Metal Reunion Zine

Blogzine fundado em 2008. Reúne notícias referentes a bandas, artistas, eventos, produções, publicações virtuais e impressas, protestos, filmes/documentários, fotografia, artes plásticas e quadrinhos independentes/underground ligados de alguma forma a vertentes da cultura Rock'n'Roll e Heavy Metal do Brasil e também de alguns países que possuem parceiros de distribuição do selo Music Reunion Prod's and Distro e sua divisão Metal Reunion Records.



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quinta-feira, 27 de março de 2025

Final Creation - "Last Breath" - Resenha EP

Final Creation
"Last Breath"
 EP - 2025

Finalmente novidade da Final Creation no extremo underground nacional. Já está nas plataformas digitais o EP "LAST BREATH" trabalho monstruoso com uma gravação devastadora! Cru, sujo, sombrio a banda está ainda mais letal e visceral mantendo firme sua essência e sonoridade inspirada na velha escola do estilo, trazendo o Death Metal daquele período de forma ainda mais avassaladora e brutal.  Riffs cada vez mais afiados, uma bateria extremamente intensiva e demolidora e vocais ecuando das profundezas! Uma combinação intensa de ódio e violência através das duas faixas presentes nesse registro que surgi pra explodir os tímpanos.  Confiram essa destruição!

Resenha por Tadeu Ricardo - Turvo Zine

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domingo, 6 de novembro de 2022

PERC3PTION - Once And For All - Resenha CD

PERC3PTION

“Once And For All”

Shinigami - Nac.

 

“Once And For All” é um álbum que já tem um tempo de lançado. Mais precisamente, foi lançado em 2016, via Shinigami Records. Mas enquanto o Perc3ption não lança o seu tão esperado novo álbum de estúdio, faço a resenha desse seu segundo álbum. O disco começa com a forte “Persistente Makes the Difference”, com um trabalho de bateria, a cargo de Peferson Mendes, fantástico. O cara simplesmente detona nas levadas velozes. Por falar em velocidade, essa música envereda pelos lados do Power Metal, mesclando, ainda, boas melodias e quebras de andamentos. Bem, a banda não soa simplesmente Power Metal. Digo que esse estilo é apenas um complemento, já que o Perc3ption tem uma musicalidade bem apurada, ou seja, faz um Prog Metal de alta qualidade, mas sem deixar de lado certa velocidade e até mesmo alguns andamentos mais agressivos, o que torna a sua música fácil de ser ouvida, até mesmo por quem não é tão afeito ao estilo. As vocalizações de Dan Figueiredo (não mais integrante da banda) carregam bastante ‘feeling’, com uma boa variação, indo de algo mais limpo a uma passagem ou outra carregada de agressividade (sem exageros). O tempo de duração do álbum passa de uma hora, porém o que aqui ouvimos faz com que o disco passe de forma rápida, pois a qualidade musical (e dos músicos) não deixa nada a dever a qualquer baluarte ‘gringo’ do estilo. E, por encontrarmos músicas mais longas, é fácil ouvir, numa mesma música, a velocidade do Power Metal e as quebras de tempo e andamentos bem típicos do Prog Metal, como já mencionei. “Braving the Beast”, que é a maior música do álbum, contendo mais de dez minutos, é um bom exemplo disso. Outra que merece menção é “Magnitude 666”, com suas levadas Power Metal. E por falar em Power Metal, “Extinction Level Event” é uma excelente representante do estilo. Já “Through the Invisible Horizons” pode servir de parâmetro para o que é a sonoridade do Perc3ption, já que apresenta passagens Power Metal, variações Prog Metal, e grande peso nas guitarras, se tornando, assim, uma de minhas preferidas do álbum. O trabalho, seja nos riffs ou nos solos, das guitarras de Glauco Barros e Rick Leite é o que torna o disco bem pesado em muitas passagens. Isso tudo acompanhado pelas fortes linhas de baixo de Wellington Consoli. A gravação está num nível altíssimo, e deixou toda a parte instrumental bem nítida, com um volume que nenhum instrumento se sobressai ao outro. A arte da capa é belíssima e deixa para o ouvinte a responsabilidade para a interpretar, afinal, tem muitos, muitos detalhes. Parte lírica muito bem escrita e que também pode ser deixada para o ouvinte a forma de a interpretar, mesmo que alguns temas tenham uma linha lírica mais triste e realista. Não diria que “Once And For All” é um álbum indicado para os amantes do Prog/Power Metal. É um álbum para quem gosta de música pesada, de qualidade... Para aqueles que não estreitam sua audição dentro do Heavy Metal.

 

Contatos:

https://ffm.to/perc3ption

www.facebook.com/Perc3ption

 

Resenha por Valterlir Mendes

JAEDER MENOSSI - Interestellar Experience - Resenha CD


 JAEDER MENOSSI

“Interestellar Experience”

Heavy Metal Rock - Nac.

Seria “Interestellar Experience” um álbum para amantes da guitarra? Seria Jaeder Menossi um mero músico fazendo malabarismos com sua guitarra e mostrando o quão rápido e preciso é em suas notas? Bem, para dirimir qualquer dúvida, nada melhor que colocar esse primeiro álbum do guitarrista para rolar e tirar suas próprias conclusões. E o mais interessante, nesse tipo de trabalho, é ser surpreendido de forma boa, afinal o disco não se limite a milhões de notas na guitarra, solos intermináveis ou qualquer devaneio instrumental. Jaeder, nesse disco, é acompanhado pelos músicos Jere Nery (vocal), Rodrigo Barros (baixo) e Loks Rasmussen (bateria, exceto em “Travel to Neptune”, que ficou a cargo de Geraldo Martins), que em nenhum momento procurar cobrir a importância do guitarrista em seu disco solo, porém fazem sua parte para tornar o disco ainda mais agradável de se ouvir. Exemplo disso já temos logo na abertura do álbum, com “Countdown/Release”, com os músicos realmente dando apoio para que Jaeder mostre todos os seus dotes. Apesar das guitarras de Jaeder serem o carro-chefe, com muitos solos, licks e riffs, os músicos de apoio mantém o peso durante a execução da música. Também gosto quando num álbum de um guitarrista podemos ouvir músicas com vocais, para não ficar um disco cansativo e apenas indicado para músicos. A pegada “shread”, com notas rápidas e rápidas transições entre elas, dá espaço para uma levada mais Hard n’Heavy nas músicas com vocais, como é o caso de “Andromeda”, onde Jere faz boas vocalizações, sem muitos exageros ou notas agudas inalcançáveis. Mas se você é fã do já mencionado estilo “shread” opções não vão faltar: “Landing at Mars” mostra toda a desenvoltura e qualidade instrumental de Jaeder. “Jupiter Moons” é outra que traz o guitarrista em grande forma. E, se frise, as músicas, mesmo instrumentais, não soam iguais uma a outra. O guitarrista tem um grande leque musical em suas mãos (ou dedos). Mas, também, pudera. Jaeder tem uma longa carreira, que já conta com mais de 30 anos, com apresentações dentro e fora do país, seja com a sua banda, Pop Javali, ou ao lado de músicos do Dr. Sin, Mr. Big, entre outros. A produção do álbum ficou a cargo do baixista Rodrigo Barros, e está num bom nível. A parte gráfica é bem cuidada e informativa. Álbum indicado não só para guitarristas, mas, também, para quem gosta de um bom Hard n’Heavy.

