Metal Reunion Zine
quinta-feira, 27 de março de 2025
Final Creation - "Last Breath" - Resenha EP
domingo, 6 de novembro de 2022
PERC3PTION - Once And For All - Resenha CD
PERC3PTION
“Once And For All”
Shinigami - Nac.
“Once And For All” é um álbum que já
tem um tempo de lançado. Mais precisamente, foi lançado em 2016, via Shinigami
Records. Mas enquanto o Perc3ption não lança o seu tão esperado novo álbum de
estúdio, faço a resenha desse seu segundo álbum. O disco começa com a forte
“Persistente Makes the Difference”, com um trabalho de bateria, a cargo de Peferson
Mendes, fantástico. O cara simplesmente detona nas levadas velozes. Por falar
em velocidade, essa música envereda pelos lados do Power Metal, mesclando,
ainda, boas melodias e quebras de andamentos. Bem, a banda não soa simplesmente
Power Metal. Digo que esse estilo é apenas um complemento, já que o Perc3ption
tem uma musicalidade bem apurada, ou seja, faz um Prog Metal de alta qualidade,
mas sem deixar de lado certa velocidade e até mesmo alguns andamentos mais
agressivos, o que torna a sua música fácil de ser ouvida, até mesmo por quem
não é tão afeito ao estilo. As vocalizações de Dan Figueiredo (não mais
integrante da banda) carregam bastante ‘feeling’, com uma boa variação, indo de
algo mais limpo a uma passagem ou outra carregada de agressividade (sem
exageros). O tempo de duração do álbum passa de uma hora, porém o que aqui
ouvimos faz com que o disco passe de forma rápida, pois a qualidade musical (e
dos músicos) não deixa nada a dever a qualquer baluarte ‘gringo’ do estilo. E,
por encontrarmos músicas mais longas, é fácil ouvir, numa mesma música, a
velocidade do Power Metal e as quebras de tempo e andamentos bem típicos do
Prog Metal, como já mencionei. “Braving the Beast”, que é a maior música do
álbum, contendo mais de dez minutos, é um bom exemplo disso. Outra que merece
menção é “Magnitude 666”, com suas levadas Power Metal. E por falar em Power
Metal, “Extinction Level Event” é uma excelente representante do estilo. Já
“Through the Invisible Horizons” pode servir de parâmetro para o que é a
sonoridade do Perc3ption, já que apresenta passagens Power Metal, variações
Prog Metal, e grande peso nas guitarras, se tornando, assim, uma de minhas
preferidas do álbum. O trabalho, seja nos riffs ou nos solos, das guitarras de
Glauco Barros e Rick Leite é o que torna o disco bem pesado em muitas
passagens. Isso tudo acompanhado pelas fortes linhas de baixo de Wellington
Consoli. A gravação está num nível altíssimo, e deixou toda a parte
instrumental bem nítida, com um volume que nenhum instrumento se sobressai ao
outro. A arte da capa é belíssima e deixa para o ouvinte a responsabilidade
para a interpretar, afinal, tem muitos, muitos detalhes. Parte lírica muito bem
escrita e que também pode ser deixada para o ouvinte a forma de a interpretar,
mesmo que alguns temas tenham uma linha lírica mais triste e realista. Não
diria que “Once And For All” é um álbum indicado para os amantes do Prog/Power
Metal. É um álbum para quem gosta de música pesada, de qualidade... Para
aqueles que não estreitam sua audição dentro do Heavy Metal.
Contatos:
Resenha por Valterlir Mendes
JAEDER MENOSSI - Interestellar Experience - Resenha CD
“Interestellar
Experience”
Heavy Metal Rock -
Nac.
Seria “Interestellar Experience” um
álbum para amantes da guitarra? Seria Jaeder Menossi um mero músico fazendo malabarismos
com sua guitarra e mostrando o quão rápido e preciso é em suas notas? Bem, para
dirimir qualquer dúvida, nada melhor que colocar esse primeiro álbum do
guitarrista para rolar e tirar suas próprias conclusões. E o mais interessante,
nesse tipo de trabalho, é ser surpreendido de forma boa, afinal o disco não se
limite a milhões de notas na guitarra, solos intermináveis ou qualquer devaneio
instrumental. Jaeder, nesse disco, é acompanhado pelos músicos Jere Nery
(vocal), Rodrigo Barros (baixo) e Loks Rasmussen (bateria, exceto em “Travel to
Neptune”, que ficou a cargo de Geraldo Martins), que em nenhum momento procurar
cobrir a importância do guitarrista em seu disco solo, porém fazem sua parte
para tornar o disco ainda mais agradável de se ouvir. Exemplo disso já temos
logo na abertura do álbum, com “Countdown/Release”, com os músicos realmente
dando apoio para que Jaeder mostre todos os seus dotes. Apesar das guitarras de
Jaeder serem o carro-chefe, com muitos solos, licks e riffs, os músicos de apoio
mantém o peso durante a execução da música. Também gosto quando num álbum de um
guitarrista podemos ouvir músicas com vocais, para não ficar um disco cansativo
e apenas indicado para músicos. A pegada “shread”, com notas rápidas e rápidas
transições entre elas, dá espaço para uma levada mais Hard n’Heavy nas músicas
com vocais, como é o caso de “Andromeda”, onde Jere faz boas vocalizações, sem
muitos exageros ou notas agudas inalcançáveis. Mas se você é fã do já
mencionado estilo “shread” opções não vão faltar: “Landing at Mars” mostra toda
a desenvoltura e qualidade instrumental de Jaeder. “Jupiter Moons” é outra que
traz o guitarrista em grande forma. E, se frise, as músicas, mesmo
instrumentais, não soam iguais uma a outra. O guitarrista tem um grande leque
musical em suas mãos (ou dedos). Mas, também, pudera. Jaeder tem uma longa
carreira, que já conta com mais de 30 anos, com apresentações dentro e fora do
país, seja com a sua banda, Pop Javali, ou ao lado de músicos do Dr. Sin, Mr.
