Metal Reunion Zine

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quarta-feira, 18 de março de 2026

ARQUIVOS EXPLÍCITOS - TEMPORADA 5 - DE FÉRIAS NO INFERNO #15

 

Ele já estava muito louco e vinha cambaleando. Entrou em algumas ruas erradas, mas acabou, em um daqueles acasos que ajudam aos doidões, achando o caminho de casa. Esfolou o ombro em muros que repentinamente vinham em sua direção. O calor estava intenso e nuvens de mosquitos, entre outros insetos, atacavam impiedosamente. Não via a hora de chegar no insalubre quartinho que alugou por quase nada. Tirando o fato de ter de dividi-lo com hordas de pulgas, percevejos, baratas, ratos, carrapatos e outros componentes da fauna local, até que não era dos piores lugares onde já morou. Esperava que, aquela hora, o pequeno banheiro que dividia com os outros 30 moradores do velho casarão estivesse desocupado. Um banho talvez o livrasse do mal estar e o deixasse dormir em paz. Enxugou o suor da testa que já estava grudenta, aproveitando para dar uma cheirada no sovaco e conferir o terrível cheiro que exalava. De repente ouviu um grito de horror que vinha da direção para onde estava indo. Sorriu pensando que o mundo era um lugar realmente hostil e assustador para os despreparados. Por isso muitos preferiam ficar trancados em casa com seus medos e programas de tv alienantes. Mas ele fazia parte de outro tipo se gente. Ele era um dos que não estavam nem aí. A tribo dos nem aí. Sua cabeça suicida o impulsionava sempre rumo ao perigo. Correr risco era uma espécie de esporte estimulante. Desprezava totalmente as bolhas de conforto e as zonas de segurança. Gostava da corda bamba, de bailar na beira do precipício, de se debruçar nos abismos e apreciar os cadáveres despedaçados lá em baixo. Passou por um cara descalço, com uma camisa de botão aberta e a calça dobrada até o meio da canela. Os cabelos e a barba com os fios grudados de sujeira. O sujeito olhou para ele de forma ameaçadora, deu um gole na cachaça e disparou"Não encosta em mim, se não enfio uma faca no seu coração" Ele retribuiu com um sorriso e deu boa noite. Mais adiante olhou para trás, mas o cara já tinha sumido. Continuou a andar pela rua escura e completamente deserta naquela hora da madrugada. Um cachorro saiu da escuridão e tentou morder sua perna. Que bicho sinistro. Parecia a pior das bestas demoníacas. 
Deu um pulo para o lado, abaixou e catou uma pedra. Ameaçou lançar contra o animal que recuou, mas continuou a latir e rosnar ameaçadoramente. Ao ficar a uma distância segura, jogou a pedra fora e continuou a andar. Chegou em casa e foi direto para o banheiro. Haviam dois na fila. Coçou a cabeça e lembrou que não identificou de onde veio o grito que parecia estar em seu caminho.

Por Fabio da Silva Barbosa
Foz do Iguaçu - PR
Outubro de 2025

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