 

Contatos:

www.instagram.com/jaedermenossi

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Resenha por Valterlir Mendes

3RD WAR COLLAPSE - Damnatus - Resenha CD

 
3RD WAR COLLAPSE

“Damnatus”

Guttural Brutality - Imp.

 

Bruto! Que disco bruto! Não há melhor forma de descrever esse primeiro álbum do 3rd War Collapse, projeto que tem como integrantes, nesse primeiro lançamento, Cristiano Martinez (guitarra/vocal, ex-Vomepotro), Rodolfo Carrega (baixo/vocal, Clawn), Kalle Lindofers (bateria, Inferia, Plaguebreeder). E para quem conhece as duas bandas brasileiras citadas, sabe que ambas, quando o quesito é Death Metal, nunca brincou em serviço. Nas 11 músicas (!!) contidas em “Damnatus” não há concessão para melodias bonitinhas ou espaço para “climinhas”. O que ouvimos é uma brutalidade desenfreada, do início ao fim. E isso não quer dizer que o disco é maçante, chato de se ouvir, sem opções. Em meio a todo o caos emanado, o trio não se limita a fazer uma sonoridade reta ou sem alternâncias de andamentos. Pelo contrário: o disco nos dar diversas opções, mas, sendo repetitivo, sem nunca perder a brutalidade. E num disco tão linear, no que se refere a sua qualidade musical, a parte mais difícil é apontar esse ou aquele som como o destaque do álbum. Os vocais, divididos entre guitarrista e baixista, são levados às últimas consequências. Um verdadeiro esporro gutural. Não dá para ficar indiferente - falo dos amantes do Brutal Death Metal - a pancadas como “Eyes of Deception”, “Broken Celibacy”, “Headshot” e “Stagnation”, só para citar algumas músicas. O tipo de gravação, que deixou a parte instrumental com uma levada mais ‘seca’, trouxe ainda mais agressividade a esse disco de estreia. Parece que o que ouvimos no álbum foi metodicamente trabalhado para deixar os fãs do estilo em êxtase. E mencionei no início da resenha que o álbum tem 11 músicas, porém o seu tempo de duração nem chega a 27 minutos. Curto, direto, sem firulas! A arte da capa ilustra bem o estilo praticado pela banda. As letras abordam o cotidiano, o caos humanitário, guerras... Esse é o tipo de álbum que o ouvinte, de forma alguma, vai conseguir ouvir uma única vez e deixar para lá. Quando recebi esse disco, ele ficou por dias no meu aparelho de som. E, veja bem, impossível não se lembrar de Brutal Death Metal e não ir procurar esse disco na coleção e o colocar para rolar. E já tenho notícias de que já trabalham num novo álbum. Aguardando...

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Resenha por Valterlir Mendes

SUNROAD - Walking the Hemispheres - Resenha CD

 
SUNROAD

“Walking the Hemispheres”

Musik Records - Nac.

A banda Sunroad, oriunda de Goiânia/GO, já está na ativa há bastante tempo. Para ser bem exato, há 26 anos. “Walking the Hemispheres” vem a ser o seu oitavo álbum de estúdio, ou seja, é uma banda bem prolífica. Apesar disso, o que sempre me deixou com um pé meio atrás com a banda foi sua abordagem lírica. Assim sendo, ao receber esse novo álbum do Sunroad, fui conferir qual a temática abordada e se havia alguma espécie de doutrinação religiosa nelas. Felizmente o que li, nas letras desse disco, não enveredam por esses caminhos. São letras bem escritas, tratando de existencialismo e assuntos inerentes, por vezes intrincadas e que carecem de aprofundamento na leitura para seu entendimento. Musicalmente a banda transita entre o Hard Rock, Prog Metal e até mesmo Heavy Metal, carregando uma aura anos 70, como já ouvido logo no início do álbum, já que a faixa-título, que abre o disco, traz uns Hammond no melhor estilo Deep Purple. E essa música é carregada de ‘feeling’, nos faz voltar no tempo, mas, de certa forma, carregando algo mais contemporâneo. Um paradoxo bem vindo. A interpretação do novo vocalista Steph Honde é magistral, carregada de sentimentos, sem exageros e até mesmo trazendo algo mais grave na voz. Mas é o todo que realmente deixa o álbum excelente para se ouvir. A construção da musicalidade da banda é algo que me deixou espantado. Eu esperava ouvir algo mais burocrático, confesso, mas o que ouvi durante todo o decorrer de “Walking the Hemispheres” é uma música contagiante, cheia de agradáveis surpresas e indicada para quem gosta de um som pesado, com excelentes melodias. Ponto para Netto Mello (guitarra), Mayck Vieira (guitarra, baixo), Van Alexandre (baixo, guitarra) e Fred Mika (bateria). Vale mencionar que Steph é o responsável, também, pelos teclados tocados no disco e tocou guitarra no cover “Try Me” do UFO. O disco contém 12 faixas, o que para o estilo, parece ser longo, mas nem chega aos 50 minutos de duração. E o tempo passa rápido, devido à qualidade musical - já mencionada - que ouvimos no álbum. Gravação num bom patamar. Arte da capa trazendo muitos detalhes, portanto podendo ser interpretada de diversas formas. E os destaques são vários, para quem gosta de um som que não se limita a trazer passagens progressivas, mas que transita por algo mais rápido e melódico, além daquele tradicional Rock N’Roll que te remete aos anos 70. Ouça a faixa-título, “Living in a Dream (Red Sign Mirror)”, “Silence Erupting Inside” (com um show das guitarras) e “Shoot the Clock” (de levada mais compassada, com uso de Hammond e com os dois pés fincados nos anos 70).

Contatos:

www.facebook.com/sunroadofficial

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Resenha por Valterlir Mendes

CRUCIFIXION BR - Human Decay - Resenha CD

 

CRUCIFIXION BR

“Human Decay”

Shinigami - Nac.