Big, entre outros. A produção do álbum ficou a cargo do baixista Rodrigo
Barros, e está num bom nível. A parte gráfica é bem cuidada e informativa.
Álbum indicado não só para guitarristas, mas, também, para quem gosta de um bom
Hard n’Heavy.
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Resenha por
Valterlir Mendes
3RD WAR COLLAPSE - Damnatus - Resenha CD
“Damnatus”
Guttural Brutality - Imp.
Bruto! Que disco bruto! Não há
melhor forma de descrever esse primeiro álbum do 3rd War Collapse, projeto que
tem como integrantes, nesse primeiro lançamento, Cristiano Martinez
(guitarra/vocal, ex-Vomepotro), Rodolfo Carrega (baixo/vocal, Clawn), Kalle Lindofers
(bateria, Inferia, Plaguebreeder). E para quem conhece as duas bandas
brasileiras citadas, sabe que ambas, quando o quesito é Death Metal, nunca
brincou em serviço. Nas 11 músicas (!!) contidas em “Damnatus” não há concessão
para melodias bonitinhas ou espaço para “climinhas”. O que ouvimos é uma
brutalidade desenfreada, do início ao fim. E isso não quer dizer que o disco é
maçante, chato de se ouvir, sem opções. Em meio a todo o caos emanado, o trio
não se limita a fazer uma sonoridade reta ou sem alternâncias de andamentos.
Pelo contrário: o disco nos dar diversas opções, mas, sendo repetitivo, sem
nunca perder a brutalidade. E num disco tão linear, no que se refere a sua
qualidade musical, a parte mais difícil é apontar esse ou aquele som como o destaque
do álbum. Os vocais, divididos entre guitarrista e baixista, são levados às
últimas consequências. Um verdadeiro esporro gutural. Não dá para ficar
indiferente - falo dos amantes do Brutal Death Metal - a pancadas como “Eyes of
Deception”, “Broken Celibacy”, “Headshot” e “Stagnation”, só para citar algumas
músicas. O tipo de gravação, que deixou a parte instrumental com uma levada
mais ‘seca’, trouxe ainda mais agressividade a esse disco de estreia. Parece
que o que ouvimos no álbum foi metodicamente trabalhado para deixar os fãs do
estilo em êxtase. E mencionei no início da resenha que o álbum tem 11 músicas,
porém o seu tempo de duração nem chega a 27 minutos. Curto, direto, sem
firulas! A arte da capa ilustra bem o estilo praticado pela banda. As letras
abordam o cotidiano, o caos humanitário, guerras... Esse é o tipo de álbum que
o ouvinte, de forma alguma, vai conseguir ouvir uma única vez e deixar para lá.
Quando recebi esse disco, ele ficou por dias no meu aparelho de som. E, veja
bem, impossível não se lembrar de Brutal Death Metal e não ir procurar esse
disco na coleção e o colocar para rolar. E já tenho notícias de que já
trabalham num novo álbum. Aguardando...
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Resenha por
Valterlir Mendes
SUNROAD - Walking the Hemispheres - Resenha CD
“Walking the Hemispheres”
Musik Records - Nac.
A banda Sunroad, oriunda de
Goiânia/GO, já está na ativa há bastante tempo. Para ser bem exato, há 26 anos.
“Walking the Hemispheres” vem a ser o seu oitavo álbum de estúdio, ou seja, é uma
banda bem prolífica. Apesar disso, o que sempre me deixou com um pé meio atrás
com a banda foi sua abordagem lírica. Assim sendo, ao receber esse novo álbum
do Sunroad, fui conferir qual a temática abordada e se havia alguma espécie de
doutrinação religiosa nelas. Felizmente o que li, nas letras desse disco, não
enveredam por esses caminhos. São letras bem escritas, tratando de
existencialismo e assuntos inerentes, por vezes intrincadas e que carecem de
aprofundamento na leitura para seu entendimento. Musicalmente a banda transita
entre o Hard Rock, Prog Metal e até mesmo Heavy Metal, carregando uma aura anos
70, como já ouvido logo no início do álbum, já que a faixa-título, que abre o
disco, traz uns Hammond no melhor estilo Deep Purple. E essa música é carregada
de ‘feeling’, nos faz voltar no tempo, mas, de certa forma, carregando algo
mais contemporâneo. Um paradoxo bem vindo. A interpretação do novo vocalista
Steph Honde é magistral, carregada de sentimentos, sem exageros e até mesmo
trazendo algo mais grave na voz. Mas é o todo que realmente deixa o álbum
excelente para se ouvir. A construção da musicalidade da banda é algo que me
deixou espantado. Eu esperava ouvir algo mais burocrático, confesso, mas o que
ouvi durante todo o decorrer de “Walking the Hemispheres” é uma música
contagiante, cheia de agradáveis surpresas e indicada para quem gosta de um som
pesado, com excelentes melodias. Ponto para Netto Mello (guitarra), Mayck
Vieira (guitarra, baixo), Van Alexandre (baixo, guitarra) e Fred Mika (bateria).
Vale mencionar que Steph é o responsável, também, pelos teclados tocados no
disco e tocou guitarra no cover “Try Me” do UFO. O disco contém 12 faixas, o
que para o estilo, parece ser longo, mas nem chega aos 50 minutos de duração. E
o tempo passa rápido, devido à qualidade musical - já mencionada - que ouvimos
no álbum. Gravação num bom patamar. Arte da capa trazendo muitos detalhes,
portanto podendo ser interpretada de diversas formas. E os destaques são
vários, para quem gosta de um som que não se limita a trazer passagens
progressivas, mas que transita por algo mais rápido e melódico, além daquele
tradicional Rock N’Roll que te remete aos anos 70. Ouça a faixa-título, “Living
in a Dream (Red Sign Mirror)”, “Silence Erupting Inside” (com um show das
guitarras) e “Shoot the Clock” (de levada mais compassada, com uso de Hammond e
com os dois pés fincados nos anos 70).
