para fazer que o Jackdevil respirasse de forma mais homogênea. Ele decidiu fazer uma banda de outro estilo musical e já estava ficando difícil conciliar a jornada dupla. Já com o Fernando Hellboy o crescimento musical da banda - tanto no quesito técnico quanto nas atividades que envolvem os bastidores da nossa carreira - teve uma melhora significativa. Vale destacar que o Hellboy havia sido nossa primeira opção na bateria, em 2010, quando estávamos planejando montar o grupo.

Metal Reunion Zine. O Jackdevil sempre mostrou atitude e muita polêmica diante a carreira, ainda mais quando o nome André Nadler é citado. Uma vez vi uma entrevista da banda Nervosa que continha a seguinte resposta: “(...) Os haters são os que mais nos divulgam (...)”. Diante toda essa situação, qual o posicionamento de vocês?

André Nadler -  Eu falo o que penso e faço o que me convém, ser polêmico é consequência.  Não vejo  outra forma de ser bem sucedido na vida que não seja sendo quem você realmente é e acredito que o Jackdevil se encaixa nesse padrão. 

Metal Reunion Zine. Esse papo de odiar o trabalho dos outros é antigo.  Se o Diabo que é o pai do rock está cheio de “hater” do trabalho dele na Terra, por que seria diferente com bandas do estilo que ele criou? (risos)

O Jackdevil desenvolve seu trabalho voltado para quem gosta e quem não gosta e quiser nos divulgar que fique à vontade porque o que vale é não cair no ostracismo. Já dizia Oscar Wilde: “Há apenas uma coisa no mundo pior do que falarem mal de você; não falarem sobre você.”.

Metal Reunion Zine. Teresina é praticamente a segunda casa de vocês, mentir nessa hora não vale. Após muito sucesso com turnês bem recebidas (Aquela do Onslaught é um bom exemplo), shows lotados é uma ótima recepção a cada material lançado. Como anda a vida normal de vocês? Não é fácil​ conciliar tudo isso em um único gatilho, principalmente para nós brasileiros.

André Nadler -  Teresina e São Paulo são cidades que nós temos como nossas casas, tanto pelo carinho do público de cada um desses locais quanto pelo número de bons shows. Em relação ao fato de conciliar tudo em único gatilho posso afirmar que todos nós do Jackdevil levamos uma vida bagunçada. Em troca do crescimento da banda acabamos sacrificando o tempo com nossas famílias, reprovamos diversas vezes nas faculdades, gastamos quantias que nunca voltaram aos nossos bolsos e perdemos diversos amigos ao longo dessa estrada, em todos os sentidos. O tempo vai passando e a gente vai sobrevivendo da forma que é possível.

Metal Reunion Zine. E essa vindoura turnê na Europa, o que tiraram de tanta influência? E uma parte 2 pode acontecer?

André Nadler -  Nós conseguimos uma evolução que poderia acontecer em quatro anos em apenas quatro semanas. Foram diversas experiências inéditas e que nos ajudaram a enxergar um futuro promissor para o Jackdevil.  A segunda turnê na Europa já está marcada para abril do ano que vem e provavelmente iremos passar por países que não tocamos na primeira vez. Portugal e Espanha já estão na mira.

Metal Reunion Zine. Cada fruto colhido é por mérito de vocês. Levando em conta que já estão do lado Mainstream da música, como percebem a inserção do material de vocês ao longo da jornada no cenário musical nacional e internacional?

André Nadler - O nosso maior sonho é deixar o nome do Jackdevil escrito na história do metal brasileiro, pois seria incrível ver meus netos se orgulhando por ter um avô que participou de uma banda importante do Brasil, mas se isso não acontecer e a gente cair em esquecimento no futuro mesmo assim acho que a felicidade da gente já é grande só por saber que lutamos com todas as forças para isso acontecer. O dinheiro, o status ou qualquer outro “fruto” do nosso trabalho não é tão satisfatório quanto o reconhecimento.  Ainda vejo o Jackdevil como uma banda underground e vamos continuar assim até o último dia da banda.
O material da banda está ganhando proporções bem maiores e creio que após o lançamento do próximo material e com algumas novidades que temos para lançar nos próximos meses o alcance vai ser ainda maior.



Metal Reunion Zine. O que acham dessa galera que faz sucesso muito rápido (Não vale citar vocês mesmos, seus espertos) hoje em dia, isto é, sobre o mercado musical? E desses movimentos em prol do Rock, como coletivos, etc...?

André Nadler -  Para quem está de fora talvez faça sentindo dizer que o Jackdevil é uma banda que cresceu rápido, mas para quem está aqui do lado de dentro sabe o quão difícil e demorado foi. Eu tenho 28 anos e vejo bandas bem maiores como o Lost Society com integrantes na faixa etária de 20 anos e me sinto ultrapassado.  (risos)
Já conferiu a quantidade de funkeiros que possuem um ou dois anos de carreira e já possuem milhões de visualizações no Youtube? Já percebeu os inúmeros influenciadores digitais que em tão pouco tempo já estão fazendo fortunas com seus snapchats?  Seja bem-vindo ao futuro, jovem.