“Human Decay” é o segundo álbum de estúdio da banda Crucifixion BR e que, coincidentemente (ou não), marca os 25 anos de sua formação (a banda surgiu em 1996, em Rio Grande/RS). Apesar de toda a sua longevidade como banda, eu só vim a conhecer o Crucifixion BR a partir desse novo álbum. E, digo, foi muito bom conhecer a banda logo a partir desse poderoso disco. “Human Decay” é um álbum que agradará em cheio os amantes do Death Metal, com algumas pitadas aqui e ali de Black Metal. É música para quem procura brutalidade, peso, densidade. “Human Decay” nos apresenta uma musicalidade desconcertante, alternando agressividade e andamentos mais cadenciados, sejam nas mesmas músicas ou durante a execução do disco. Não é um álbum em que o ouvinte vai ouvir um som linear, “reto” ou veloz o tempo todo. E a agressividade se encontra justamente aí: não necessariamente é preciso velocidade para se fazer um disco brutal. Temas como “Annihilation and Victory”, que nos mostra andamento mais denso e com inserção de ótimos solos de guitarra, “Into the Abyss”, que também traz ótimos solos, no seu início e no seu decorrer, e a devastadora “Blood Fire Victory”, a qual não deixará o ouvinte inerte, são bons exemplos do poderio encontrado nesse novo disco do Crucifixion BR. O disco contém 12 faixas, porém “Opening the Gates, Blasphemy Returns”, “Confirmed Execution 666”, “Passage” e “The Final Chapter”, são uma espécie de “intermezzos”. “Insanidade Bestial”, apesar de seu título em português, é totalmente cantada em inglês, fato bem curioso e explicado na entrevista concedida ao Recife Metal Law. A parte lírica transita pelo ocultismo, caos, destruição, ataque às religiões, mas, também, dando ênfase à lutas e vitórias. A gravação está num excelente patamar e ficou a cargo do Hurricane Studio. “Human Decay” traz, ainda, como convidados Andre Rod (Attomica) em “Human Decay” e Dave Ingram (Benediction) em “Bloody Fire Victory”. A formação responsável pela gravação do disco foi: Maxx Guterres (guitarra/vocal), Beto Factus (baixo), Juliana Novo (bateria) e Miller Borges (guitarra). Um álbum altamente indicado e apresentado de forma impecável, seja na produção sonora, execução das músicas ou na bem cuidada parte gráfica.

 

Contatos: www.crucifixionbr.com

 

Resenha por Valterlir Mendes

MARDUK - “Viktoria” - Resenha CD

 

MARDUK

“Viktoria”

Urubuz - Nac.

 A banda sueca Marduk já tem uma discografia bem longa, seja com álbuns ao vivo, splits, EPs e tudo que é lançamento. Atrás dessa longa lista de lançamentos, também há muita polêmica, uma vez que as letras da banda nunca se prenderam meramente ao satanismo, anticristianismo ou temáticas obscuras. “Viktoria” talvez seja o álbum que mais foge de tais temáticas e se apega muito a uma linha lírica bélica (não que a banda já não faça isso há algum tempo em seus discos, mas nesse está ainda mais forte tal temática), bem ligada a II Guerra Mundial. E aí está o lado polêmico da coisa, já que alguns dizem que o Marduk tem letras dúbias, não deixando claro “de que lado a banda está”. E talvez esse seja o fator que a banda mais se apegue: deixar que cada um interprete suas letras da forma que quiserem. A começar pela demolidora “Werwolf”, trazendo sons daquelas sirenes que avisam para que as pessoas se abriguem de ataques aéreos, o que a torna um verdadeiro arrasa-quarteirão. Na sequência vem “June 44”, uma música que mescla brutalidade com andamentos compassados e uma interpretação vocal de D. “Mortuus” Rostén simplesmente fantástica! Musicalmente a banda traz o seu típico estilo de fazer Black Metal, aqui ainda mais apurado. Sem concessões ou fraseados bonitinhos. O disco é muito agressivo, do início ao fim, não importando se encontramos momentos de maior rispidez e velocidade, como em The Devil’s Song”, ou se a música tem andamentos em meio-tempo e seja mais densa, a exemplo de “Tiger I”. As típicas guitarras (capitaneadas pelo único membro original da banda, M. Håkansson) “zunindo” aparecem. O baixo de M. “Devo” Andersson consegue ser ouvido em meio a todo o caos apresentado. E a bateria de F. Widigs é um verdadeiro bombardeiro (exceto em “Tiger I”, onde segue o andamento mais compassado da música). O álbum, gravado no Endarker Studio, teve a própria banda à frente da produção, o que foi essencial para o deixar total Marduk. A arte gráfica (com uma capa polêmica, como não poderia deixar de ser) é apresentada em um tom preto, com foto da banda (em preto e branco), para enfatizar ainda mais o quão desoladora, desesperadora, é a sonoridade da banda em “Viktoria”. No Brasil o álbum foi lançado pela Urubuz Records, disponível em slipcase. Não, não é um álbum indicado para principiantes ou sensíveis. É Marduk em seu estado puro (e bruto). Ame ou odeie.

 Site: http://marduk.nu


 Resenha por Valterlir Mendes

domingo, 4 de setembro de 2022

ORTHOSTAT - Monolith of Time - Resenha CD

 
ORTHOSTAT

“Monolith of Time”

Tales From The Pit/Vários - Nac.

O surgimento do Orthostat se deu em 2015 e, no ano seguinte, lançou uma Demo. Mas seu álbum de estreia, o aqui comentado “Monolith of Time”, apenas “deu as caras” em 2019, ou seja, quatro anos após a formação da banda. E, pelo visto, esse período até o lançamento do ‘debut’ fez muito bem, afinal, ouvimos um Orthostat (nome bem difícil e incomum, né?) destilando um Death Metal bem influenciado pela década de 1990, naquela linha mais primitiva, o que não significa que a música é rudimentar. Pelo contrário, o que ouvimos nesse álbum são músicas bem feitas, bem construídas, por vezes complexas, e músicos mostrando que entendem do traçado. A começar por “Ambaxtoi”, que impressiona pela musicalidade, que começa com murmúrios, gritos, como uma espécie de introdução, depois descamba para uma parte instrumental mais veloz, depois para momentos mais marcados e outros densos, em meio tempo no final, e isso é só a primeira música. Antes de continuar a analisar a musicalidade como um todo, devo mencionar a gravação, que está excelente. E, para o que a banda faz, sonoramente falando, não é algo comum de se ouvir. Está muito bem feita, bem nítida, deixando tudo bem equalizado e audível. Voltando a parte musical, “Qetesh”, segunda música, já vem “chutando tudo”, de início, mas alterna tais momentos ríspidos com andamentos em meio tempo. Isso é uma tônica no álbum. Os vocais de David Lago (também responsável por uma das guitarras) são totalmente guturais, cavernosos mesmo, o que deixa o Death Metal do Orthostat ideal para ouvidos mais ortodoxos. Outra coisa que não é comum no estilo feito pela banda é o tamanho das músicas. O disco, ao total, tem 10 músicas e 60 minutos de duração (são oito músicas de estúdio e duas ao vivo). Porém, devido aos vários andamentos contidos em cada música, elas não se tornam maçantes. A banda soube dosar peso, velocidade, rispidez e brutalidade, fazendo com que cada música tenha seu destaque, independentemente de sua duração. A temática lírica, como dá para ver em títulos como “Eridu”, “The Will of Ningirsu”, entre outros, abordar as civilizações antigas. A arte gráfica é bem caprichada, com um encarte contendo diversas páginas e, claro, trazendo tudo que é informação. E a banda mostrou coragem, já que logo no álbum de estreia trouxe uma capa que sequer menciona título do disco e nome da banda. Essa versão que recebi foi a lançada pelo selo Tales From The Pit e vários outros, numa versão limitada, mas o disco ganhou diversos lançamentos, por outros selos, inclusive no formato fita K-7. Orthostat, nesse disco de estreia, contou na sua formação, além do vocalista/guitarrista David Lago, com Eduardo Rochinski (baixo), Rudolph Hille (guitarra), tendo o apoio do baterista de estúdio Thiago Nogueira.