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Resenha por
Valterlir Mendes
CRUCIFIXION BR - Human Decay - Resenha CD
CRUCIFIXION BR
“Human Decay”
Shinigami - Nac.
“Human Decay” é o segundo álbum de
estúdio da banda Crucifixion BR e que, coincidentemente (ou não), marca os 25
anos de sua formação (a banda surgiu em 1996, em Rio Grande/RS). Apesar de toda
a sua longevidade como banda, eu só vim a conhecer o Crucifixion BR a partir
desse novo álbum. E, digo, foi muito bom conhecer a banda logo a partir desse
poderoso disco. “Human Decay” é um álbum que agradará em cheio os amantes do
Death Metal, com algumas pitadas aqui e ali de Black Metal. É música para quem
procura brutalidade, peso, densidade. “Human Decay” nos apresenta uma
musicalidade desconcertante, alternando agressividade e andamentos mais
cadenciados, sejam nas mesmas músicas ou durante a execução do disco. Não é um
álbum em que o ouvinte vai ouvir um som linear, “reto” ou veloz o tempo todo. E
a agressividade se encontra justamente aí: não necessariamente é preciso
velocidade para se fazer um disco brutal. Temas como “Annihilation and
Victory”, que nos mostra andamento mais denso e com inserção de ótimos solos de
guitarra, “Into the Abyss”, que também traz ótimos solos, no seu início e no
seu decorrer, e a devastadora “Blood Fire Victory”, a qual não deixará o
ouvinte inerte, são bons exemplos do poderio encontrado nesse novo disco do
Crucifixion BR. O disco contém 12 faixas, porém “Opening the Gates, Blasphemy
Returns”, “Confirmed Execution 666”, “Passage” e “The Final Chapter”, são uma
espécie de “intermezzos”. “Insanidade Bestial”, apesar de seu título em
português, é totalmente cantada em inglês, fato bem curioso e explicado na
entrevista concedida ao Recife Metal Law. A parte lírica transita pelo
ocultismo, caos, destruição, ataque às religiões, mas, também, dando ênfase à
lutas e vitórias. A gravação está num excelente patamar e ficou a cargo do
Hurricane Studio. “Human Decay” traz, ainda, como convidados Andre Rod
(Attomica) em “Human Decay” e Dave Ingram (Benediction) em “Bloody Fire
Victory”. A formação responsável pela gravação do disco foi: Maxx Guterres
(guitarra/vocal), Beto Factus (baixo), Juliana Novo (bateria) e Miller Borges
(guitarra). Um álbum altamente indicado e apresentado de forma impecável, seja
na produção sonora, execução das músicas ou na bem cuidada parte gráfica.
Contatos: www.crucifixionbr.com
Resenha por Valterlir Mendes
MARDUK - “Viktoria” - Resenha CD
MARDUK
“Viktoria”
Urubuz - Nac.
domingo, 4 de setembro de 2022
ORTHOSTAT - Monolith of Time - Resenha CD
“Monolith of Time”
Tales From The Pit/Vários - Nac.
O surgimento do Orthostat se deu em
2015 e, no ano seguinte, lançou uma Demo. Mas seu álbum de estreia, o aqui
comentado “Monolith of Time”, apenas “deu as caras” em 2019, ou seja, quatro
anos após a formação da banda. E, pelo visto, esse período até o lançamento do
‘debut’ fez muito bem, afinal, ouvimos um Orthostat (nome bem difícil e
incomum, né?) destilando um Death Metal bem influenciado pela década de 1990,
naquela linha mais primitiva, o que não significa que a música é rudimentar.
Pelo contrário, o que ouvimos nesse álbum são músicas bem feitas, bem
construídas, por vezes complexas, e músicos mostrando que entendem do traçado.
A começar por “Ambaxtoi”, que impressiona pela musicalidade, que começa com
murmúrios, gritos, como uma espécie de introdução, depois descamba para uma
parte instrumental mais veloz, depois para momentos mais marcados e outros
densos, em meio tempo no final, e isso é só a primeira música. Antes de
continuar a analisar a musicalidade como um todo, devo mencionar a gravação,
que está excelente. E, para o que a banda faz, sonoramente falando, não é algo
comum de se ouvir. Está muito bem feita, bem nítida, deixando tudo bem
equalizado e audível. Voltando a parte musical, “Qetesh”, segunda música, já
vem “chutando tudo”, de início, mas alterna tais momentos ríspidos com
andamentos em meio tempo. Isso é uma tônica no álbum. Os vocais de David Lago
(também responsável por uma das guitarras) são totalmente guturais, cavernosos
mesmo, o que deixa o Death Metal do Orthostat ideal para ouvidos mais
ortodoxos. Outra coisa que não é comum no estilo feito pela banda é o tamanho
das músicas. O disco, ao total, tem 10 músicas e 60 minutos de duração (são
oito músicas de estúdio e duas ao vivo). Porém, devido aos vários andamentos
contidos em cada música, elas não se tornam maçantes. A banda soube dosar peso,
velocidade, rispidez e brutalidade, fazendo com que cada música tenha seu
destaque, independentemente de sua duração. A temática lírica, como dá para ver
em títulos como “Eridu”, “The Will of Ningirsu”, entre outros, abordar as
civilizações antigas. A arte gráfica é bem caprichada, com um encarte contendo
diversas páginas e, claro, trazendo tudo que é informação. E a banda mostrou
coragem, já que logo no álbum de estreia trouxe uma capa que sequer menciona
título do disco e nome da banda. Essa versão que recebi foi a lançada pelo selo
Tales From The Pit e vários outros, numa versão limitada, mas o disco ganhou
diversos lançamentos, por outros selos, inclusive no formato fita K-7.