Metal Reunion Zine.  Sejam sinceros e humildes, sem gracinhas. O público consome mais os shows ou materiais de vocês? Os lançamentos sempre superam expectativas?

André Nadler - Acho que há um certo equilíbrio entre os dois fatores. Um fato curioso é que nos últimos anos a quantidade de material vendido nas bancas de merchandising que sempre montamos nos shows que participamos está crescendo significativamente. Sobre os lançamentos até hoje os nossos resultados também estão dentro da média, mas é claro sempre valorizamos aquilo que já foi lançado por nós mesmos, afinas de contas é importante manter os discos todos à venda porque é isso que mantém a nossa história viva, certo?


Metal Reunion Zine. De um tempo pra cá é lamentável ver bandas querendo impor conservadorismo e criando "guerras" no Facebook devido as posturas sem nexo, sem nenhum propósito, idolatrando seres que não passam de enfeites. Na opinião de vocês, quais os tipos de bandas que merecem ser entendidas como Underground/Médias/Mainstream, e aquelas que não mereciam nem ensaiar?

André Nadler - Não vejo que a gente seja capaz de julgar quem merece ou não existir dentro do metal, cada um faz o que quiser e da forma que acha melhor, mas, na minha opinião, se você é extremista, homofóbico, xenofóbico e adora defender babacas como Jair Bolsonaro na internet, seria uma boa largar o metal e partir para uma outra. A liberdade e forma livre de viver é a essência do nosso estilo musical, ou seja, o metal não foi feito para os cuzões.

Metal Reunion Zine. Se vender abertamente ao modismo, ao "verão" e não criar uma identidade é comum no ramo do Metal. O Jack Devil existe há anos com a marca que conseguimos identificar com toda clareza. Como enfrentam todas as mudanças gerais na música que tocam? Já receberam propostas horrendas para se venderam a troco de uma boa grana?
André Nadler - Esse negócio de rotular as pessoas de “vendido” é engraçado. Sobre isso o que sempre digo é que já me vendi e por muito pouco, mas foi no passado, quando trabalhava panfletando para tentar comprar meu primeiro instrumento. Já ouvimos algumas pessoas dizendo que o Jackdevil se vendeu e o que sobra é sorrir, porque o nosso trabalho é executado exatamente do jeito que a gente acha que deve ser feito.
As mudanças são naturais e com o passar do tempo você vai incorporando uma ou outra coisa para tentar obter melhorias ao projeto, mas nunca recebemos nem proposta e nem ordens de gravadora alguma para modificarmos algo no Jackdevil.

Metal Reunion Zine. Seguindo o mesmo ritmo, o radicalismo e outros quesitos querendo ou não atrapalham bandas novas que querem "sair da garagem". Não me recordo de ver em entrevistas tendo pessoas chamando a banda de bosta ou adjetivos nada agradáveis (risos). É comum ouvirem isso ou já foi comum? Qual relato poderiam dar para as bandas novas contra o incômodo de comentários?

André Nadler -  Aqui segue a dica para quem está começando agora e se incomoda com comentários desagradáveis na internet:

Abra o seu navegador de internet no seu computador e/ou celular;
Digite na aba “www.xvideos.com “ como endereço da internet;
Clique no vídeo de sua preferência e espere carregar em high quality (HD);
Divirta-se sem limites enquanto o idiota do outro lado perde o tempo falando de você;

Metal Reunion Zine. O que é o Jackdevil de "Under The Metal Command" e o Jackdevil de "Evil Strikes Again"?

André Nadler - O Jackdevil de “Under  the Metal Command”  mostra uma banda dando o seu primeiro passo, um verdadeiro tiro no escuro saindo do Maranhão para acertar outros lugares. Nós éramos inexperientes e não tínhamos muito o que fazer, daí apostamos no esquema “do it yourself” e quando nos espantamos estávamos sendo citados como a “Nova Geração do Metal Brasileiro”. O Jackdevil do “Evil Strikes Again” já mostra uma banda maior, com turnês no exterior, uma gravadora e com voos maiores sendo alçados, mas também um grupo lutando ainda por espaço e resistindo aos diversos golpes furiosos que a vida proporciona aos que não desistem dos seus sonhos.

Metal Reunion Zine. Contagiante e cheio de energia o Jack Devil possui muito a acrescentar e produzir. Cada membro possui uma clareza de capacidade no que fazem. Desejo boa sorte a todos, minha torcida é toda de vocês (risos). Sob o comando do metal encerro por aqui.

André Nadler - Nós do Jackdevil agradecemos pelo convite e esperamos que todos gostem das nossas respostas. Não são as mais legais do mundo, mas foram escritas de coração. Que venham mais entrevistas divertidas como esta. UP THE DEVILS!


Entrevista por Pedro Hewitt

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