Contatos: www.facebook.com/OrthostatDM

Resenha por Valterlir Mendes

EXORCISMO - Exorcise and Steal - Resenha CD

 
EXORCISMO

“Exorcise and Steal”

Narcoleptica Productions - Imp.

Foram anos e anos até que a banda pernambucana Exorcismo chegasse ao seu primeiro - e até agora único - álbum completo, “Exorcise and Steal”, lançado em 2018. Mas devo dizer que a espera até que foi válida, pois o que encontramos nesse álbum de estreia é uma verdadeira compilação de músicas ferozes, rápidas, pesadas, numa sonoridade que soa Thrash Metal até o último riff! Falando em riffs, o álbum vem repleto deles, calcados na ‘velha escola’ do estilo. E, apesar de toda a velocidade apresentada durante os mais de 45 minutos de duração do disco, a banda não deixa de nos apresentar aquelas passagens marcadas, típicas do estilo. Os vocais de Denis Violence (também baterista) nos remete aos ícones do estilo. Aqueles mesmos, lá da década de 1980. O álbum, como um todo, soa como se tivesse viajado no tempo. É um álbum tipicamente ‘old school’, com uso (e abuso) de backing vocals, bateria sendo martelada o tempo inteiro e riffs (redundante, não?) em abundância. O banger que pegar o disco, a cada linha ouvida, vai identificar as influências do Exorcismo, o que não poderia deixar de ocorrer, mas isso não quer dizer que a banda soa meramente como algo que já fora feito. As influências estão lá, porém a banda soube as usar a seu favor, criando um disco que soa enérgico a cada faixa que passa. A parte mais difícil é apontar essa ou aquela música como a melhor do disco, pois a linearidade de qualidade delas estão no mesmo patamar. O fã do Thrash Metal vai se identificar com todo o conteúdo do álbum, afinal, não é fácil ficar inerte a temas como “Dump of Death”, “God is Dead”, “Apocalipse Nuclear/Visions of Eternity” (apesar dos dois títulos, a música é cantada unicamente em português). A parte da produção sonora deixou o disco soando bem “anos 80” e o menos desavisado pode até pensar que seja uma banda bem antiga. A capa ilustra o título do disco, bem como o seu conteúdo lírico, que traz letras ácidas, críticas, algo bem comum no Thrash Metal. Além de Denis, os demais responsáveis por essa obra de puro Thrash Metal foram Anderson Razor e Carlos Ragner (guitarras) e Risaldo Silva (baixo). Ah, entre as 10 faixas presentes em “Exorcise and Steal” encontramos “Deathraiser”, um insano cover da lendária Attomica. E posso dizer que Attomica, em seus primeiros discos, é uma grande influência para o Exorcismo.

Site: www.facebook.com/Exorcismothrashband

Resenha por Valterlir Mendes

SCRUPULOUS - Ostia and Genocide - Resenha CD

 
SCRUPULOUS

“Ostia and Genocide”

Heavy Metal Rock - Nac.

O logotipo da banda, na capa, já “entrega” o seu estilo: Death Metal! E isso já podemos ouvir na segunda faixa (a primeira é uma introdução intitulada “In the Begins... Intro”) contida no disco de estreia da Scrupulous, a qual recebe o título de “Ius Divinium Schizo/Crown of Rubble”, que começa de forma arregaçadora! Só que a música vem repleta de mudanças de andamentos, ‘quebradas’ de tempo, indo de momentos mais devastadores a algo com passagens mais marcadas. E o que vamos encontrar nesse álbum é justamente um apanhado de músicas que procuram fugir do habitual e que mesmo soando Death Metal procura não se apegar aos já tão batidos clichês do estilo. Seja nos andamentos mais velozes, com vocais cavernosos, riffs doentios, ou em momentos que apresentam uma musicalidade mais trabalhada, a banda se destaca durante toda a execução do disco. A Scrupulous, que é oriunda da Bahia, carrega no seu “DNA”, o que só grupos daquele Estado podem fazer no Death Metal. O disco é repleto de bases pesadas, seja nos andamentos mais velozes ou naqueles momentos mais densos, riffs cortantes, além de bem inseridos solos de guitarra, e uma bateria que se destaca não pela velocidade inserida, mas por apresentar boas “quebradas” de andamentos, quando cada música pede. Além das mudanças de andamentos em uma mesma música, existem boas inserções de teclados, que acabam criando um clima bem profano, como podemos ouvir em “The Contestation Knocks on Your Door”. Vale mencionar que todos os teclados que são ouvidos no álbum ficaram a cargo do convidado Leandro Kastiphas. Falando em convidado, “Dark Womb” tem como convidado outro conterrâneo da banda: Eduardo Slayer, o qual participa com os vocais, além da parte lírica. A música é simplesmente um Doom Metal, denso, poderoso, pesado... Uma música em meio tempo, ótima para bater cabeça! “Ostia and Genocide” contém dez faixas, as quais mostram diferentes andamentos, porém todas em prol de um objetivo: nos mostrar um Death Metal com características próprias. O ouvinte vai se agradar do início ao fim, pois a construção musical do disco é muito bem feita. E os destaques são vários, já que encontramos até nuances de música clássica - “Souls Cut To Brunoise”. A arte da capa, de certo modo, é bem colorida, algo não muito comum no estilo. O encarte, bem informativo, traz letras, inclusive com suas respectivas traduções. A produção sonora está num ótimo patamar. E a formação responsável pela gravação foi Fabiano “Hammerhand” Sousa (barteria), Arthur “Azagthothinho” Mozart (guitarras e baixo) e Crispim “Skullcrusher” Jr. (vocal).