Orthostat, nesse disco de estreia, contou na sua formação, além do
vocalista/guitarrista David Lago, com Eduardo Rochinski (baixo), Rudolph Hille
(guitarra), tendo o apoio do baterista de estúdio Thiago Nogueira.
Contatos: www.facebook.com/OrthostatDM
Resenha por Valterlir Mendes
EXORCISMO - Exorcise and Steal - Resenha CD
“Exorcise and Steal”
Narcoleptica
Productions - Imp.
Foram anos e anos até que a banda
pernambucana Exorcismo chegasse ao seu primeiro - e até agora único - álbum
completo, “Exorcise and Steal”, lançado em 2018. Mas devo dizer que a espera
até que foi válida, pois o que encontramos nesse álbum de estreia é uma
verdadeira compilação de músicas ferozes, rápidas, pesadas, numa sonoridade que
soa Thrash Metal até o último riff! Falando em riffs, o álbum vem repleto
deles, calcados na ‘velha escola’ do estilo. E, apesar de toda a velocidade
apresentada durante os mais de 45 minutos de duração do disco, a banda não
deixa de nos apresentar aquelas passagens marcadas, típicas do estilo. Os
vocais de Denis Violence (também baterista) nos remete aos ícones do estilo.
Aqueles mesmos, lá da década de 1980. O álbum, como um todo, soa como se
tivesse viajado no tempo. É um álbum tipicamente ‘old school’, com uso (e
abuso) de backing vocals, bateria sendo martelada o tempo inteiro e riffs
(redundante, não?) em abundância. O banger que pegar o disco, a cada linha
ouvida, vai identificar as influências do Exorcismo, o que não poderia deixar
de ocorrer, mas isso não quer dizer que a banda soa meramente como algo que já
fora feito. As influências estão lá, porém a banda soube as usar a seu favor, criando
um disco que soa enérgico a cada faixa que passa. A parte mais difícil é
apontar essa ou aquela música como a melhor do disco, pois a linearidade de
qualidade delas estão no mesmo patamar. O fã do Thrash Metal vai se identificar
com todo o conteúdo do álbum, afinal, não é fácil ficar inerte a temas como
“Dump of Death”, “God is Dead”, “Apocalipse Nuclear/Visions of Eternity”
(apesar dos dois títulos, a música é cantada unicamente em português). A parte
da produção sonora deixou o disco soando bem “anos 80” e o menos desavisado
pode até pensar que seja uma banda bem antiga. A capa ilustra o título do
disco, bem como o seu conteúdo lírico, que traz letras ácidas, críticas, algo
bem comum no Thrash Metal. Além de Denis, os demais responsáveis por essa obra
de puro Thrash Metal foram Anderson Razor e Carlos Ragner (guitarras) e Risaldo
Silva (baixo). Ah, entre as 10 faixas presentes em “Exorcise and Steal”
encontramos “Deathraiser”, um insano cover da lendária Attomica. E posso dizer
que Attomica, em seus primeiros discos, é uma grande influência para o
Exorcismo.
Site: www.facebook.com/Exorcismothrashband
Resenha por Valterlir Mendes
SCRUPULOUS - Ostia and Genocide - Resenha CD
“Ostia and Genocide”
Heavy Metal Rock - Nac.
O logotipo da banda, na capa, já
“entrega” o seu estilo: Death Metal! E isso já podemos ouvir na segunda faixa
(a primeira é uma introdução intitulada “In the Begins... Intro”) contida no
disco de estreia da Scrupulous, a qual recebe o título de “Ius Divinium
Schizo/Crown of Rubble”, que começa de forma arregaçadora! Só que a música vem
repleta de mudanças de andamentos, ‘quebradas’ de tempo, indo de momentos mais
devastadores a algo com passagens mais marcadas. E o que vamos encontrar nesse
álbum é justamente um apanhado de músicas que procuram fugir do habitual e que
mesmo soando Death Metal procura não se apegar aos já tão batidos clichês do
estilo. Seja nos andamentos mais velozes, com vocais cavernosos, riffs doentios,
ou em momentos que apresentam uma musicalidade mais trabalhada, a banda se
destaca durante toda a execução do disco. A Scrupulous, que é oriunda da Bahia,
carrega no seu “DNA”, o que só grupos daquele Estado podem fazer no Death
Metal. O disco é repleto de bases pesadas, seja nos andamentos mais velozes ou
naqueles momentos mais densos, riffs cortantes, além de bem inseridos solos de
guitarra, e uma bateria que se destaca não pela velocidade inserida, mas por
apresentar boas “quebradas” de andamentos, quando cada música pede. Além das
mudanças de andamentos em uma mesma música, existem boas inserções de teclados,
que acabam criando um clima bem profano, como podemos ouvir em “The
Contestation Knocks on Your Door”. Vale mencionar que todos os teclados que são
ouvidos no álbum ficaram a cargo do convidado Leandro Kastiphas. Falando em
convidado, “Dark Womb” tem como convidado outro conterrâneo da banda: Eduardo
Slayer, o qual participa com os vocais, além da parte lírica. A música é
simplesmente um Doom Metal, denso, poderoso, pesado... Uma música em meio
tempo, ótima para bater cabeça! “Ostia and Genocide” contém dez faixas, as
quais mostram diferentes andamentos, porém todas em prol de um objetivo: nos
mostrar um Death Metal com características próprias. O ouvinte vai se agradar
do início ao fim, pois a construção musical do disco é muito bem feita. E os
destaques são vários, já que encontramos até nuances de música clássica -
“Souls Cut To Brunoise”. A arte da capa, de certo modo, é bem colorida, algo não
muito comum no estilo. O encarte, bem informativo, traz letras, inclusive com
suas respectivas traduções. A produção sonora está num ótimo patamar. E a
formação responsável pela gravação foi Fabiano “Hammerhand” Sousa (barteria),
Arthur “Azagthothinho” Mozart (guitarras e baixo) e Crispim “Skullcrusher” Jr.
(vocal).
www.facebook.com/bandscrupulous
SINAL DE ATAQUE - Herdeiros - Resenha CD
“Herdeiros”
Bigorna - Nac.
Conheci o som do Sinal de Ataque,
banda oriunda de Santa Rita/PB, quando a vi ao vivo na cidade vizinha de
Timbaúba/PE. De cara gostei do visual da banda, do seu nome e, quando começaram
a tocar, de seu som: aquele Heavy/Speed Metal cantado em português. Na época a
banda tinha apenas alguns sons espalhados pelo YouTube. Mas eis que a banda,
finalmente, chegou ao seu primeiro álbum, o aqui comentado “Herdeiros”. E o que
aqui ouvimos é Heavy Metal de alta qualidade, com algumas nuances aqui e ali do
Speed Metal, porém em pequenas proporções. A banda envereda, mesmo, pelos
caminhos do tradicional Heavy Metal. Após a instrumental, o trio (a gravação do
álbum ficou a cargo de Leo Felipe - voz e guitarras, Victor Laudelino - baixo,
bateria e voz de apoio, e Almir Sousa - guitarras) nos apresenta a
faixa-título, que traz uma condução lírica que já fora feita por outras bandas,
mas que serve para dizer quais são suas influências. A letra cita diversas
bandas do cenário Heavy Metal nacional, das mais antigas a algumas mais
recentes. As músicas são conduzidas sem exageros. Todas bem construídas e que
podem não trazer nenhuma novidade, mas que são feitas com garra e amor ao
estilo. As vozes são bem postadas, com a métrica das letras não destoando
quando cantadas. Guitarras afiadas, sejam nos riffs ou nos solos; baixo
pulsando o tempo todo, com uma bateria que segue a risca a cartilha do estilo.
É música instigante e sem “invencionices”, do jeito que esse humilde editor
gosta. Música para erguer o punho, para bater cabeça, para querer estar no show
da banda. A produção sonora está correta, com toda a parte instrumental bem
audível, com volume bem equalizando, deixando toda a parte instrumental bem
definida. O encarte é simples, mas sem deixar de fora nenhuma informação, trazendo
letras, foto e ficha técnica. A capa não poderia ser mais Heavy Metal. A
temática lírica transita por temas como vingança, Heavy Metal, guerras, mazelas
sociais. E os destaques ficam para... Bem, eu poderia citar cada uma das oito
músicas, incluindo, também, a instrumental, “Marcha em Cinzas”, e até mesmo a
faixa que fecha o disco, que nada mais é que uma gravação caseira, intitulada
“Tributo a Daniel” e que serve, realmente, como um tributo. Mas vamos lá:
“Prisioneiro” é carregada de um ‘feeling’ enorme. Música mais ‘marcada’, com
muitas melodias; “Contra Ataque”, que é um Heavy Metal portentoso; e
“Engrenagens do Mal”, que traz linhas numa veia Speed Metal.
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CRUCIFIXION BR - Human Decay - Resenha CD
“Human Decay”
Shinigami - Nac.
“Human Decay” é o segundo álbum de
estúdio da banda Crucifixion BR e que, coincidentemente (ou não), marca os 25
anos de sua formação (a banda surgiu em 1996, em Rio Grande/RS). Apesar de toda
a sua longevidade como banda, eu só vim a conhecer o Crucifixion BR a partir
desse novo álbum. E, digo, foi muito bom conhecer a banda logo a partir desse
poderoso disco. “Human Decay” é um álbum que agradará em cheio os amantes do
Death Metal, com algumas pitadas aqui e ali de Black Metal. É música para quem
procura brutalidade, peso, densidade. “Human Decay” nos apresenta uma
musicalidade desconcertante, alternando agressividade e andamentos mais cadenciados,
sejam nas mesmas músicas ou durante a execução do disco. Não é um álbum em que
o ouvinte vai ouvir um som linear, “reto” ou veloz o tempo todo. E a
agressividade se encontra justamente aí: não necessariamente é preciso
velocidade para se fazer um disco brutal. Temas como “Annihilation and
Victory”, que nos mostra andamento mais denso e com inserção de ótimos solos de
guitarra, “Into the Abyss”, que também traz ótimos solos, no seu início e no
seu decorrer, e a devastadora “Blood Fire Victory”, a qual não deixará o
ouvinte inerte, são bons exemplos do poderio encontrado nesse novo disco do
Crucifixion BR. O disco contém 12 faixas, porém “Opening the Gates, Blasphemy
Returns”, “Confirmed Execution 666”, “Passage” e “The Final Chapter”, são uma espécie
de “intermezzos”. “Insanidade Bestial”, apesar de seu título em português, é
totalmente cantada em inglês, fato bem curioso e explicado na entrevista
concedida ao Recife Metal Law. A parte lírica transita pelo ocultismo, caos,
destruição, ataque às religiões, mas, também, dando ênfase à lutas e vitórias.
A gravação está num excelente patamar e ficou a cargo do Hurricane Studio.
“Human Decay” traz, ainda, como convidados Andre Rod (Attomica) em “Human
Decay” e Dave Ingram (Benediction) em “Bloody Fire Victory”. A formação
responsável pela gravação do disco foi: Maxx Guterres (guitarra/vocal), Beto
Factus (baixo), Juliana Novo (bateria) e Miller Borges (guitarra). Um álbum
altamente indicado e apresentado de forma impecável, seja na produção sonora,
execução das músicas ou na bem cuidada parte gráfica.
Contatos: www.crucifixionbr.com
Resenha por Valterlir Mendes
I GATHER YOUR GRIEF - Dystopian Delusions - Resenha Demo
“Dystopian Delusions”
Ever Cold Music - Nac.