 Contatos:

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scrupulousdm05@outlook.com

 Resenha por Valterlir Mendes

SINAL DE ATAQUE - Herdeiros - Resenha CD

 
SINAL DE ATAQUE

“Herdeiros”

Bigorna - Nac.

Conheci o som do Sinal de Ataque, banda oriunda de Santa Rita/PB, quando a vi ao vivo na cidade vizinha de Timbaúba/PE. De cara gostei do visual da banda, do seu nome e, quando começaram a tocar, de seu som: aquele Heavy/Speed Metal cantado em português. Na época a banda tinha apenas alguns sons espalhados pelo YouTube. Mas eis que a banda, finalmente, chegou ao seu primeiro álbum, o aqui comentado “Herdeiros”. E o que aqui ouvimos é Heavy Metal de alta qualidade, com algumas nuances aqui e ali do Speed Metal, porém em pequenas proporções. A banda envereda, mesmo, pelos caminhos do tradicional Heavy Metal. Após a instrumental, o trio (a gravação do álbum ficou a cargo de Leo Felipe - voz e guitarras, Victor Laudelino - baixo, bateria e voz de apoio, e Almir Sousa - guitarras) nos apresenta a faixa-título, que traz uma condução lírica que já fora feita por outras bandas, mas que serve para dizer quais são suas influências. A letra cita diversas bandas do cenário Heavy Metal nacional, das mais antigas a algumas mais recentes. As músicas são conduzidas sem exageros. Todas bem construídas e que podem não trazer nenhuma novidade, mas que são feitas com garra e amor ao estilo. As vozes são bem postadas, com a métrica das letras não destoando quando cantadas. Guitarras afiadas, sejam nos riffs ou nos solos; baixo pulsando o tempo todo, com uma bateria que segue a risca a cartilha do estilo. É música instigante e sem “invencionices”, do jeito que esse humilde editor gosta. Música para erguer o punho, para bater cabeça, para querer estar no show da banda. A produção sonora está correta, com toda a parte instrumental bem audível, com volume bem equalizando, deixando toda a parte instrumental bem definida. O encarte é simples, mas sem deixar de fora nenhuma informação, trazendo letras, foto e ficha técnica. A capa não poderia ser mais Heavy Metal. A temática lírica transita por temas como vingança, Heavy Metal, guerras, mazelas sociais. E os destaques ficam para... Bem, eu poderia citar cada uma das oito músicas, incluindo, também, a instrumental, “Marcha em Cinzas”, e até mesmo a faixa que fecha o disco, que nada mais é que uma gravação caseira, intitulada “Tributo a Daniel” e que serve, realmente, como um tributo. Mas vamos lá: “Prisioneiro” é carregada de um ‘feeling’ enorme. Música mais ‘marcada’, com muitas melodias; “Contra Ataque”, que é um Heavy Metal portentoso; e “Engrenagens do Mal”, que traz linhas numa veia Speed Metal.

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 Resenha por Valterlir Mendes

CRUCIFIXION BR - Human Decay - Resenha CD

 
CRUCIFIXION BR

“Human Decay”

Shinigami - Nac.

“Human Decay” é o segundo álbum de estúdio da banda Crucifixion BR e que, coincidentemente (ou não), marca os 25 anos de sua formação (a banda surgiu em 1996, em Rio Grande/RS). Apesar de toda a sua longevidade como banda, eu só vim a conhecer o Crucifixion BR a partir desse novo álbum. E, digo, foi muito bom conhecer a banda logo a partir desse poderoso disco. “Human Decay” é um álbum que agradará em cheio os amantes do Death Metal, com algumas pitadas aqui e ali de Black Metal. É música para quem procura brutalidade, peso, densidade. “Human Decay” nos apresenta uma musicalidade desconcertante, alternando agressividade e andamentos mais cadenciados, sejam nas mesmas músicas ou durante a execução do disco. Não é um álbum em que o ouvinte vai ouvir um som linear, “reto” ou veloz o tempo todo. E a agressividade se encontra justamente aí: não necessariamente é preciso velocidade para se fazer um disco brutal. Temas como “Annihilation and Victory”, que nos mostra andamento mais denso e com inserção de ótimos solos de guitarra, “Into the Abyss”, que também traz ótimos solos, no seu início e no seu decorrer, e a devastadora “Blood Fire Victory”, a qual não deixará o ouvinte inerte, são bons exemplos do poderio encontrado nesse novo disco do Crucifixion BR. O disco contém 12 faixas, porém “Opening the Gates, Blasphemy Returns”, “Confirmed Execution 666”, “Passage” e “The Final Chapter”, são uma espécie de “intermezzos”. “Insanidade Bestial”, apesar de seu título em português, é totalmente cantada em inglês, fato bem curioso e explicado na entrevista concedida ao Recife Metal Law. A parte lírica transita pelo ocultismo, caos, destruição, ataque às religiões, mas, também, dando ênfase à lutas e vitórias. A gravação está num excelente patamar e ficou a cargo do Hurricane Studio. “Human Decay” traz, ainda, como convidados Andre Rod (Attomica) em “Human Decay” e Dave Ingram (Benediction) em “Bloody Fire Victory”. A formação responsável pela gravação do disco foi: Maxx Guterres (guitarra/vocal), Beto Factus (baixo), Juliana Novo (bateria) e Miller Borges (guitarra). Um álbum altamente indicado e apresentado de forma impecável, seja na produção sonora, execução das músicas ou na bem cuidada parte gráfica.

Contatos: www.crucifixionbr.com

Resenha por Valterlir Mendes

I GATHER YOUR GRIEF - Dystopian Delusions - Resenha Demo

 
I GATHER YOUR GRIEF

“Dystopian Delusions”

Ever Cold Music - Nac.

 O nome dessa banda é bem interessante e traduzido chegamos a algo como “Eu Reúno Sua Dor”. Com um nome assim temos certa ideia do estilo a ser seguido pela banda... E, sim, ouvimos algo de Doom Metal no estilo da banda, que ainda traz algo de Death Metal, com melodias mais arrastadas, para ir de acordo com o Doom Metal, que é uma musicalidade bem presente na sonoridade do I Gather Your Grief. Inclusive, podemos ouvir até vocais limpos, os quais contrastam com os vocais mais guturais apresentados no decorrer das músicas. Fernando Troian é o responsável pelas vocalizações guturais e desesperadoras, enquanto que o baterista Marcelo Vasco fica a cargo de apresentar os vocais limpos. Na música de abertura, “Sand Castles”, o uso dos teclados cria um clima ainda mais sombrio na musicalidade da banda, porém não há informação de quem foi o responsável pela gravação do instrumento nesse EP. “Defendant”, que é a música mais longa desse material, encontramos um som ainda mais denso que o anterior, e que se não fosse os vocais mais ríspidos, graves, poderia ser discriminado como aquele puro Doom Metal, porém, como dito, os vocais seguem a linha mais Death Metal, mesmo que apresentados de forma mais arrastada. “The Farewell’s Sacrament”, que segue a mesma linha musical da música anterior, e “Behind the Wheel”, esse um cover do Depeche Mode, complementam o ‘track list’. A banda, além dos já dois citados músicos, traz Wendel Siota (baixo) e Andre Lazzarotto e Maicon Ristow (guitarras). Gravação de alto nível e encarte apresentado no formato envelope, porém bem informativo, não trazendo apenas as letras.

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Resenha por Valterlir Mendes

domingo, 15 de maio de 2022

TUMULARIO "Maligno & Essencial" - Resenha CD

 
TUMULARIO 

"Maligno & Essencial"

Abismo Metal Store

2022

O que vem à cabeça quando a gente pensa na Colômbia? Assim rápido, de supetão, penso logo no Masacre e sua honrosa trilha pelo Death Metal sul-americano. Depois me vem a imagem de Héctor Escobar Gutiérrez com sua carga literária diabólica (devo isso muito ao Disgrace and Terror, obrigado demônios!!) e, por fim, não poderia faltar o gênio dos pincéis! Ele mesmo! Fernando Botero! Esses são importantes símbolos da estética questionadora produzida na Colômbia que povoam minha cabeça neste momento; certamente esqueci alguns, mas, sem dúvidas, esses são nomes muito fortes. Entretanto, creio que daqui pra frente um outro nome se juntará a esse time em minhas lembranças: Tumulario!

O power trio vindo de Bogotá grava seu primeiro Full Lenght e o Brasil tem o privilégio de ser contemplado por este lançamento; o selo baiano Abismo, também está debutando, e “Maligno & Essencial” é a primeira empreitada do nosso Anderson Cachaça, figura bastante conhecida aqui da cena soteropolitana. A escolha foi perfeita! O Tumulario traz um Black/Thrash Metal da antiga escola do Metal extremo sul-americano, a versão colombiana dessa escola já nos deu bandas historicamente importantes como Sargatanas, Agresión e o já citado Masacre dentre outras. O Tumulario talvez tenha uma crueza que se possa comparar às duas primeiras; e também certa técnica que não seria equívoco remeter à derradeira. Ainda assim eu não diria que há uma influência tão direta dessas três bandas. Morgul (bateria e voz) Abrahel (baixo e segunda voz) e Tar-Minastir (guitarra e segunda voz) elaboram uma sonoridade bem própria com rifes expressando fraseados que apontam para o Thrash Metal dos anos 80, só que numa timbragem tipicamente Black Metal. Os solos surgem em melodias que tiram nossos sentidos da bagaceira thrasher e nos levam para a tragédia diabólica blackmetaller. Os vocais também vão na linha do Black Metal com gritos mais rasgados e soltando o verbo, na maior parte do disco, em espanhol. O baixo traz alguns graves importantes para o equilíbrio sonoro das composições e a bateria simples, orgânica, crua é um fator que conecta o Tumulario a algo mais primitivo e muito bem executado.

No que diz respeito ao conceito, o trio colombiano divide o trampo em quatro partes: I. O Manifesto: Este é o primeiro momento, ele abarca as faixas Revelación, Tumulario e Succubus. A primeira é uma intro que prepara o Headbanger para a tormenta conceitual que está por vir. Então surge a segunda composição, trazendo uma definição de identidade para a horda. Tumulario é uma espécie de alma penada que aqui arrebanha e comanda mortos vestidos em roupas lúgubres para dar início a um ritual que macula o sagrado erguido pelos inimigos e os sacrifica no altar. Que bela alegoria, não? O derradeiro tema é a primeira das três composições que estão em inglês no Álbum. Succubus é uma entidade diabólica em forma de mulher; nesta composição um homem narra em primeira pessoa a maneira como foi possuído por essa Diaba! É genial!!! É uma possessão e ao mesmo tempo uma espécie de estupro porque a Diaba trepa com o eu lírico na medida em que o sufoca, corta sua pele fazendo-o sangrar e lambe sua face. Ele a descreve como uma figura infernal, forte e lasciva que toma sua alma e o transforma num viciado prisioneiro sexual. Fooooda!!!!!

E aí a gente chega no momento II. O Repúdio: Pueblo Apático (Final Premeditado) fala de uma Colômbia mergulhada na miséria, fala da ganância e indiferença de uma elite escrota e desse “povo apático” que não reage. Essa não reação é associada ao próximo tema do segundo momento conceitual que chama-se Idolatria y Descristianización. Aqui temos a razão de tanta apatia! O domínio através da cristianização! E agora a pergunta é minha: Como pode haver tanta gente tola no Metal, defendendo que Black Metal não tem nada a ver com política? Pra não ter que se posicionar contra o fascismo é mais fácil fingir uma isenção, não é isso? Mas com o Tumulario não é bem assim e as chibatadas no cristianismo surgem agressivas logo após a pesada crítica à apatia política do povo.

No momento III. A Maldade, o Tumulario nos convida a refletir sobre um piromaníaco. Incineración é uma composição que descreve a loucura incendiária de alguém açoitado pela modernidade, alguém que sucumbiu diante da laicidade do mundo ocidental moderno e resolveu transformar a loucura incendiária em seu ritual. Também temos Coven & Stakes (coven e estacas; segunda faixa em inglês) que vem narrar um ritual selvagem e lésbico, um ritual orgástico que se assume como preparação para a luta contra um status quo que oprime as mulheres. É uma declaração de vingança contra a opressão cristã. Após duas formas de resistências até aqui descritas (uma desvairada, acéfala e outra mística) temos, então, Represalias (Verdugo Desatado) que vai nos mostrar justamente o ressentimento, um sentimento que atira pra onde o nariz aponta, mais uma vingança desvairada, e vai vitimar quem merece e também quem não merece a dor, vai vitimar inclusive aquele que se vinga.

E finalmente o momento IV. O Renascer. É chegada a hora de canalizar as energias e buscar o destino vital: Segundo o Tumulario, sua Arte! O seu Metal! Isso nos é dito em Esencia del Ser!! A essência do ser!! Aquela que pode ser pagã ou blasfema, ritualística (como em Coven & Stakes) ou simplesmente herético (como em Idolatria y Descristianización). Esse é o caminho para encontrar a liberdade, é o caminho até o Eternal Metalhead (Majestic Comandment). O “Metalhead eterno”, o “majestoso mandamento” é 3ª e última faixa em inglês, somadas às 7 em espanhol; ela nos encaminha para um lugar “acima da moralidade”, para “empregar o orgulho”, para “elevar o ser”. Resistindo, rebelando-se e batendo cabeça até o dia de encarar a porra do túmulo é que seremos grandiosos!!!