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Resenha por Valterlir Mendes
domingo, 15 de maio de 2022
TUMULARIO "Maligno & Essencial" - Resenha CD
"Maligno & Essencial"
Abismo Metal Store
2022
O que vem à cabeça quando a gente pensa na Colômbia? Assim
rápido, de supetão, penso logo no Masacre e sua honrosa trilha pelo Death Metal
sul-americano. Depois me vem a imagem de Héctor Escobar Gutiérrez com sua carga
literária diabólica (devo isso muito ao Disgrace and Terror, obrigado
demônios!!) e, por fim, não poderia faltar o gênio dos pincéis! Ele mesmo!
Fernando Botero! Esses são importantes símbolos da estética questionadora
produzida na Colômbia que povoam minha cabeça neste momento; certamente esqueci
alguns, mas, sem dúvidas, esses são nomes muito fortes. Entretanto, creio que
daqui pra frente um outro nome se juntará a esse time em minhas lembranças:
Tumulario!
O power trio vindo de Bogotá grava seu primeiro Full Lenght e o Brasil tem o privilégio de ser contemplado por este lançamento; o selo baiano Abismo, também está debutando, e “Maligno & Essencial” é a primeira empreitada do nosso Anderson Cachaça, figura bastante conhecida aqui da cena soteropolitana. A escolha foi perfeita! O Tumulario traz um Black/Thrash Metal da antiga escola do Metal extremo sul-americano, a versão colombiana dessa escola já nos deu bandas historicamente importantes como Sargatanas, Agresión e o já citado Masacre dentre outras. O Tumulario talvez tenha uma crueza que se possa comparar às duas primeiras; e também certa técnica que não seria equívoco remeter à derradeira. Ainda assim eu não diria que há uma influência tão direta dessas três bandas. Morgul (bateria e voz) Abrahel (baixo e segunda voz) e Tar-Minastir (guitarra e segunda voz) elaboram uma sonoridade bem própria com rifes expressando fraseados que apontam para o Thrash Metal dos anos 80, só que numa timbragem tipicamente Black Metal. Os solos surgem em melodias que tiram nossos sentidos da bagaceira thrasher e nos levam para a tragédia diabólica blackmetaller. Os vocais também vão na linha do Black Metal com gritos mais rasgados e soltando o verbo, na maior parte do disco, em espanhol. O baixo traz alguns graves importantes para o equilíbrio sonoro das composições e a bateria simples, orgânica, crua é um fator que conecta o Tumulario a algo mais primitivo e muito bem executado.
No que diz respeito ao conceito, o trio colombiano divide o trampo em quatro partes: I. O Manifesto: Este é o primeiro momento, ele abarca as faixas Revelación, Tumulario e Succubus. A primeira é uma intro que prepara o Headbanger para a tormenta conceitual que está por vir. Então surge a segunda composição, trazendo uma definição de identidade para a horda. Tumulario é uma espécie de alma penada que aqui arrebanha e comanda mortos vestidos em roupas lúgubres para dar início a um ritual que macula o sagrado erguido pelos inimigos e os sacrifica no altar. Que bela alegoria, não? O derradeiro tema é a primeira das três composições que estão em inglês no Álbum. Succubus é uma entidade diabólica em forma de mulher; nesta composição um homem narra em primeira pessoa a maneira como foi possuído por essa Diaba! É genial!!! É uma possessão e ao mesmo tempo uma espécie de estupro porque a Diaba trepa com o eu lírico na medida em que o sufoca, corta sua pele fazendo-o sangrar e lambe sua face. Ele a descreve como uma figura infernal, forte e lasciva que toma sua alma e o transforma num viciado prisioneiro sexual. Fooooda!!!!!
E aí a gente chega no momento II. O Repúdio: Pueblo Apático (Final Premeditado) fala de uma Colômbia mergulhada na miséria, fala da ganância e indiferença de uma elite escrota e desse “povo apático” que não reage. Essa não reação é associada ao próximo tema do segundo momento conceitual que chama-se Idolatria y Descristianización. Aqui temos a razão de tanta apatia! O domínio através da cristianização! E agora a pergunta é minha: Como pode haver tanta gente tola no Metal, defendendo que Black Metal não tem nada a ver com política? Pra não ter que se posicionar contra o fascismo é mais fácil fingir uma isenção, não é isso? Mas com o Tumulario não é bem assim e as chibatadas no cristianismo surgem agressivas logo após a pesada crítica à apatia política do povo.
No momento III. A Maldade, o Tumulario nos convida a refletir sobre um piromaníaco. Incineración é uma composição que descreve a loucura incendiária de alguém açoitado pela modernidade, alguém que sucumbiu diante da laicidade do mundo ocidental moderno e resolveu transformar a loucura incendiária em seu ritual. Também temos Coven & Stakes (coven e estacas; segunda faixa em inglês) que vem narrar um ritual selvagem e lésbico, um ritual orgástico que se assume como preparação para a luta contra um status quo que oprime as mulheres. É uma declaração de vingança contra a opressão cristã. Após duas formas de resistências até aqui descritas (uma desvairada, acéfala e outra mística) temos, então, Represalias (Verdugo Desatado) que vai nos mostrar justamente o ressentimento, um sentimento que atira pra onde o nariz aponta, mais uma vingança desvairada, e vai vitimar quem merece e também quem não merece a dor, vai vitimar inclusive aquele que se vinga.
E finalmente o momento IV. O Renascer. É chegada a hora de canalizar as energias e buscar o destino vital: Segundo o Tumulario, sua Arte! O seu Metal! Isso nos é dito em Esencia del Ser!! A essência do ser!! Aquela que pode ser pagã ou blasfema, ritualística (como em Coven & Stakes) ou simplesmente herético (como em Idolatria y Descristianización). Esse é o caminho para encontrar a liberdade, é o caminho até o Eternal Metalhead (Majestic Comandment). O “Metalhead eterno”, o “majestoso mandamento” é 3ª e última faixa em inglês, somadas às 7 em espanhol; ela nos encaminha para um lugar “acima da moralidade”, para “empregar o orgulho”, para “elevar o ser”. Resistindo, rebelando-se e batendo cabeça até o dia de encarar a porra do túmulo é que seremos grandiosos!!!