A faixa bônus The Wight’s Chant (El Cantico del Tumulario) – seria algo como “o cântico da alma penada” – tem uma letra retirada do poema de J.R.R. Tolkien com adaptação do batera e vocal Morgûl e ampliado pelo resto da banda. E assim finda o Full Lenght do trio; um trabalho ímpar que ainda traz uma capa muito foda feita por Felipe Mora. Num colorido lisérgico, místico e macabro o artista atendeu ao conceito da horda colombiana com extrema competência, fazendo da capa um outro elemento forte da obra. Alexander Daza foi o cara do layout; David Tormento e Miguel Angel Osorio foram os responsáveis pelas fotografias. Trabalho gráfico impressiona, o trampo é em digipack, o encarte com bastante páginas e ainda vem acompanhado por um poster. Abismo Metal Store caprichou!! Sebastian Rojas e Tumulario gravaram, mixaram e masterizaram tudo no Mantra Studios.

No frigir dos ovos a obra aqui analisada é uma aula do mais verdadeiro e genial niilismo. Sua sonoridade é áspera, trabalhada dentro de uma dissonância complexa que ao mesmo tempo trilha por um caminho simples e despretensioso. Desta maneira traz um conceito forte, arrebatador e totalmente vinculado às bases do underground metálico. É macabro, forte e inteligente como Héctor Escobar Gutiérrez, Masacre e Fernando Botero.

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Resenha por Robson Desgraça - Desgraça Zine – Publicada originalmente em https://www.thundergodzine.com/2022/05/tumulario-maligno-essencial-abismo.html?m=0

Fonte

Robson Desgraça - Desgraça Zine

terça-feira, 29 de março de 2022

PODRIDÃO - Your Body is the Tomb - Resenha Single

 
PODRIDÃO

“Your Body is the Tomb”

Independente - Nac.

 Single promocional da banda Podridão, “Your Body is the Tomb” traz apenas a faixa-título, para dar uma pequena ideia do que se encontraria no álbum “Revering the Unearthed Corpse” (já devidamente lançado via Kill Again Records, em 2020). A música tem cerca de três minutos, e o que podemos ouvir, aqui, é um Death Metal saindo das profundezas, fazendo jus tanto ao título do single, como ao nome da banda. Vocais aterradores, guturais, seguindo uma linha cavernosa, a cargo de Porn Vicious, que também é responsável pelas (bem audíveis) linhas de baixo. Bateria veloz, não dando trégua um só segundo, e sendo conduzida por Repugnant Fat. Já as linhas de guitarras, a quais bebem na fonte primitiva do estilo, ficam a cargo de Rotten Flesh. O material, apesar de conter só uma música, foi distribuído de forma física, trazendo uma gravação muito boa, e uma capa bem cuidada. O CD veio envolto num encarte tipo envelope e tem a capa prensada no disquinho.

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Resenha por Valterlir Mendes

ARMA / TÜMULO - Resenha Demo

ARMA / TÜMULO

“Split”

Metal Reunion/diversos - Nac.

 Esse Split, lançado no já longínquo ano de 2015, é o primeiro lançamento de ambas as bandas: Arma e Tümulo. O material contém apenas três músicas, em pouco mais de oito minutos de duração. E tão urgente quanto o tempo de duração desse Split, são as músicas nele contidas. A começar pelo Arma, que apresenta duas músicas, sendo uma um cover de GG Allin, “No Rules”. A música própria recebe o título de “Kill The Bastards”. O que ouvimos do Arma é uma sonoridade totalmente calcada no Metal/Punk, com forte influência do Speed Metal. É um som ríspido, veloz, mas com direito até mesmo a solo de guitarra, mesmo com o tempo diminuto de sua música. Já o Tümulo apresenta a música “Northern War”, uma música mais longa, que ultrapassa os cinco minutos e, assim, com uma levada, inicial, mais densa e pesada, abrindo espaço para algo mais veloz após sua metade. O som é, também, calcado na ‘velha escola’, trazendo influência de nomes como Hellhammer/Celtic Frost. O curioso é que Nts Oldskull é o responsável por toda a parte instrumental e vocal em ambas as bandas, sendo que no Tümulo ele ganha a companhia de Joe Hammerfrost, mas apenas nas letras. O material que recebi veio com capa em fotocópia e apresenta uma boa produção sonora, de ambas as bandas.

 

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 Resenha por Valterlir Mendes

domingo, 25 de julho de 2021

OBSCURITY TEARS - Rise of a God - Resenha CD

OBSCURITY TEARS

“Rise of a God”

GS Productions - Imp.

Foram nove anos sem um lançamento oficial (o último foi o EP “My Chemical State”, em 2009. O novo álbum da banda pernambucana Obscurity Tears foi lançado oficialmente no final de dezembro de 2018, porém em seu formato físico apenas em março de 2019, com o suporte do selo russo GS Productions. A versão que adquiri, diretamente com a banda, após um show na capital pernambucana, foi um box que traz os três lançamentos oficiais da banda. Para quem ainda não conhecia os lançamentos anteriores, é uma boa opção. Eu já conhecia, mas o box é um item de colecionador, com uma nova “roupagem”. Mas aqui falarei acerca de “Rise of a God”, que é o álbum mais recente. Diferentemente dos lançamentos anteriores, o novo álbum apresenta uma mudança bem significativa, já que os vocais femininos não existem nesse disco. Assim, a banda trilha um caminho que sai do outrora Doom/Gothic Metal e agora vai para o Doom Metal mais raiz, com vocais mais graves, com algo, aqui e ali do Dark Metal, e com o “pé fincado” no Doom Metal feito na década de 1990. Mas, claro, para quem conhece a banda, notará que ela traz traços bem próprios, seja nos andamentos ou nas linhas instrumentais, principalmente nas guitarras. A música é densa, arrastada e melancólica, como o Doom Metal pede, assim como pede a temática lírica, que trata de sentimentos, existência e dúvidas advindas disso, da existência humana. Mas a banda fugiu um pouco de tal temática em músicas como “Rise of a God, pt. 2” e “Interstellar”, as quais falam de civilizações e vida fora da Terra. Musicalmente o disco é bem linear, mantendo sempre uma ‘pegada’ mais arrastada e moribunda durante todo o álbum, com exceção de “Lost in the Deep”, que traz algo mais agressivo, porém mais em razão dos vocais de Diego DoUrden (DarkSide Studio, Infested Blood, Mystifier). Por falar em Diego, ele foi o responsável pela gravação de “Rise of a God”, que ficou num nível acima da média. Cada instrumento tendo seu espaço, equalização num bom patamar... Enfim, uma gravação que não deve nada aos grandes estúdios. Os músicos responsáveis pela gravação desse álbum foram Jr. Alves e Evandro Andrade (guitarras), Bruno Lee (bateria) e Jefferson Barreto (baixo/vocal). Para quem já conhece o Obscurity Tears, esse álbum não vai decepcionar. Para quem não conhece a banda, mas gosta de um bom Doom Metal, bem construído, bem tocado, tétrico, pode procurar por “Rise of a God” sem qualquer temor.