A faixa bônus The Wight’s Chant (El Cantico del Tumulario) – seria algo como “o cântico da alma penada” – tem uma letra retirada do poema de J.R.R. Tolkien com adaptação do batera e vocal Morgûl e ampliado pelo resto da banda. E assim finda o Full Lenght do trio; um trabalho ímpar que ainda traz uma capa muito foda feita por Felipe Mora. Num colorido lisérgico, místico e macabro o artista atendeu ao conceito da horda colombiana com extrema competência, fazendo da capa um outro elemento forte da obra. Alexander Daza foi o cara do layout; David Tormento e Miguel Angel Osorio foram os responsáveis pelas fotografias. Trabalho gráfico impressiona, o trampo é em digipack, o encarte com bastante páginas e ainda vem acompanhado por um poster. Abismo Metal Store caprichou!! Sebastian Rojas e Tumulario gravaram, mixaram e masterizaram tudo no Mantra Studios.
No frigir dos ovos a obra aqui analisada é uma aula do mais verdadeiro e genial niilismo. Sua sonoridade é áspera, trabalhada dentro de uma dissonância complexa que ao mesmo tempo trilha por um caminho simples e despretensioso. Desta maneira traz um conceito forte, arrebatador e totalmente vinculado às bases do underground metálico. É macabro, forte e inteligente como Héctor Escobar Gutiérrez, Masacre e Fernando Botero.
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Resenha por Robson Desgraça - Desgraça Zine – Publicada originalmente em https://www.thundergodzine.com/2022/05/tumulario-maligno-essencial-abismo.html?m=0
Fonte
Robson Desgraça - Desgraça Zine
terça-feira, 29 de março de 2022
PODRIDÃO - Your Body is the Tomb - Resenha Single
“Your Body
is the Tomb”
Independente - Nac.
www.facebook.com/Podridaodeathmetal
Resenha por Valterlir Mendes
ARMA / TÜMULO - Resenha Demo
ARMA / TÜMULO
“Split”
Metal Reunion/diversos - Nac.
Contatos:
domingo, 25 de julho de 2021
OBSCURITY TEARS - Rise of a God - Resenha CD
OBSCURITY TEARS
“Rise of a God”
GS Productions - Imp.
Foram nove anos sem
um lançamento oficial (o último foi o EP “My Chemical State”, em 2009. O novo
álbum da banda pernambucana Obscurity Tears foi lançado oficialmente no final
de dezembro de 2018, porém em seu formato físico apenas em março de 2019, com o
suporte do selo russo GS Productions. A versão que adquiri, diretamente com a
banda, após um show na capital pernambucana, foi um box que traz os três
lançamentos oficiais da banda. Para quem ainda não conhecia os lançamentos
anteriores, é uma boa opção. Eu já conhecia, mas o box é um item de
colecionador, com uma nova “roupagem”. Mas aqui falarei acerca de “Rise of a
God”, que é o álbum mais recente. Diferentemente dos lançamentos anteriores, o
novo álbum apresenta uma mudança bem significativa, já que os vocais femininos
não existem nesse disco. Assim, a banda trilha um caminho que sai do outrora
Doom/Gothic Metal e agora vai para o Doom Metal mais raiz, com vocais mais
graves, com algo, aqui e ali do Dark Metal, e com o “pé fincado” no Doom Metal
feito na década de 1990. Mas, claro, para quem conhece a banda, notará que ela
traz traços bem próprios, seja nos andamentos ou nas linhas instrumentais,
principalmente nas guitarras. A música é densa, arrastada e melancólica, como o
Doom Metal pede, assim como pede a temática lírica, que trata de sentimentos,
existência e dúvidas advindas disso, da existência humana. Mas a banda fugiu um
pouco de tal temática em músicas como “Rise of a God, pt. 2” e “Interstellar”,
as quais falam de civilizações e vida fora da Terra. Musicalmente o disco é bem
linear, mantendo sempre uma ‘pegada’ mais arrastada e moribunda durante todo o
álbum, com exceção de “Lost in the Deep”, que traz algo mais agressivo, porém
mais em razão dos vocais de Diego DoUrden (DarkSide Studio, Infested Blood,
Mystifier). Por falar em Diego, ele foi o responsável pela gravação de “Rise of
a God”, que ficou num nível acima da média. Cada instrumento tendo seu espaço,
equalização num bom patamar... Enfim, uma gravação que não deve nada aos
grandes estúdios. Os músicos responsáveis pela gravação desse álbum foram Jr.
Alves e Evandro Andrade (guitarras), Bruno Lee (bateria) e Jefferson Barreto
(baixo/vocal). Para quem já conhece o Obscurity Tears, esse álbum não vai decepcionar.
Para quem não conhece a banda, mas gosta de um bom Doom Metal, bem construído,
bem tocado, tétrico, pode procurar por “Rise of a God” sem qualquer temor.
Contatos: www.facebook.com/obscuritytears
Resenha por Valterlir
Mendes
DIRTY GLORY - Mind the Gap - Resenha CD
DIRTY GLORY
“Mind the Gap”
Independente - Nac.
Como podemos classificar
o Dirty Glory? Hard Rock? AOR?