Contatos: www.facebook.com/obscuritytears

Resenha por Valterlir Mendes

DIRTY GLORY - Mind the Gap - Resenha CD

DIRTY GLORY

“Mind the Gap”

Independente - Nac.

Como podemos classificar o Dirty Glory? Hard Rock? AOR? Glam Rock? Hair Metal? Na verdade, podemos pegar o que há de melhor em cada um dos estilos citados, juntar, e aí chegaremos praticamente no que é “Mind the Gap”, seu álbum de estreia, lançado - no longínquo - final de 2015. O álbum sucede o seu primeiro e único EP, “It’s On!” (2011), e conta com 12 músicas, sendo 10 músicas inéditas e duas regravações de sons anteriormente lançados pela banda. Eu deveria começar falando acerca das músicas, sonoridade, mas muito me chamou a atenção da arte da capa e o título do disco, que foge dos estereótipos do estilo praticado pela banda. As letras, mesmo que a maioria traga o normal para o estilo, algumas abordam temas mais sérios e são bem construídas, com muito a dizer. A partir disso, a banda já merece total credibilidade, já que não se prende às fórmulas incansavelmente já postas em prática. Sonoramente a banda traz influências “do bom e velho Hard Rock, com influências de Van Halen, Guns N’ Roses, Kiss e Danger Danger”, como explica o vocalista Jimmi DG, e “Um pouco de Blues e o peso do Metal também são sempre bem-vindos”, como acrescentou o guitarrista Reichhardt, em release da banda. Sim, para se ter um norte do que a banda faz musicalmente, essa é uma boa explicação, mas não que o quinteto responsável pela gravação - na época formado por Dee Machado e Reichhardt (guitarras), Sas (bateria), Jimmi DG (vocal, harmônica, piano) e Vikki Sparkz (baixo) - se limite a emular suas influências. As músicas empolgam, logo a partir da primeira, “Sticks and Stones”, com bons (e pesados) riffs de guitarras, e nos remetendo, de cara, ao Hard Rock feito nos anos 80. Boa interpretação vocal (com a ajuda de bem inseridos backing vocals), levada veloz, mas sem deixar de lado as melodias típicas do estilo. Isso sem falar nos solos de guitarras, que são despejados em doses generosas. E olha que isso é apenas o começo de um álbum que mostra coesão em todas as músicas apresentadas. Já “Failing the Test” poderia estar em alguma trilha sonora de filmes dos anos 80, em razão de sua construção Hard/AOR. Mas aí vem a pergunta: tem balada? Um bom álbum de Hard Rock sem baladas não pode ser considerado bom, né? Elas são apresentadas com “Beyond Time”, numa ‘levada’, mais AOR, “Every Time I Think About You”, com uma letra bem melosa, como deve ser, e “The Sentence”, que encerra o álbum de forma belíssima, sendo tocada praticamente apenas no piano e com uma forte interpretação vocal de Jimmi. A gravação está soberba, tendo a sua frente Luis Lopes, com edição de Gabriel Bueno e Chris Miyai, e a masterização sendo feita por Levi Seitz, no BlackBelt Mastering, em Seattle (EUA). O encarte traz diversas páginas, letras e tudo o mais que é informação. Vale lembrar que o próximo álbum, “Miss Behave”, será lançado ainda neste mês de julho/2021.

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Resenha por Valterlir Mendes

WARSHIPPER - Barren... - Resenha CD

WARSHIPPER

“Barren...”

Heavy Metal Rock - Nac.

“Barren...” é o terceiro disco da carreira do Warshipper, tendo sido lançado, oficialmente, no final de agosto de 2020. E nesse período o que mais a banda colheu, com esse lançamento, foram críticas efusivas. Não é para menos. O novo álbum monstra uma banda ainda mais difícil de se rotular. Não, não deixou de soar Death Metal, até mesmo porque muitas músicas de “Barren...” soam mais Death Metal que no álbum anterior, “Black Sun” (2018), mas mantendo as características de andamentos mais compassados e até mesmo limpos em alguns sons. Voltando a falar sobre a sonoridade mais Death Metal, dois bons exemplos são “Barren Black” e “Respect”, essa segunda com os vocais de Fernanda Lira (Crypta, ex-Nervosa). Mas a banda não deixa de caminhar por outras vias, por assim dizer, visto que “Compulsive Trip” é uma das músicas mais diferentes do disco, com uso de sintetizadores e traz, como convidado, Fanttasma (Rafael Augusto Lopes). Outra que foge dos padrões do Death Metal é “Anagrams of Sorrow”, uma música semiacústica, com vocais bem diferenciados, quase ‘limpos’, tendo sua letra inspirada em um poema de Letícia Grégio. Enfim, musicalmente é um disco bem difícil de se rotular, como dantes mencionei. A banda insere muitos elementos em sua sonoridade, mas não é algo sem “pé e nem cabeça”. Tudo é inserido de forma harmoniosa, e tem uma razão para cada passagem. Sobre a temática lírica, o álbum contém letras muito bem escritas, fazendo diversos questionamentos. Para entender todo o contexto, necessário se faz ouvir o disco com calma, acompanhando as letras. Uma das curiosidades do disco, inclusive, já mencionado pela banda, é que as 11 músicas, pegando as primeiras letras de cada título, formam um anagrama de “Barren Black”, que é a primeira música do álbum. A capa vem numa tonalidade cinza, com uma arte que mostra uma árvore morta “florescendo” humanos, a cargo de Brenda Cassimiro, fazendo uma ligação com o título e as músicas contidas em “Barren...”. O álbum foi gravado no Casanegra Studio, sob a batuta de Rafael Lopes, vindo com uma gravação de alto nível. Com uma formação que se mantém estável desde o início do Warshipper - Rodolfo Nekathor (baixo), Renan Roveran (vocal/guitarra), Rafael Oliveira (guitarra) e Roger Costa (bateria) -, novamente a banda nos apresenta uma sonoridade muito rica, tem muitas mudanças de andamentos, alguns bem intrincados, fazendo de sua música algo bem singular e quase sem parâmetros. A arte gráfica, um livreto que traz letras, fotos da banda e as informações indispensáveis do álbum, é a finalização de forma adequada de um material de alto nível, seja musical, lírico ou visual.

Contatos:

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 Resenha por Valterlir Mendes