Glam Rock? Hair Metal? Na verdade, podemos pegar o que há de melhor em
cada um dos estilos citados, juntar, e aí chegaremos praticamente no que é
“Mind the Gap”, seu álbum de estreia, lançado - no longínquo - final de 2015. O
álbum sucede o seu primeiro e único EP, “It’s On!” (2011), e conta com 12
músicas, sendo 10 músicas inéditas e duas regravações de sons anteriormente
lançados pela banda. Eu deveria começar falando acerca das músicas, sonoridade,
mas muito me chamou a atenção da arte da capa e o título do disco, que foge dos
estereótipos do estilo praticado pela banda. As letras, mesmo que a maioria
traga o normal para o estilo, algumas abordam temas mais sérios e são bem
construídas, com muito a dizer. A partir disso, a banda já merece total
credibilidade, já que não se prende às fórmulas incansavelmente já postas em
prática. Sonoramente a banda traz influências “do bom e velho Hard Rock, com
influências de Van Halen, Guns N’ Roses, Kiss e Danger Danger”, como explica o
vocalista Jimmi DG, e “Um pouco de Blues e o peso do Metal também são sempre
bem-vindos”, como acrescentou o guitarrista Reichhardt, em release da banda.
Sim, para se ter um norte do que a banda faz musicalmente, essa é uma boa
explicação, mas não que o quinteto responsável pela gravação - na época formado
por Dee Machado e Reichhardt (guitarras), Sas (bateria), Jimmi DG (vocal,
harmônica, piano) e Vikki Sparkz (baixo) - se limite a emular suas influências.
As músicas empolgam, logo a partir da primeira, “Sticks and Stones”, com bons
(e pesados) riffs de guitarras, e nos remetendo, de cara, ao Hard Rock feito
nos anos 80. Boa interpretação vocal (com a ajuda de bem inseridos backing
vocals), levada veloz, mas sem deixar de lado as melodias típicas do estilo.
Isso sem falar nos solos de guitarras, que são despejados em doses generosas. E
olha que isso é apenas o começo de um álbum que mostra coesão em todas as
músicas apresentadas. Já “Failing the Test” poderia estar em alguma trilha
sonora de filmes dos anos 80, em razão de sua construção Hard/AOR. Mas aí vem a
pergunta: tem balada? Um bom álbum de Hard Rock sem baladas não pode ser
considerado bom, né? Elas são apresentadas com “Beyond Time”, numa ‘levada’,
mais AOR, “Every Time I Think About You”, com uma letra bem melosa, como deve
ser, e “The Sentence”, que encerra o álbum de forma belíssima, sendo tocada
praticamente apenas no piano e com uma forte interpretação vocal de Jimmi. A
gravação está soberba, tendo a sua frente Luis Lopes, com edição de Gabriel
Bueno e Chris Miyai, e a masterização sendo feita por Levi Seitz, no BlackBelt
Mastering, em Seattle (EUA). O encarte traz diversas páginas, letras e tudo o
mais que é informação. Vale lembrar que o próximo álbum, “Miss Behave”, será
lançado ainda neste mês de julho/2021.
www.instagram.com/dirtyglory_official
Resenha por Valterlir Mendes
WARSHIPPER - Barren... - Resenha CD
WARSHIPPER
“Barren...”
Heavy Metal Rock -
Nac.
“Barren...” é o
terceiro disco da carreira do Warshipper, tendo sido lançado, oficialmente, no
final de agosto de 2020. E nesse período o que mais a banda colheu, com esse
lançamento, foram críticas efusivas. Não é para menos. O novo álbum monstra uma
banda ainda mais difícil de se rotular. Não, não deixou de soar Death Metal,
até mesmo porque muitas músicas de “Barren...” soam mais Death Metal que no
álbum anterior, “Black Sun” (2018), mas mantendo as características de
andamentos mais compassados e até mesmo limpos em alguns sons. Voltando a falar
sobre a sonoridade mais Death Metal, dois bons exemplos são “Barren Black” e
“Respect”, essa segunda com os vocais de Fernanda Lira (Crypta, ex-Nervosa).
Mas a banda não deixa de caminhar por outras vias, por assim dizer, visto que
“Compulsive Trip” é uma das músicas mais diferentes do disco, com uso de
sintetizadores e traz, como convidado, Fanttasma (Rafael Augusto Lopes). Outra
que foge dos padrões do Death Metal é “Anagrams of Sorrow”, uma música
semiacústica, com vocais bem diferenciados, quase ‘limpos’, tendo sua letra
inspirada em um poema de Letícia Grégio. Enfim, musicalmente é um disco bem
difícil de se rotular, como dantes mencionei. A banda insere muitos elementos
em sua sonoridade, mas não é algo sem “pé e nem cabeça”. Tudo é inserido de forma
harmoniosa, e tem uma razão para cada passagem. Sobre a temática lírica, o
álbum contém letras muito bem escritas, fazendo diversos questionamentos. Para
entender todo o contexto, necessário se faz ouvir o disco com calma,
acompanhando as letras. Uma das curiosidades do disco, inclusive, já mencionado
pela banda, é que as 11 músicas, pegando as primeiras letras de cada título,
formam um anagrama de “Barren Black”, que é a primeira música do álbum. A capa
vem numa tonalidade cinza, com uma arte que mostra uma árvore morta
“florescendo” humanos, a cargo de Brenda Cassimiro, fazendo uma ligação com o
título e as músicas contidas em “Barren...”. O álbum foi gravado no Casanegra
Studio, sob a batuta de Rafael Lopes, vindo com uma gravação de alto nível. Com
uma formação que se mantém estável desde o início do Warshipper - Rodolfo
Nekathor (baixo), Renan Roveran (vocal/guitarra), Rafael Oliveira (guitarra) e
Roger Costa (bateria) -, novamente a banda nos apresenta uma sonoridade muito
rica, tem muitas mudanças de andamentos, alguns bem intrincados, fazendo de sua
música algo bem singular e quase sem parâmetros. A arte gráfica, um livreto que
traz letras, fotos da banda e as informações indispensáveis do álbum, é a
finalização de forma adequada de um material de alto nível, seja musical,
lírico ou visual.
Contatos:
www.instagram.com/warshippermetal


















